Torcidas cariocas trocam samba pelo argentino nas arquibancadas

Se você foi a algum jogo do Flamengo em 2017 com certeza ouviu e cantou junto “Em Dezembro De 81”.

GLOBO ESPORTE: A voz que vem das arquibancadas é protagonista no espetáculo que se projeta dentro de campo. Aliás, não tem espetáculo sem torcida. E não existe torcida calada. Nos bons e, principalmente, nos maus momentos, os cantos de incentivo e amor ao clube podem mudar a história de uma partida.

Reunimos quatro torcedores que sabem bem como é fundamental o apoio vindo das arquibancadas. Quatro cariocas que contribuíram com suas torcidas e com seus clubes. Autores de músicas que ecoam por todo o estádio em dias de jogos do Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco.

“Não Se Compara”
"Quando você joga, não importa nada"... "É diferente/Esse sentimento ninguém entende". Estes são versos da canção "Não Se Compara", idealizada por Leonardo Ribeiro. Segundo ele, o fato de muitos botafoguenses abrirem mão de compromissos para estarem ao lado do clube e o fanatismo não compreendido o inspiraram a criar a letra em 2015, o que fez com a ajuda de amigos.

- Queríamos fazer uma música que retratasse o que sentimos quando o Botafogo está em campo. Em 2017, explodiu de vez, com o clube adotando o "Não se compara" e "O mais tradicional" como lemas - comenta o economista.

No ano passado, o Botafogo pintou, em um dos vestiários do Nilton Santos, a frase "O mais tradicional", o que deixou Leonardo com a certeza de que contribuiu para a história do clube.

- Foi um apelido que criei para o Botafogo no início de 2015 e, alguns meses depois, meus amigos e eu colocamos em um dos versos da música. O fato de o próprio clube utilizá-lo nos dá a certeza de que criamos algo de que o botafoguense tem orgulho e com o qual se identifica. O estádio todo cantar gera uma sensação muito boa.

Em 2017, o clube ainda usou a música em um vídeo institucional.


“Em Dezembro De 81”
Se você foi a algum jogo do Flamengo em 2017 com certeza ouviu e cantou junto “Em Dezembro De 81”. A letra é de Eric Barceleiro, que foi buscar a inspiração no Mundial e no desejo da torcida por reviver esse momento.

A canção surgiu em 2010 a partir de uma sugestão na rede social Orkut, e foi baseada na música “Primeiros Erros”, da banda Capital Inicial. Eric precisou esperar sete anos, mas viu sua canção explodir nas arquibancadas.

- 2017 foi o ano em que ela estourou na arquibancada. Com certeza foi a mais cantada. Demorou para todo mundo cantar, mas quando pegou ela contagiou. Não existe quem não conheça ela no estádio - conta o professor de Educação Física.

Além de contagiar os rubro-negros, a letra também chegou ao clube, que usa a canção em suas redes sociais e a coloca no telão em dias de jogos no Maracanã.

- Fiquei todo arrepiado quando ouvi todos cantando pela primeira vez. Até os jogadores cantam. Isso é muito gratificante, pois muito mais do que uma música da torcida, ela é do Flamengo.


“Desde Que Eu Nasci”
Um dia comum na vida de Diogo de Oliveira, que saiu do trabalho escutando música. Um detalhe, porém, marcou esse dia em especial no ano de 2009: ao escutar “Every Breath You Take”, da banda The Police, foi inspirado a criar “Desde Que Eu Nasci”, canção de sucesso nas arquibancadas do Fluminense.

Apenas um ano depois, a letra já estava na boca da torcida, que passou a cantá-la em todos os jogos do Tricolor. É uma das preferidas pelos torcedores e não foi diferente em 2017.

- Muito gratificante saber que contribuí um pouquinho para a história do clube que eu amo, inclusive um trecho da música está estampado na gola de uma camisa de jogo do Fluminense. Foi um dos melhores presentes que já recebi - diz o gerente de loja.


“Camisas Negras”
2017 foi o ano em que o estádio São Januário completou 90 anos. E no selo comemorativo no uniforme do Vasco foi estampada a frase "Aqui ergui meu templo para vencer", um dos versos da música “Camisas Negras”.

Criador da letra, Marcelo Panoeiro conta que a ideia veio em um momento de renovação dos cantos das torcidas, há cerca de 12 anos. Surgiram músicas mais preocupadas em exaltar o Vasco e suas virtudes, com mensagens positivas. Segundo ele, um movimento das arquibancadas que busca dar voz ao que é ser vascaíno.

- A inspiração para a criação da letra vem do orgulho da história do Vasco. Eu apenas transcrevi as heroicas páginas construídas pelo Vasco ao longo de mais de um século. O mérito está na história deste clube, não em mim. Jamais conseguiria escrever algo exaltando, por exemplo, o último clube grande do Rio a ter aceitado negros se, por acaso, eu tivesse sido condenado a torcer por este clube. O mérito é todo do Vasco e desta imensa torcida - afirma o engenheiro.



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