Leandrinho e Varejão projetam Flamengo x Franca

Além dos dois, apenas outro brasileiro já conquistou o título de melhor time da liga de basquete norte-americana, o pivô Tiago Splitter.

GLOBO ESPORTE: Pela primeira vez na história do Novo Basquete Brasil, dois campeões da NBA estarão de lados opostos da quadra. Pelo Flamengo, Anderson Varejão receberá, no Rio de Janeiro, o ala-armador Leandrinho, do Franca. Com apenas uma vitória de diferença na tabela de classificação, o jogo que será disputado na Arena Carioca, nesta quinta-feira, às 21h (de Brasília). Além de ser uma disputa direta pelas primeiras posições, promete contar um dos principais capítulos da temporada 2017/2018 do NBB. Além dos dois, apenas outro brasileiro já conquistou o título de melhor time da liga de basquete norte-americana, o pivô Tiago Splitter.

- Vai ser um clássico. Clássico é aquela palavra que a gente usa no futebol, né? Corinthians e Palmeiras, Corinthians e São Paulo. Então vai ser Sesi Franca contra Flamengo. A gente era companheiro de vestiário, a gente sentava um do lado do outro, mas hoje a gente tá num duelo. Varejão é meu amigo, mas meu inimigo dentro de quadra - afirma Leandrinho.

Foto: FIBA
- Modestia à parte acho que é um momento importante para o basquete. Somos dois jogadores que tivemos uma trajetória positiva lá fora e podemos passar um pouco da nossa experiência. Chegamos para somar e ajudar. A gente ficou muito tempo fora, eu saí com 18 anos para jogar na Espanha. E eu sentia falta disso, só vinha ao Brasil para jogar pela Seleção, queria sentir o calor humano do brasileiro no dia a dia - conta Varejão.

Leandrinho leva a melhor nos confrontos diretos
Foram pelo menos 14 temporadas pela NBA no currículo deles. Na maioria delas, se encontraram como adversários. Leandrinho defendeu quatro equipes diferentes, com destaque para Phoenix Suns e Golden State Warriors. Varejão passou grande parte da carreira defendendo as cores do Cleveland Cavaliers, no qual conquistou o status de ídolo e sensação da torcida com a sua famosa cabeleira, que virou, inclusive, peruca e um dos artigos mais usados pela torcida nas arquibancadas de Ohio. Muitas vezes na reserva, os dois de fato estiveram em quadra como adversários em 14 situações pela NBA. Nessa disputa, Leandrinho levou a melhor e tem 10 vitórias, contra quatro de Varejão.

- Já fui campeão na casa dele, contra o Cleveland Cavaliers. Lembro tudo, é um momento especial e impossível de esquecer. Eu não esperava que isso fosse acontecer um dia e aconteceu de uma hora para outra, numa situação que eu estava no Mundial da seleção brasileira e achei que eu não ia ter time na NBA. E aí aconteceu o convite do Steve Kerr lá no Mundial de eu fazer parte desse elenco do Golden State, e logo nesse primeiro ano conseguimos ser campeões e contra o Cleveland, a equipe do Varejão - lembra Leandrinho.

Varejão: "Foi um título que ficou para a história dele"
- Para o basquete brasileiro foi muito bom, eram duas equipes na final da NBA com a certeza de que um brasileiro seria campeão. Infelizmente não fui eu, mas eu fiquei feliz depois por ele, por saber da história dele e tudo que ele passou. Foi um título que ficou para a história dele, que vai ser lembrado com muito carinho. Fizeram até um grafite dele lá na cidade dele, fiquei muito feliz quando eu vi esse reconhecimento. E é um empurrãozinho a mais para toda galera que sonha ser jogador de basquete.

Parceiros de seleção brasileira há quase 20 anos, os dois jogaram juntos no Estados Unidos apenas uma vez, pelo mesmo Golden State Warriors, em 2016. Aliás, foi o time comandado por Steve Kerr, que na época afirmou "eles trazem química ao nosso time, fazem os outros felizes", quem deu aos dois o título de melhor time da NBA. Leandrinho, como já contou, conquistou o prêmio contra o Cleveland na temporada 2014/2015. Já Varejão, foi campeão em 2016/2017. Ele também carrega o título de ter sido o primeiro jogador na história a ter participado na mesma temporada dos dois times finalistas da competição.

- Leandrinho foi muito importante para mim quando eu fui para o Golden State, me ajudou na minha adaptação, em tudo. Foi bom passar mais tempo junto, viajar mais junto, ainda mais lá nos Estados Unidos, que a gente se sente mais sozinho e são muitas culturas diferentes. Então, estar com alguém do mesmo país foi muito bom, tenho certeza que para mim e para ele.

