Caetano pregava espírito "paz e amor" no elenco do Flamengo

O diretor tinha por princípio não deixar seus atletas em situação desconfortável e dar todo apoio.

EXTRA GLOBO: “Pelo menos foram homens”. Assim Rodrigo Caetano reagiu à demissão no Flamengo. Chamado pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello e pelo diretor-geral Fred Luz, o diretor foi comunicado em encontro reservado que não seguiria no comando do futebol. Em seguida, o técnico Carpegiani, o auxiliar Jayme de Almeida, o gerente Mozer e o preparador físico Marcelo Martorelli completaram a barca, avisados pelo mandatário no Centro de Treinamento.

Responsável pela reformulação em grandes proporções, o vice de futebol Ricardo Lomba não foi ao clube nem se reuniu com os dirigentes pessoalmente. Um dia depois de se revoltar com a eliminação no Estadual, colocou as mudanças prometidas em prática de forma silenciosa. O auxiliar Mauricio Barbieri comanda os treinos até a contratação de um novo treinador, que deve ser conhecido até o fim da semana. Os nomes de Cuca, Dorival Junior e Felipão são analisados.

Foto: Gilvan de Souza
A força que derrubou profissionais e quase zerou o futebol no meio da temporada veio da união dos vice-presidentes do clube, cansados de serem alijados do processo decisório na pasta pelo trio Bandeira/Luz/Caetano. "O Flamengo tem que voltar a ser Flamengo", disse um deles. Nesse cenário, a figura do vice de futebol Ricardo Lomba cresceu e ganhou força. Apoiado pelos seus pares de outras pastas e pelo grosso dos conselheiros do grupo político que sustenta a administração atual, Lomba peitou Caetano e exigiu mudanças a Bandeira.

Visto como representante da torcida no clube e fora dele, e querido por todos, o dirigente até então não havia se exasperado e tomado as rédeas do futebol. A gota d’água veio com as derrotas para Fluminense e Botafogo. No vestiário do Maracanã, disse que as mudanças aconteceriam. Bandeira, que até então se isolava com os executivos, não resistiu à pressão, já que quer colocar Lomba como candidato para sucedê-lo.

A relação dos dois ficou um pouco abalada pelas mudanças drásticas. Após o rompante, o vice de futebol deve adotar a linha de passar a bola para o mandatário assumir as novas medidas. Opção para candidato na eleição do fim do ano, Lomba tem a base do grupo de Bandeira lhe garantindo nas medidas tomadas. Mas ainda pode ser exonerado por Bandeira caso haja algum atrito.

O desafio de tomar o vestiário, dominado por Caetano

Lomba sequer foi ao clube depois de sinalizar as mudanças para o presidente. Mas precisará encarar os jogadores a partir de agora. As críticas a falta de empenho não caíram bem. Ao expor o grupo após derrota para o Botafogo, precisará recuperar o vestiário que era de domínio de Rodrigo Caetano.

O diretor tinha por princípio não deixar seus atletas em situação desconfortável e dar todo apoio, mesmo que no ambiente interno houvesse cobranças fortes. Fred Luz assumiu o papel de demitir Caetano e vai reconstruir o departamento de futebol. Desta vez, no entanto, com Lomba no comando. O presidente Bandeira não gostou, mas cedeu a cadeira.

O mandatário acumulou o cargo com a saída de Flavio Godinho, último dirigente da pasta a de fato dar as cartas e até dividir as decisões com Caetano. Com a prisão de Godinho pela Lava-Jato, Caetano reinou no futebol do Flamengo com o apoio de Bandeira.


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