Olha a empolgação

REPÚBLICA PAZ E AMOR: A gatomestragem é uma característica comum à maioria dos brasileiros com os boletos pagos. E mesmo assim quase todos nós fomos surpreendidos pela vitória do Flamengo. Ninguém esperava que o Mengão, incontestável ferrabrás do rural papa-goiaba, fosse capaz de levar um gol durante o campeonato. E ainda por cima um gol do Botafogo, que como se sabe recobrou a antiga celebridade ao conseguir se manter por dois anos seguidos na Série A do Campeonato Brasileiro. Com todo respeito aos seus 18 torcedores remanescentes o Botafogo entrou em campo como a tradução mais acurada para o português do termo inglês underdog.

Mas não é que os caras conseguiram furar a até então inexpugnável cidadela rubro-negra? Tudo bem que foi gol do Kieza, que entra na cota da maldição onomástica do Flamengo, mas ainda assim foi surpreendente. Ainda bem que era semi da tacinha guanabarinha e não valia porr* nenhuma, mas num jogo mais sério essas situações embaraçosas não podem se repetir. Carpegiani tem que explicar pros caras, com severidade, que tomar gol em 2018 está fora de questão!

Rhodolfo e Henrique Dourado comemorando gol do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
Contudo, excetuando-se esse momento do gol dos caras, que pertence à esfera do Incrível, Fantástico, Extraordinário, o jogo foi de uma previsibilidade atroz. O Flamengo martelou o Foguinho como quis e os atarantados alvinegros pouco puderam fazer. Era óbvio até pra eles o quão injusto era aquele cotejo entre times de grandezas tão díspares. É notório que a torcida do Flamengo não aprova as injustiças. Tanto que nem apareceu no estádio, foi tratar da vida e do Carnaval. E nesse ponto merece uma menção especial o heroico torcedor do Botafogo que botou a cara. Que vai a um jogo desses como quem vai assistir ao Titanic no cinema. Já sabendo que no final o navio afunda.

Depois dos gols de Everton “Que Faz Gol” Cardoso e Dourado (CeiFLAdor é muito escroto, parem com isso!), comemorados comedidamente pelos poucos torcedores presentes, o jogo ia escorrendo para a vala do oblívio quando a joia Vinícius Jr corrigiu um capricho da natureza que o impediu de fazer seu primeiro gol em um clássico no dia 4 de junho de 2017, enfrentando o mesmo Botafogo. Quase do mesmo ponto do gramado de onde mandou um canudo venenoso que explodiu no travessão de Gatito Fernandez no ano passado o genial moleque de 45 milhão de Euros executa um refinadíssimo disparo balístico que tira a bola do alcance de Jefferson, entra na gaveta e vai morrer gostosamente no fundo do barbante para consignar o 3 x 1 definitivo no placar. Justiça poética e estética. Mas o melhor ainda estava por vir.

Honrando a tradição histriônica de Souza Caveirão e Hernane Brocador o imparável Vinicius Jr comemorou seu feito da forma mais honesta possível: repetindo o consagrado gesto do Chororô. Teve gente que reclamou, lógico. Os reservas do Botafogo foram os primeiros, tentaram logo partir pra uma violenciazinha básica, mas não se deram bem porque o Rhodolfocop tava esperto na contenção e deu logo uma mãozada nos peito de um brabo que pretendia pegar o Vinicius Jr na crocodilagem. Gesto viril que arrefeceu na hora o ímpeto justiceiro dos foguinhenses. Cambada de otários! Chola mais!

Parte da intimorata crônica esportiva auriverde também não achou fofa a comemoração raiz do nosso moleque de ouro. Aludindo a valores cristãos, éticos e morais, tentaram mais uma vez provar que o que atravanca o progresso do futebol brasileiro não é o escanteio curto, 2 volantes ou os jogos só começarem depois da novela, o problema do futebol brasileiro é a zoação. E assim o 7 x 1 vai se eternizando nos corações e mentes de Pindorama. Saudade do tempo em que nosso único fantasma era o gol do Ghiggia. Que palhaçada, se não fosse a comemoração autêntica, pertinente e justificada do Vinicius Jr esse Flamengo x Botafogo teria caído no esquecimento antes mesmo do apito final aos 90 minutos.

Porque além do jogo em Volta Redonda não valer 2 mariolas usadas vai acabar dando trabalho e despesa. Porque nos classifica pra uma inútil final de Taça Guanabara contra o esforçado Boa Vista. Mais um jogo de escassos atrativos técnicos e discutível recompensa. Sobra sempre pro torcedor, que é quem sempre se fode, ter que gastar mais tempo e dinheiro. O Flamengo devia fazer como o Atlético de Medellín fez com a Chape e entregar a Taça Guanabara logo pro Boavista.

Além de ser um gesto bacana e magnânimo, de incentivo a um simpático clube de menor investimento, ajudaria ao Flamengo manter alguma competitividade durante a Taça Rio. Porque se o Flamengo ganha a Taça Guanabara aciona-se o botão do fod*-se, o Flamengo entra na fase Libertadores mode on e o Carioca 2018, enquanto competição, vai a óbito. E isso ninguém quer, não é mesmo?

Pensa nisso, minha gente, quanto a sociedade como um todo economizaria se essa eletrizante final fosse resolvida administrativamente? Sem precisar de estádio, segurança, polícia na rua, transporte publico e do precioso tempo do povo. Basta um escritório neutro, cafezinho, água gelada, aperto de mão entre as partes e voilá, ganharíamos mais um domingo de verão sem ter que se preocupar com as miudezas do campeonato carioca. Todos felizes.

Enquanto isso não se oficializa estão todos autorizados a brincar no que resta desse Carnaval tão curto e fugaz. Chooooora! Não vou ligar! Chegou a hora. Vais me pagar. Pode chorar. Pode chorar.

Mengão Sempre

ARTHUR MUHLENBERG

O Flamengo devia fazer como o Atlético de Medellín fez com a Chape e entregar a Taça Guanabara logo pro Boavista.


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