PC Vasconcellos destaca trabalhos de Carpegiani, Mano e Roger

Pena que o viciado olhar se concentre muito apenas no Palmeiras e no Flamengo _ lembrai-vos do Corinthians e do Gremio em 2017.

SPORTV: Por PC Vasconcellos

Olá,

Desde os sete a um, os técnicos com mais de sessenta ficaram desacreditados. Por simplismo, hábito secular, o fiasco caiu única e exclusivamente na conta dos "coroas" Luis Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira. E o vexame só aconteceu por termos ali dois profissionais que não estavam sintonizados com as novas leis do Mundo da Bola. Evidente que a dupla, especialmente o LFS, teve a maior parcela de responsabilidade. Errou por não ter conseguido, desde o início da Copa do Mundo, transformar um grupo de bons convocados em um time capaz e tampouco estava preparado para a possibilidade de não contar com o Neymar. Para quem perguntar: e quem estaria? A resposta é: o técnico, tal e qual quem lidera qualquer processo, precisa ter sempre um Plano B detalhado e ensaiado.

Carpegiani no Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
Só que colar isso a idade é exagerado. Talvez seja preciso que alguém venha do Vale do Silício e determine que a combinação de experiência com talento e capacidade ainda e um bem sem valor em mundo tão competitivo em todas as áreas. O que vi depois da Copa do Mundo foi a turma que falava batata da perna, interval trainning, coletivo apronto, assustada com a desqualificação que passou a acompanhar os seus trabalhos. E é assim que a banda toca ainda hoje. Quando se vê um profissional com mais tempo de beira de campo o olhar de desconfiança sobre a capacidade deste de montar um bom time, criar uma parceria com os jogadores e fazê-los crer em sua proposta aumenta. Tem mais de sessenta então é ultrapassado. Não concordo. Há os que se acomodaram e foram vítimas da própria soberba _ e esses o mercado aposenta, alguns mais lentamente _ e tem os que procuram entender o que está acontecendo. Quem assim procede consegue casar as experiências acumuladas com o que presente oferece.

Vejo agora nesse início de temporada três técnicos de gerações diferentes mostrando ideias interessantes _ a temporada só engatinha _ e reforçando a ideia de que rotular não é o melhor caminho para o debate _ o problema é que muita gente hoje só sabe criticar desqualificando, o que nada ajuda para o necessário e urgente debate sobre o futebol. Começo pelo mais jovem e com elenco de Primeira Classe: Roger Machado, técnico do Palmeiras. Tem um grupo caro para os padrões brasileiros e com ofertas em excesso. Mesmo com a vocação para o avaliar pelo resultado e não pelo desempenho, podemos observar que a ideia do que o Roger deseja cada vez mais é assimilada por quem ele comanda. Quem com ele conversa percebe que não se deixa seduzir pelos elogios e tampouco veste a roupa da soberba quando se compara gerações.

O Mano Menezes está entre o Roger e o Carpegiani. É um cinquentão e já superou a punhalada pelas costas que foi a saída da Seleção Brasileira. Levou tempo, foi preciso sair do país para estudar (Portugal) e trabalhar (China) para que o MM se reencontrasse. Há questões que o esporte, especialmente o futebol, ignoram. Uma delas é como anda a cabeça do sujeito. Se os jogadores são vistos sempre como super hjeróis, os técnicos são os resolvedores de problemas. Pouco importa que ele não esteja bem consigo mesmo ou desiludido com a profissão que escolheu. O Mano que está no Cruzeiro consegue cada vez mais colocar em pratica o que pensa sobre o futebol. Não sem antes entender do que o jogador é capaz de fazer ou não. Nas discussões desta época, o Cruzeiro nem sempre é lembrado. Pena que o viciado olhar se concentre muito apenas no Palmeiras e no Flamengo _ lembrai-vos do Corinthians e do Gremio em 2017 _ e ignore, por exemplo, o Cruzeiro.

E por último o Carpegiani de quem sou fã desde a época de jogador. Atuasse hoje e seria tão espetacular quanto foi naqueles anos setenta e oitenta. Sempre foi inquieto e ainda permanece. É o mais velho dos três. Mas seduziu a garotada do Flamengo e quem viu a semifinal da Taça Guanabara percebeu como esse Flamengo pode dar samba. Há jogadores, como o Lucas Paqueta, que mostram evolução e maturidade. Com horas de beira de campo, o Carpegiani não se deixará seduzir pelos elogios e tampouco ficará refém de uma ideia. A inicial que pretende implantar no Flamengo é estimulante para quem gosta de futebol.

São três gerações com olhares diferentes na pratica, mas iguais em sua essência. Pouco importa a geração. O que vale é a inquietação do profissional, a necessidade de fazer o melhor e entender que sempre é preciso procurar JOGAR BEM!

O Vinicius Junior e a saída do Felipe Conceição

Entre tantos pés de obras qualificados que o futebol brasileiro não deixa de apresentar ao respeitável público, o Vinícius Júnior é o mais ilustre. Atua em clube que está sempre em evidência _ para o bem e para o mal. O gesto de choro que fez após o belo terceiro gol contra o Botafogo é um direito inalienável dele. Vi e vejo como desnecessário, pois abre a porta para que o outro lado tente compensar a ausência de bola com exercício de macheza. E talvez valha como reflexão para o VJ o seguinte: o gol foi lindo, o primeiro em um clássico e todos só falaram do gesto. Vale muito mais a pena ser lembrado pelo que faz com a bola nos pés. E olha que o repertório dele está apenas no começo.

Combine um erro de avaliação com precipitação. A diretoria do Botafogo entendeu que do mesmo forno do qual saiu o Jair Ventura sairia o Felipe Conceição. Errou de Joana e João. O FC tem um jeito completamente diferente. E o novato técnico acreditou que era possível em tão pouco tempo mudar um jeito de jogar praticado nos últimos 17 meses. Não houve sintonia entre o que pretendia o apressado técnico e os jogadores, tomados por exagerada insegurança. O resultado foi a saída do FC.

É preciso que a diretoria reconheça seu erro e olhe com mais atenção para o elenco que montou. Há ali uma frustração pelo que não foi alcançado no ano passado _ Copa do Brasil, Libertadores e vaga para a Libertadores de 2018 _ encorpada pela vexatória eliminação na Copa do Brasil. De imediato acertar o lado tático _ o passado ainda é presente _ não será difícil. O problema é transformar um time limitado em seguro e determinado, o que Jair Ventura fez com precisão.


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