Entenda como o Flamengo atingiu um novo recorde financeiro

Em 2017, os patrocínios apresentaram alta e atingiram R$ 76 milhões. Chamou a atenção as receitas com sócio torcedor.

MARKETING E ECONOMIA DA BOLA: O futebol brasileiro já há algum tempo tem um líder em termos de gestão financeira, o Flamengo. Desde a eleição de Eduardo Bandeira de Mello o clube vem seguindo um modelo de gestão sólido.

Na última semana, o clube apresentou dados de uma suplementação orçamentária, mas diferente dos demais times, os dados atualizados não eram para cobrir rombos financeiros.

Bandeira do Flamengo no Ninho do Urubu (Wallpaper) - Foto: Gilvan de Souza
E sim para adicionar novas receitas muito elevadas, por conta da transferência de Vinicius Junior para o Real Madrid e Jorge de Oliveira para o Mônaco.

O clube com isso encerrou 2017 com faturamento recorde do futebol brasileiro e das Américas, atingindo R$ 633 milhões, crescimento de 24% em relação a 2016.


Esse salto foi proporcionado pelo aumento substancial das receitas com as transferências de atletas que passaram de R$ 12 milhões em 2016 para R$ 198 milhões em 2017.

Foi a primeira vez na história que o clube atingiu tamanho ganho no mercado de transferências.

Foram quase R$ 30 milhões com a transferência de Jorge de Oliveira e outros R$ 146 milhões com Vinicius Junior. As transferências saltaram de uma participação de 2% da receita total do clube em 2016, para 31% no ano passado.

Por outro lado, houve uma queda nas receitas com direitos de transmissão. Em 2016 o clube registou integralmente as luvas pelo novo contrato da Globo que se inicia em 2019. O valor com a TV caiu de R$ 297 milhões em 2016 para R$ 200 milhões em 2017.

Sem o valor das transferências, a receita foi de R$ 435 milhões, queda de 13% em relação a 2016, quando atingiu R$ 498 milhões. Na comparação com 2015, as receitas sem atletas cresceram 26%.

Em 2017, os patrocínios apresentaram alta e atingiram R$ 76 milhões. Chamou a atenção as receitas com sócio torcedor que eram R$ 26 milhões em 2016 e saltaram para R$ 43 milhões em 2017, evolução de 62%. Somando estes valores com os R$ 49 milhões de bilheteria, o clube gerou R$ 92 milhões com seus jogos.


As receitas ligadas diretamente ao negócio voltaram a crescer e neutralizaram um pouco a redução por não contar com as luvas da TV.


O tripé adotado pela gestão flamenguista é seu diferencial em relação aos demais clubes do Brasil. O foco em maximizar receitas, controlar custos e pagar dívidas está realmente dando muito resultado.

O grande desafio será equilibrar os custos de 2018, frente à redução das receitas com transferências. Flamengo está entre os que mais gastam e precisa de títulos.

O incremento futuro das receitas depende muito deste sucesso esportivo, para poder criar o verdadeiro ciclo virtuoso:

Títulos que geram receitas, que ampliam o investimento e que trazem mais títulos.

Superávits e Patrimônio Líquido são destaques

Um dado contundente de 2017 foi o superávit do clube que deve atingir R$ 155 milhões, o maior valor da sua história. Em 2016 fechou com R$ 153 milhões e em 2015 outros R$ 130 milhões.

Nos últimos quatro anos foram superávits expressivos, que somados atingiram R$ 503 milhões.

Essa história recente impactou muito a vida financeira do clube. Com esses altos superávits seu Patrimônio Líquido pela primeira vez em décadas ficou positivo.

O Patrimônio Líquido representa a riqueza de uma organização, são os recursos próprios descontadas suas dívidas.

Em 2013, o Patrimônio Líquido do clube era negativo, chamado de Passivo a Descoberto em R$ -443 milhões. Em 2017 ficou positivo pela primeira vez e deve fechar próximo de R$ 55 milhões, frente aos R$-95 milhões de 2016.

Para Claudio.Pracownik, vice de finanças do clube:

“Este é um momento icônico e que, de efeitos práticos, reduz as taxas de captação, abre a porta para cartas de fiança em garantias, e nos possibilitará a ser auditado por uma Big4 muito em breve!”




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