Apesar de propostas, Geuvânio diz que preferiu ficar no Flamengo

O atacante desembarcou na Gávea cercado de expectativas, especialmente pelo início de carreira no Santos.

GLOBO ESPORTE: Geuvânio ainda está em débito, mas tudo indica que começou a pagar sua dívida com a torcida do Flamengo. Os dois gols no domingo, contra a Portuguesa, coroam uma nova fase, que o atacante vinha ensaiando há alguns jogos.

Contratado por empréstimo de 18 meses do Tianjin Quanjian, em junho do ano passado, o atacante desembarcou na Gávea cercado de expectativas, especialmente pelo início de carreira no Santos. Mas não as correspondeu por vários motivos.

Ele cita as faltas de ritmo, sequência e oportunidades com Reinaldo Rueda como principais razões por ainda não ter deslanchado no clube e credita o novo momento à confiança de Paulo César Carpegiani.

Geuvânio comemorando gol pelo Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
É difícil falar do ano passado porque foi um período de adaptação em que o Rueda tinha os atletas dele. Não sei o que aconteceu, se tinha algum problema pessoal comigo. Sempre dei meu melhor, mas não tive as oportunidades que esse ano estou tendo.

- Com o Paulo (Carpegiani) foi diferente. Desde o Fla-Flu, mesmo a gente perdendo, eu dei meu melhor, tentei fazer o que ele pediu e dali surgiram as oportunidades. Eu sei que neste ano as coisas vão acontecer porque as oportunidades estão vindo.

Geuvânio versão 2018 está mais forte física e mentalmente, garante o jogador. Aos 25 anos e com mercado no Brasil, o atacante revela ter tido oportunidades para deixar o Flamengo no início do ano. Mas bateu o pé e optou por ficar por um motivo.

- Quero deixar a minha marca

Confira o bate papo com Geuvânio

Momento

Durante esse período todo eu venho me dedicando ao máximo nos treinamentos. Em todos os aspectos que o treinador vem pedindo. Valorizei muito a pré-temporada. Comecei o trabalho desde o início e foi muito importante para mim. Estou bem melhor que no ano passado, tanto física quanto mentalmente. Preparado para fazer uma boa temporada em 2018.

Estou muito feliz, tem que valorizar meu momento agora. Nos 15 minutos que entrei no jogo pude marcar dois gols e ajudar a equipe a passar para a semifinal. Estou muito feliz pela oportunidade que o Paulo (Carpegiani) me deu e vou continuar fazendo o que venho fazendo nos treinamentos para, quando surgir outra oportunidade, aproveitar.

Situação física

Estou bem melhor. Quando cheguei ao Flamengo (em junho), o Brasileiro já estava num ritmo bem forte. Eu seguia um calendário totalmente diferente do Brasil... Não tem como comparar o Campeonato Brasileiro com o da China. Lá, você joga uma vez por semana, tem três dias de folga. Então não tem uma competição, não tem o nível que o Brasil tem, aquela pressão, com viagens a todo momento.

No Flamengo se vive de resultados. Tem que estar com o resultado positivo para tudo correr bem. Querendo ou não, isso pesa muito. Esse ano foi diferente, comecei a pré-temporada com a equipe, todo mundo do mesmo nível. Isso é diferente para o atleta, começar o trabalho desde o início. Estou bem melhor. Claro que ainda falta muita coisa, falta ritmo de jogo, mas isso vem com os treinamentos e com os jogos.

Período difícil

No futebol você é cobrado pelo que você faz. Eu tive uma passagem muito boa pelo Santos, fui campeão na China como um dos melhores do campeonato. Eles cobram de jogadores que tem para dar, não tem jeito. Eu sempre vou ser cobrado. Se na próxima partida eu jogar e não mostrar o mesmo desempenho, vou ser cobrado. Estou consciente disso.

Foi um período complicado ficar sem jogar, é difícil. O atleta tem que se manter focado, com a cabeça boa. Esse ano voltei com a mentalidade de esperar a minha oportunidade. A paciência que tive, de continuar trabalhando firme sabendo que a hora que a oportunidade aparecesse teria que mostrar o meu potencial.

Foi isso que eu fiz, me mantive focado, treinando, e o Paulo sempre falando comigo: "Na primeira oportunidade eu vou te colocar e você faz o que sabe fazer, vai para cima e mostra seu futebol". Foi isso que eu fiz. Treinei firme, ele me acompanhou e falou: "Agora é sua hora, mostra o que você sabe fazer". E graças a Deus eu pude entrar e mostrar minha qualidade aqui no Flamengo.

Confiança

Quando você tem a confiança do treinador, qualquer jogador joga. Se você entra em campo sabendo que ele não te apoia, não confia, como você vai render?

O treinador fala: "Vai, que eu confio em você. Se errar, não tem problema, tenta de novo". Isso é importante para o atleta, saber que o treinador conta contigo. Isso me deu tranquilidade para fazer o que eu sempre vinha fazendo e isso me ajudou muito.

Chegada do Carpegiani

Muda, né?! Um treinador que fala seu idioma, ele entende o que você tem que fazer dentro das suas funções e não foge das características. Ele já tinha visto as atuações que eu tive pelo Santos, então facilitou para ele saber onde que eu rendo melhor. Isso ajudou bastante.

