O Flamengo que Carpegiani começa a montar

FOOTUREFC: Por @RodrigoCout

“A ideia é colocar os melhores em campo”. A frase dita por Paulo César Carpegiani em entrevista a Rádio Bandeirantes de Porto Alegre, no início desta semana, resume bem como o experiente treinador vê o futebol e serve como ponto de partida para explicar a maneira que começa a montar o Flamengo versão 2018. Um 4-1-4-1 baseado em muita qualidade técnica no meio-campo e jogadores de propensão ofensiva.

Meio-campista de qualidade altíssima no passe, dinâmica de movimentação incomum à sua época, e capacidade de entendimento do jogo acima da média, Carpegiani não é formado nas divisões de base do Flamengo, mas conhece como poucos o DNA de futebol do clube de maior torcida do Brasil. Os rubro-negros não aceitam que o seu time não tome a iniciativa de atacar, dentro ou fora de casa, e não busque ser protagonista com a bola. Perfil forjado desde a década de 50 e institucionalizado de vez sob o comando de Cláudio Coutinho e do próprio Carpegiani nas décadas de 70 e 80.

Não que o comandante de 69 anos tenha montado equipes somente com esta característica. Muito pelo contrário! Em tanto tempo de carreira seria impossível encontrar trabalhos com o mesmo perfil de jogo. Na sua mais notável direção fora do Flamengo, por exemplo, Carpegiani produziu uma seleção paraguaia praticamente intransponível defensivamente na Copa do Mundo de 1998.

De volta ao comando técnico do Mais Querido meio que por um acaso, já que Reinaldo Rueda aceitou a proposta da seleção chilena e Carpegiani inicialmente seria o diretor técnico do clube, é hora de arregaçar as mangas e tentar recuperar o rendimento que faltou ao clube em grande parte de 2017.

Em virtude do retorno tardio de férias dos principais jogadores do elenco, já que o Flamengo encerrou uma temporada de 82 jogos em 13 de dezembro do ano passado, o treinador teve o grupo completo em poucas partidas neste 2018. Insuficiente para conclusões, mas o que se viu em campo já nos permite apontar indícios do que está por vir.

A formação

O rubro-negro carioca vem sendo escalado com Lucas Paquetá, Diego, Everton e Everton Ribeiro compondo uma ofensiva e versátil linha de meias por trás de Henrique Dourado, centroavante recém contratado ao Fluminense. Na base deste meio-campo, Gustavo Cuellar, volante de visão de jogo e passe vertical. Voltando à frase inicial do texto, parece que de fato os melhores do elenco neste momento estão sendo escalados. Mas somente isso é suficiente? Empilhar qualidade técnica e esquecer dos mecanismos coletivos para esta engrenagem funcionar?

Esta é a formação base que Carpegiani vem utilizando até o momento na temporada. 4-1-4-1 com funcionamento bem específico e muito ofensivo. Nas setas, as trocas entre os meias que mais costumam acontecer
Carpegiani e boa parte da exigente torcida do Flamengo sabem que não. A história do clube já deu mostras disso e dentro de campo tem sido possível perceber ideias interessantes para gerar espaços ofensivos e mais repertório de jogadas perto do terço final do campo, grande problema da última temporada.

“Lógica Inversa”

A princípio a distribuição das peças demonstrada acima causa estranhamento a quem acompanha o futebol de forma mais detalhada. O natural no quarteto de meias seria posicionar Diego e Lucas Paquetá na faixa central, Everton Ribeiro no lado direito (onde viveu seu melhor momento no Cruzeiro), e Everton no lado esquerdo (onde sempre rendeu bem). Carpegiani, porém, inverte está lógica. A estratégia é proposital e visa aumentar a movimentação e consequentemente os “desmarques”, tornando a equipe menos previsível.

A ordem é trocar de posição a todo momento. Gerar imprevisibilidade, perseguições dos adversários, buscar os espaços que podem aparecer, além de ocasiões de mano a mano, sem dobras de marcação e coberturas próximas. No início da construção o quarteto vem contando com a qualidade de Cuellar e mais paciência dos zagueiros, que pelo menos neste início de ano têm utilizado mais os passes curtos e reduzindo as ligações diretas.



Defensivamente há muito o que evoluir e os desafios que a temporada apresentou até o momento não exigiram muito do Flamengo. Ao que parece a ideia é utilizar a “pressão pós perda” como transição defensiva. E com o adversário já em fase ofensiva, adotar o sistema de encaixes e curtas perseguições para marcar. Mesmo de forma embrionária, já foi possível perceber problemas de compactação entre Cuellar e o quarteto de meias, bem como oscilação na intensidade da abordagem de marcação, algo aceitável neste estágio de trabalho.

Voltando ao trâmite ofensivo, para que a estratégia dê certo é primordial um atacante que ocupe mais o último terço, prenda a última linha adversária, e Henrique Dourado possui mais esta característica do que o suspenso Paolo Guerrero, uma referência móvel, que circula muito mais a intermediária e não dá tanta profundidade ao time. Obviamente que como a premissa é botar os melhores em campo, o peruano deverá ser o titular quando seu gancho por doping acabar.

Até lá, Carpegiani terá que trabalhar a coordenação dos movimentos ofensivos. Dos que vem sendo titulares, Paquetá e Everton são mais agudos nos movimentos de infiltração. Recuperando-se de lesão, Willian Arão perdeu espaço, mas é outro que oferece isso. Peças de qualidade que o experiente treinador dispõe e podem acrescentar ainda mais a este promissor Flamengo.


Carpegiani não é formado nas divisões de base do Flamengo, mas conhece como poucos o DNA de futebol do clube de maior torcida do Brasil.

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