Wesley Safadão se tornou mais importante que o Flamengo?

ESPN FC: Por João Luis Jr

Não seria absolutamente nenhum exagero dizer que o Maracanã é um dos maiores símbolos do futebol, não só do Rio ou do Brasil, mas também do mundo todo. Assim como não seria exagero dizer que ele é, mais do que uma referência para o nosso futebol, uma referência para nossa história, nossa arquitetura, além de ser uma das imagens mais reconhecíveis do nosso país no imaginário coletivo global. Dizer que o Maracanã tem um valor emocional e espiritual tão grande que provavelmente o arrebatamento vai começar por ele durante um intervalo de final de Campeonato Carioca e veremos Jesus descendo pra fazer duas embaixadinhas antes do juízo final talvez já seja, aí sim, um certo exagero, mas você também não pode garantir que não seja verdade, só vamos saber na hora.

O Maracanã é um estádio que já recebeu finais de Campeonato Brasileiro, Copa do Mundo, Mundial da Fifa, mas que acima de tudo está intrinsecamente ligado à identidade do futebol carioca. Seja você flamenguista, vascaíno, tricolor, botafoguense, você já viveu no Maracanã vitórias e derrotas, alegrias e tristezas, já vibrou com gols mágicos, já se constrangeu com frangos ridículos, já comprou três fichas de cerveja antes de descobrir que ela era sem álcool e aí a pessoa do caixa não quis trocar, o que não tem muito a ver com futebol mas é, sim, um fracasso pessoal.

Foto: Divulgação
É exatamente por isso que choca tanto ver o quanto o estádio vem lenta mas claramente se distanciando exatamente dos clubes que através dele construíram sua história, que junto com ele viveram suas maiores glórias. Num processo que envolveu uma reforma que descaracterizou o estádio e passou por licitações escusas e total descaso do poder público, o antigo maior do mundo fui utilizado para enriquecer empresas e políticos, foi abandonado e depredado e hoje caminha para ser cada dia menos um estádio de futebol e mais uma casa de shows, o que mostra bem as prioridades daqueles que hoje têm o controle sobre ele.

O mais recente sinal disso veio agora na reta final da Taça Guanabara, quando as semifinais e a final não poderão ser realizadas no Maracanã, em virtude de uma série de shows previamente marcados pela concessionária, que envolvem artistas como Jorge e Matheus, Phil Collins, Wesley Safadão e Foo Figthers.

E ainda que eu precise admitir que, baseado no que vimos em algumas partidas comemorativas, Wesley Safadão realmente jogue mais bola que alguns jogadores do Flamengo e que talvez “Against all odds” seja a canção que melhor resume a tristeza de um torcedor que depende de Muralha defendendo um pênalti pra ser campeão, poucas coisas deixam mais óbvio que algo está muito errado com o Maracanã do que a prioridade dele ser algo que não o futebol.

Isso irá cobrar seu preço, claro. Com as dificuldades para usar o Maracanã, Botafogo e Vasco cada vez mais priorizam seus estádios, assim como o Fluminense já discute projetos para uma casa própria e o Flamengo, mesmo com a Ilha do Urubu, estuda buscar um lar definitivo para hospedar seus jogos de maior público. O resultado final disso? Uma cidade onde cada time tem seu estádio e o Maracanã se tornou uma relíquia abandonada utilizado apenas para jogos comemorativos de fim de ano entre os amigos do Eri Johnson e os conhecidos do David Brazil e um ou outro show esporádico do Mc Leozinho.

Mas ainda é possível que o Maracanã tenha um futuro melhor do que esse. Depende de uma mínima preocupação do poder público, que não mostra o menor interesse em realizar uma nova licitação, assim como depende da postura dos clubes, que ainda se mostram incapazes de superar rivalidades mesmo diante de questões de interesse comum, e também dos torcedores, que tem influência não apenas na escolha dos governantes como também dos dirigentes. O Maracanã é grande demais e importante demais para abandonar o papel de templo do futebol e se tornar apenas mais uma casa de shows no Rio de Janeiro. Ia ser muito chato Jesus voltar fazendo embaixadinha e ninguém notar porque tá tocando um Foo Fighters da vida.

Mas ainda é possível que o Maracanã tenha um futuro melhor do que esse.


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