Momento pessoal x profissional

Acho que na vida nunca está nada perfeito. Sempre tem alguma coisa que você tem que estar ajustando. Na minha casa, graças a Deus, com a família tudo estava maravilhoso, teve o nascimento do meu filho (Bernardo, de oito meses). Tudo andando bem.

Só que dentro do clube algumas coisas não estavam correndo dentro do esperado. A cabeça tem que estar focada, tranquila.

Futebol é muito rápido. Você às vezes não está em um momento legal, mas surge um jogo como o de domingo, faz dois gols e já muda tudo. Por isso o atleta tem que se manter tranquilo e focado. O futebol é muito dinâmico. Se deixar se abater, é pior.

Pensou em mudar de clube?

Sempre quis ficar aqui. Surgiram várias coisas no começo do ano e falei: "Não quero, quero ficar aqui". Porque sempre fui um atleta que não gosta de sair de um clube sem deixar minha marca.

No Santos foi assim, na China fui campeão. Eu sempre deixei a minha marca em todos os clubes que eu passei. Eu quero deixar a minha marca. Não quero sair daqui sem deixar o meu legado. Acredito que ainda posso mostrar porque o Flamengo me contratou.

Competitividade interna

Na China, quando eu fui contratado, foi para ser "o cara". É diferente. Aqui no Flamengo tem muitos jogadores. Tem o Diego, tem o Everton... Jogadores de alto nível. É diferente. A competição existe.

Lá na China, não. Eu tinha que jogar. Os estrangeiros eram eu, Luis Fabiano e Jadson. Então, os que tinham que entrar em campo éramos nós, seja ruim ou bom. Aqui é diferente, tem competição. Um jogo eu jogo, no outro joga o Everton. Essa competição é difícil. Eu tive que esperar minha oportunidade.

Eu sabia que não ia jogar de primeira. Eles têm uma história aqui no clube, eu tenho que respeitar, saber meu momento. Com o Paulo agora surgiu essa oportunidade. O atleta precisa da sequência. É difícil para um atleta que sempre vem jogando ficar sem jogar. Você perde um pouco do ritmo. Não quero também forçar nada. Tenho que estar tranquilo para aproveitar as oportunidades.

Posicionamento

Sempre atuei naquela posição (ponta-direita). É de onde saem meus gols. Uma das características que eu tenho é de cortar para o meio e chutar. Eu não vou falar que quero jogar por ali, no meio ou na lateral. Eu estou aqui para ajudar a equipe e conseguir títulos. O que marca um atleta no clube são os títulos.

Jogada característica

Sempre tive essa característica do chute de longa distância. Na minha passagem pelo Santos, fui muito bem assim. É uma das caraterísticas boas que eu tenho esse chute de chapada.

O Everton e o Pará brincam comigo: “Chapa, Gigio”. Eu tenho que valorizar essa característica do chute que eu tenho.

Dica da Dona Cida

Ela (Maria Aparecida, mãe de Geuvânio) sempre fala para eu explorar mais isso. Foi uma das características que marcou muito, o chute. Ela fala: "Filho, você chuta muito bem, tem uma pontaria boa, por que você não chuta mais para o gol?" Mas não é sempre que dá para chutar, né?! Porque ela não entende muito, aí diz: "Mas chuta" e eu disse: "No momento certo eu vou chutar".

Antes do jogo contra a Portuguesa ela falou para eu chutar pelo menos uma bola no gol. Eu chutei e ela já ligou: "Falei para você, tem que chutar". É corneteira para caramba. Ela sempre acerta nas coisas. Sempre que acontece alguma situação, ela me orienta da melhor maneira possível. Sempre que eu escuto a minha mãe, as coisas dão certo. É uma característica que eu tenho, e ela estava me cobrando esse chute.

Pressão da torcida

Eu sei que aqui é um clube grande, que toda hora tem cobrança. Os torcedores (na rua) sempre acreditavam em mim e falavam que na hora certa eu ia conseguir mostrar o meu futebol. Eu sempre agradeci os torcedores na rua pela confiança que eles tinham em mim e isso foi importante para mim também. Saber que o torcedor acredita no meu trabalho.

Futuro

Eu estou emprestado, meu passe é da China. Tenho que cumprir meu contrato aqui no Flamengo e ver o que vai acontecer. No ano que vem eu tenho que voltar para a China e ver o que vai acontecer. Não tenho que fazer plano de nada. Tenho que cumprir meu contrato aqui.

Tatuagens

Não tenho. Eu sou evangélico e também, quando meu avô era vivo, ele era contra. Ele falava: "Se fizer eu arranco na peixeira" (risos). Eu não queria contrariar né?! Mas eu nunca gostei também, não tenho nada contra, acho até bonito.

Responsabilidade como pai

Sempre fui (responsável). Desde pequeno, no Santos, segurei as pontas dentro de casa, eu e meu pai. Com a chegada do meu filho, não é a responsabilidade que muda, é o cuidado mesmo. Quando você vira pai, não pensa mais em você como pensava antes. Pensa mais no filho. Isso que mudou para mim. Esse amor, esse cuidado que a minha mãe tem por mim, eu tenho agora pelo meu filho.



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