Dourado fala em marcar seu nome na história do Flamengo

GLOBO ESPORTE: Vinte dias, duas partidas, um troféu e uma ceifada. Henrique Dourado já está à vontade no Flamengo. As postagens dos companheiros em redes sociais e a desenvoltura no dia a dia mostram que não foi preciso muito tempo para reconhecer a empatia e superar a primeira barreira de quem admite que foi preciso coragem para mudanças entre rivais.

Com o passado tricolor ceifado, é hora de dar traços rubro-negros à sua trajetória e a cartilha passa por criar raízes na Gávea e inspiração no Imperador.

De foice em punho, o Ceifador revelou comparações de amigos entre seu futebol e o de Adriano ainda quando buscava por espaço no União São João de Araras. Celebrou a receptividade imediata dos torcedores rubro-negros que passam a mão pelo pescoço onde o encontram em gesto de boas-vindas.

Henrique Dourado, camisa número 19 do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
Prospectar um futuro de gols em vermelho e preto, porém, passou muito pela serenidade para conduzir de maneira sutil uma troca de clubes sem contornos traumáticos:

- O futebol envolve muita paixão. Quando as coisas começaram a caminhar, me reuni com a família e entreguei nas mãos de Deus. Chego ao Flamengo ciente da minha responsabilidade. Tive que ter muito peito. Não é qualquer um que faz isso, e sei que tenho que mostrar o meu trabalho a cada dia. As cobranças vão existir. Tenho que ter equilíbrio. Não deixar deslumbrar nos momentos bons e nos ruins você não é o pior jogador do mundo. Quando mudei, pesei os prós e contras. Pensei em toda essa atmosfera.

A receita para cumprir com todas as expectativas da torcida do Flamengo Henrique Dourado tem. Os 32 gols marcados com a camisa do Fluminense em 2017 o colocariam na segunda posição na lista de goleadores por ano do clube no Século. Só o brocador Hernane, com 36 em 2013, teve marca melhor.

A inspiração do Ceifador, por sua vez, é outra, mas ainda mais marcante: Adriano, o artilheiro rubro-negro em 2009 com 19, todos na campanha do título brasileiro.

- Me inspiro no Ronaldo, no Ibra... Muitos amigos meus na época do União São João de Araras diziam que era parecido com o Adriano, por ser canhoto e ter as características. Eu acompanhava e admirava muito. De presença de área, tem o próprio Romário, que não tinha tanto o porte físico, mas se colocava muito bem. São caras que, quando tenho tempo, gosto de buscar vídeos no YouTube. Estou sempre pronto para aprender.

Em uma época onde o politicamente correto impera nos gramados brasileiros, Henrique Dourado é quase um ponto fora da curva. Sem chororô ou dancinhas, fez o gesto de ceifar os adversários a cada gol parecer singelo (apesar do teor violento ao pé da letra).

Uma prova disso é o sucesso que a comemoração faz entre as crianças, fruto muito da postura ao longo da carreira na opinião do Ceifador do bem.

- Até crianças que torcem por rivais fazem o gesto quando me encontram e isso é gratificante. No futebol, somos espelho para muitas crianças. Procuro atender cada uma da melhor maneira possível. Às vezes, querem só um contato. Já fui torcedor e isso vale muito a pena. Na maioria dos lugares, já chego e pedem a foto da ceifada. Realmente pegou, mas tenho que continuar fazendo gol.

Em bate-papo de 20 minutos com o GloboEsporte.com no condomínio onde mora no Rio de Janeiro, Henrique falou ainda da origem do apelido que virou marca, revelou desejar vida longa no Flamengo após passar por 14 clubes na carreira, tratou com naturalidade a reação dos tricolores a sua saída e evitou projetar o Fla-Flu do próximo fim de semana. (a tendência é que o Fla não entre com força máxima no clássico, por conta da estreia na Libertadores no dia 28).

- Só vivendo para saber a sensação.

Confira abaixo a íntegra:

Origem do Ceifador

Estava conversando com um amigo em 2014, no Palmeiras, e no jogo com o Sampaio Correia surgiu esse gesto. Ele disse: "Você podia fazer algo para ficar marcado". Queria também encontrar isso, mas não esperava que ia ter tanta repercussão. Tomou uma proporção que vejo pessoas de várias idades fazendo. Surgiu do nada.

Meta de gols na temporada

Minha primeiras metas sempre são as coletivas. Quando isso acontece, o individual aparece. Parece repetitivo, mas não é. Tenho minhas metas pessoais. Quero ser campeão pelo Flamengo, e o gol sai naturalmente. Já estipulei minha meta de gols, que prefiro guardar para mim, mas se vierem os títulos vou ficar muito mais feliz.

Dupla ou disputa com Guerrero?

É um grande atacante também, assim como o Vizeu. Cada um vai buscar o seu espaço e quem tem a ganhar é o Flamengo. O Paulo vai ter uma dor de cabeça boa. Torço para que o caso do Guerrero se resolva logo. Quanto mais qualidade tivermos, melhor. Os campeonatos são longos. Vamos deixar essa dor de cabeça para o Paulo.

Libertadores

É um campeonato de estilo totalmente diferente, com jogos muito truncados, equipes catimbeiras e que às vezes querem ganhar na provocação, na confusão. Temos que estar preparados para todo tipo de situação. São jogos de muito contato físico, o jogo não é parado com faltinha. Temos que vencer em todos os aspectos, tanto na força quanto na qualidade. É uma competição que mexe. A ansiedade faz parte, mas não pode ser em excesso. É preciso ter confiança no trabalho e no elenco.

Criar raízes no Flamengo

Penso nisso. Vejo que tenho uma grande oportunidade para marcar o nome na história do Flamengo. Vou para o meu 15º clube, uma carreira onde tenho me superado a cada ano, vencendo obstáculos, e está na hora de colher os frutos que plantei. Espero que consigamos o tão sonhado título (da Libertadores) esse ano.

Reação dos tricolores

Tem a cobrança. Boa parte aceitou e boa parte não aceitou, né? Mas vida que segue. Enquanto estive lá, honrei a camisa. Hoje, é uma nova etapa. Defendo as cores do Flamengo, vou defender e honrar da melhor maneira possível. Vou fazer de tudo para conquistar grandes coisas. Hoje, a minha casa é toda rubro-negra.

Adaptação ao Flamengo

Já conhecia alguns jogadores e desde a chegada fui bem recebido. Aos poucos, vou conquistando a confiança de cada um, no decorrer dos dias. Tenho que conhecer muitos funcionários, os atletas de uma forma mais próxima, entender o que cada um gosta para termos uma intimidade. O Flamengo por si tem isso nos últimos anos, de ter um grupo muito família. Chego para ajudar.

Fla-Flu

É... tem o Fla-Flu... Mas antes tem o Madureira. Temos que focar no Madureira e depois pensar no Fluminense. Só vivendo para saber a sensação.

Com o passado tricolor, é hora de dar traços rubro-negros à sua trajetória e a cartilha passa por criar raízes na Gávea e inspiração no Imperador.

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