Mesmo enquanto adversários, os dois costumavam se encontrar para jantar um dia antes ou depois dos jogos da NBA. Não por acaso, foi justamente entre uma garfada e outra que se encontraram pela primeira vez.

- Não esqueço desse dia, nos conhecemos num Campeonato Brasileiro em Uberlândia. Eu estava jogando por Vitória, do Espírito Santo, e ele por São Paulo. Estávamos no mesmo hotel, todas as seleções estavam lá. Nos conhecemos no refeitório pegando comida.

De lá para cá já se passaram quase duas décadas. Nesse meio tempo, muitas mudanças aconteceram, inclusive com o basquete brasileiro, que criou um novo formato de competição, o Novo Basquete Brasil.

- Era muito diferente, tinha muita coisa por melhorar, muita coisa para fazer. O NBB surgiu e tornou-se um novo campeonato, várias regras novas, tudo mudou, a bola mudou, estilo de jogo mudou, a arbitragem mudou. Eu só vejo melhora, hoje lá fora a gente vê que a visibilidade do basquete brasileiro vem a cada ano, cada dia, cada semana, cada segundo, melhorando. Não é à toa que tanto Varejão, quanto eu, quanto vários americanos, argentinos, uruguaios, seja lá o que for de estrangeiros, estão vindo para o Brasil para poder jogar essa liga - conta Leandrinho.

O ala-armador de São Paulo espera ser para os novatos do NBB exatamente o que Kobe Bryant foi para ele na NBA: um ídolo, uma referência. Acostumado a prestar atenção em cada detalhe, em cada movimento diferente do americano, ele quer ajudar, dar toques e trocar experiências. Para ele, o seu retorno e o de Varejão ao Brasil fazem com que vários amigos estejam de olho no NBB e, automaticamente, todo mundo é beneficiado com isso. Melhor amigo de Stephen Curry, Leandrinho afirma que os americanos são apaixonados pelo Brasil e que, inclusive, ninguém se assuste se cruzar com alguns deles por aqui. Essa relação com os Estados Unidos se aproximou tanto, que ele já adianta quem é uma de suas apostas e promessa para ganhar a América do Norte.

- Eu sou um pouquinho suspeito, apesar de eu fazer parte do Sesi Franca Basquete, eu gosto muito do Didi. É um menino talentoso, que tem muita força explosiva, um cara atlético e querendo ou não ele tem 18 anos. A envergadura dele é uma envergadura grande, o pé dele é um pé grande. Então tudo, todos esses fatores que eu falei é exatamente o perfil que o americano procura.

Didi e Leandrinho estarão juntos em quadra nesta quinta-feira para bater o Flamengo de Varejão. Na tabela, o Rubro-Negro está uma posição na frente do Franca, ocupa a segunda colocação com 16 vitórias em 19 jogos. Já o time de São Paulo, também em 19 partidas, tem 15 vitórias. A disputa acirrada pelo topo da tabela só vai trazer ainda mais emoção ao confronto entre os dois amigos, que têm caminhos semelhantes no basquete brasileiro. Na carreira profissional de Anderson, apenas dois clubes brasileiros: Franca e Flamengo. No currículo de Leandrinho, além de Palmeiras, Bauru e Pinheiros, também estão Franca e Flamengo.

- Tem tudo para ser um jogão, um jogo para ficar na história, por vários motivos. Para mim por essa relação que eu tive com Franca e até hoje eu tenho, não vai sair de mim. Mas principalmente pelo campeonato que os dois clubes vêm fazendo.

Para Varejão, os anos como adversário ajudaram a conhecer melhor Leandrinho. Mas que ao contrário do que todos imaginam, o fato dele estar com mais anos e experência - os dois têm 35 anos, com apenas dois meses de diferença - o torna ainda mais competitivo e forte.

- Ele é um cara muito talentoso, um cara que tá sempre preocupado com ele, um cara que tem um arremesso de fora, é muito rápido e tem a penetração. Parece que quanto mais velho ele fica, mais rápido ele fica. A gente brinca, mas é porque ele treina muito e se dedica bastante.

O confronto entre Franca e Flamengo é válido pela 16ª semana do segundo turno. A partida será transmitida ao vivo, às 21h15min, pelo SporTV 2. A narração será de Odinei Ribeiro, com comentários de Renatinho e Rodrigo Alves e reportagem de Lizandra Trindade e André Pessôa.


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