Nascidos em 17 de Fevereiro

REPÚBLICA PAZ E AMOR: Por Vivi Mariano

Nós, nascidos em 17 de fevereiro, somos de alma preta. E vermelha. Somos pés descalços. Somos laje. Somos birosca. Somos Flamengo da Praia do Russel. Do povão assistindo com curiosidade e paixão. Nós somos um Flamengo que respeita a mistura. A favela, a cachaça e o coração. É uma alegria festejar meu aniversário no mesmo dia que Adriano. Eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo e o Didico no mundo. Nesses tempos que o futebol exclui, eu e ele, olhamos para quem está à margem e é isso que nos faz Flamengo. Gosto  de escutar histórias, de viver relações de Flamengo, de sentir na pele a luta pelo reconhecimento e legitimidade de um povo que sofre, que trabalha, que nasce e morre pelo Mais Querido do Brasil. É o meu maior prazer me reconhecer Flamengo no outro. E Adriano me faz ver Flamengo através dele. Com dores, com luta, com fracassos, com conquistas e com paixão.

Adriano Imperador comemorando gol pelo Flamengo - Foto de Gilvan de Souza/Lancepres
Nós, nascidos em 17 de fevereiro, vivemos pelo Flamengo e para o Flamengo. E somos incompreendidos também. O tempo todo. “Vai ao jogo em Volta Redonda? Pra que isso?” “O Flamengo está te fazendo mal, V i v i a n e.” “Esquece o Flamengo.” “Esse jogo não vale nada.”  “O que você ganha com isso?” “Outra camisa do Flamengo? Você já tem tantas.” “O Flamengo ainda vai matar você.” Que Deus perdoe essas pessoas ruins. E também aquelas que dizem que o Adriano está acabado, que não tem mais jeito, que não vale acreditar num jogador como ele, que o Flamengo não é uma clínica de reabilitação. Hipócritas! O Flamengo é de todos nós. Inclusive dele. Eu não sei ser Flamengo se não for acreditando na superação, na oportunidade, na possibilidade, no outro. O futebol é para ser jogado, não para impedir que se jogue. E esse modelo atual que prioriza o entretenimento e o balanço do clube, quer nos fazer acreditar que a alegria, a ousadia, a fantasia, não nos serve mais. Ainda bem que temos no meio de nós aqueles que ainda acreditam no Flamengo da Favela da Praia do Pinto. Nós somos daqueles que pularam o muro do Clube para ser campeão do mundo, como conta o camisa oito que HONROU o manto sagrado. E não dos que entram pela garagem com seus carros importados para não ganhar N A D A.

“Uma vez por semana, o torcedor foge de casa e vai para o estádio”, escreveu Galeano. Não foge mais. Nós sabemos os motivos. Nós vivemos na pele, no bolso, nas ruas as impossibilidades de frequentar os estádios (mas que estádios?) para ver o Flamengo jogar. Hoje ainda somos motivados pela paixão, pelo amor, e pela história que escrevemos com o Mais Querido e pagamos os planos, a camisa cara, o que for para ajudar o clube. Mas fazemos isso por RAÇA, AMOR E PAIXÃO. Pela magia. E é ela que nos motiva a acreditar naqueles que ninguém mais acredita. Essa magia que nos mobiliza para encarar a violência das ruas, dos estádios, da VIDA para seguir a todo lado com o Flamengo. Essa magia que transforma nosso amor em saga, luta, lenda pelo rubro-negro que desperta paixões, cria mitos, heróis, desejos. Nós, nascidos em 17 de fevereiro, gostamos de festas. Muitas. E é disso que estamos precisando, de FESTA NA FAVELA. E o melhor anfitrião está voltando. Com ele nos reinventamos. Com ele nos fortalecemos. Nossas portas estão abertas para o outro. Para uma Nação.

Domingo, 31 de maio de 2009. Ele voltou com a presença de 71.762 pagantes no Maracanã e ainda fez GOL decisivo, essa coisa rara no Flamengo dos “profissionais”, dos “perfeitos”, dos “verdadeiros rubro-negros”. Quase SETENTA E DUAS MIL PESSOAS. Quem acompanha o Flamengo pós 2013 não lembra da sensação, dos cheiros, da energia, da ALEGRIA, do prazer, do GOZO coletivo quando Adriano Imperador marcou naquele 2 a 1 contra o Atlético Paranaense. Favela….Favela….Favelaaaaa, é festa na Favela. Na arquibancada somos um NÓS. E é dela e nela que está a força do Flamengo. Eu quero andar descalça na favela onde eu nasci com faixa de campeã. O Clube de Regatas do Flamengo está motivando o Adriano. Enfim, reconheceram que há formas e formas de acolher, de ajudar, de trazer pra perto. Tê-lo de volta é viver a  esperança que ele um dia perdeu. Por escolhas próprias. E hoje nós escolhemos por ele. Escolhemos a vida, o sonho, a paixão pelo Flamengo. Precisamos que ELE nos escolha também. E seguimos lutando por um dos nossos. O final da história do retorno do Adriano todo mundo sabe qual foi.

Nós, nascidos em 17 de fevereiro, queimamos os pés nas lâmpadas dos jardins. Amanhecemos na favela. Fazemos festinhas para muitas pessoas. Andamos descalços na favela. Tomamos uma gelada, ou várias, sem limite, sem razão. Vivemos para a multidão, o estádio que delira, o grito de gol e os títulos. Nós, nascidos em 17 de fevereiro, não escolhemos o Flamengo. Fomos escolhidos por ele. Parabéns, Didico. Fé na vida, fé no homem, fé no que virá. Nós, nascidos em 17 de fevereiro, só queremos ser amados. Por vocês. Pelos meus 11 leitores. Por ELE. Pelo FLAMENGO. Se Adriano é o Imperador, eu sou a Imperatriz. Deixa eu brincar de ser feliz.

Para vocês,

Paz, Amor e Festa na Favela.

Por escolhas próprias. E hoje nós escolhemos por ele. Escolhemos a vida, o sonho, a paixão pelo Flamengo.

Postar um comentário

[facebook]

FlamengoResenha

{facebook#https://www.facebook.com/FlamengoSouRubroNegro} {twitter#https://twitter.com/FlamengoResenha} {google-plus#https://plus.google.com/u/0/107993712547525207446} {youtube#https://www.youtube.com/channel/UCiHkjDj2ljgIbiv_zUvdG6g/videos}

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget