Ederson e Carpegiani se reencontram 14 anos após Ação Jurídica

O jogador tinha seus direitos federativos pertencentes ao RS Futebol Clube, que tinha como proprietário Carpegiani, o treinador do Flamengo atual.

AGÊNCIA SPORT LIGHT: POR LÚCIO DE CASTRO ·

O destino e o Flamengo uniram Carpegiani e Ederson novamente.

Jogador e técnico já foram partes de uma milionária transação e de uma celeuma jurídica. A outra parte do litígio era o ex-jogador e técnico Dunga.

De volta aos treinos depois de recuperar-se de um tumor no testículo, Ederson está sendo comandado por Carpegiani.

O jogador tinha seus direitos federativos pertencentes ao RS Futebol Clube (atual Pedra Branca), que tinha como proprietário Paulo Cesar Carpegiani, o treinador do Flamengo atual. Na ocasião, Carpegiani não estava exercendo o cargo de treinador.

Em 14 de janeiro de 2014, o RS vendeu 75% desses direitos para o Image Promotion Company (IPC), por U$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil dólares). O IPC foi representado na negociação pelo empresário italiano Antônio Caliendo.


Em 24 de julho de 2014, em reportagem deste autor publicada então no site da ESPN, revelou-se que o negócio foi intermediado pela “Dunga Empreendimentos, Promoções e Marketing ltda”, de Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, que na época da publicação era técnico da seleção brasileira em sua segunda passagem.

A reportagem mostrou ainda uma uma nota fiscal da “Dunga Empreendimentos, Promoções e Marketing ltda”, com a comissão paga pelo clube gaúcho, no valor de R$ 407.384,08 e o recibo assinado pelo próprio Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga; e o comprovante bancário de transferência do clube para a empresa do treinador, no valor discriminado na nota.


Na nota emitida pela “Dunga Empreendimentos, Promoções e Marketing ltda” está discriminado o “faturamento de honorários profissionais pelos serviços prestados de assessoramento, acompanhamento e indicação de investidor na aquisição de direitos federativos e econômicos de atleta”. A pedido do IPC, os direitos federativos foram repassados para o francês Nice, onde Ederson atuou por três temporadas.

No dia 8 de maio de 2006, os investidores do IPC fecharam a compra dos 25% restantes dos direitos que o RS Futebol Clube ainda tinha de Ederson pela quantia de U$ 575.000,00 (quinhentos e setenta e cinco mil dólares). Diferentemente da compra dos 75% anteriores negociados por Antonio Caliendo, Dunga já não constava mais como intermediário da transação e sim como o autor do depósito dos U$ 575.000,00, oriundo de uma agência do Credit Suisse em Mônaco, sede também do IPC e creditado para os responsáveis pelo RS Futebol Clube. Em processo judicial que corre na justiça gaúcha, Dunga nega que tenha sociedade na IPC, alegando que o depósito feito por ele foi um empréstimo para o IPC.


A reportagem de 2014 mostrou que por trás do endereço do IPC, em Mônaco, estão mais revelações sobre as teias de relacionamento de Dunga. O investidor, para quem o treinador da seleção intermediou o atleta do RS Futebol Clube, encontra-se no mesmo endereço da World Champions Club (WCC), na Avenue Princesse Alice. A WCC é uma conhecida empresa de agenciamento no futebol. E entre os gestores está Antônio Caliendo, que representou o IPC na compra dos 75% de Ederson, onde Dunga ganhou comissão por intermediação.

Na ocasião, a reportagem quis saber de Dunga se ele ainda tinha algum vínculo com a empresa. O treinador disse “não ter vínculo com a empresa em questão e que esta empresa o representou quando ele era jogador”. Mas no site da WCC, Dunga era uma das estrelas e identificado como “um dos nossos últimos clientes”, ao lado de Ederson e Maicon, convocado por Dunga para a Copa do Mundo de 2010. Não apenas isso: onde consta a relação e fotos dos futebolistas pelos quais respondem pela gestão, Dunga aparecia em foto de quando não era mais jogador.

O inglês Queens Park Rangers também estrelava o site. A WCC assumiu a gestão do QPR em 2004. Mesmo sem “ter vínculo com a empresa em questão”, Dunga assumiu cargo no conselho de gestão do clube, formado por cinco membros.

Na ocasião da reportagem, o então treinador da seleção foi procurado através da assessoria de imprensa da CBF sobre o caso e respondeu “não ter participação alguma na venda dos direitos sobre o vínculo do referido jogador”, ao contrário do que os documentos mostravam.

As disputas não terminaram com a venda de Ederson.

No dia 8 de maio de 2006, ao comprar os 25% restantes, o próprio Dunga foi o autor do depósito de U$ 575.000,00 pelos 25% restantes. Esta segunda parte do negócio tinha entre as condições primordiais para a realização, por determinação do IPC, a cessão de uma procuração para que Juarez Rosa fosse o representante do RS Futebol Clube na negociação. Condição que se encerrava no ato de formalização da transferência. Após o pagamento por parte de Dunga, o vínculo desportivo foi transferido para o Nice e a procuração do clube gaúcho para Juarez Rosa se encerrou, 1º de julho de 2006.

No entanto, mesmo com o valor da procuração entre o RS Futebol Clube e Juarez Rosa esgotado um ano antes, surge uma peça misteriosa no acanhado Cartório de Notas de Las Piedras, cidade uruguaia cinco vezes menor do que o bairro carioca de Copacabana: um contrato de transferência de vínculo de Ederson, beneficiando o já citado miúdo Club Atletico de Las Piedras. Valor: direito de crédito de 700 mil euros e direitos futuros equivalentes a 50% em caso de saída do Nice para outro time. Quase um presente do RS Futebol Clube para a agremiação de Las Piedras. Uma segunda venda de Ederson, discriminada no papel do cartório, mas que não virou transferência jamais. Nesta ação entre os dois clubes, Juarez Rosa assinou para o RS Futebol Clube. Como representante do clube uruguaio assina Mauro Paglioni, empresário de futebol e agente Fifa. Além de uma terceira assinatura, do representante do IPC. Essa segunda e inusitada transação, para um inusitado clube, de um jogador sobre o qual Dunga havia ganho comissão na venda anterior dos 75% e depositado posteriormente o equivalente aos 25% dos direitos, é realizada por um homem de confiança do treinador e ocorre quando este já está no comando da seleção brasileira. Em 26 de julho de 2007.

Surpreendidos com o surgimento de uma nova transação, com um jogador já vendido e realizada em seu nome, os representantes do RS Futebol Clube abriram processo contra Carlos Caetano Biedorn Verri, o Dunga, Juarez Rosa da Silva e a Image Promotion Company. Dunga foi excluído do processo que correu no Superior Tribunal de Justiça (DF), pelo entendimento de que não foi parte nesta fase da transação, a “segunda venda de Ederson”. Juarez Rosa é presente em todos os momentos e decisões importantes do treinador. Estava com ele no dia da volta de Dunga ao posto de técnico da seleção, em encontro recente com Marin e Del Nero. Em 2010, às vésperas do embarque do time para à África do Sul, Dunga visitou a governadora Yeda Crusius para falar sobre o Instituto Dunga. Presente, Juarez Rosa foi apresentado como secretário geral do Instituto, como está no Diário Oficial de 3 de maio de 2010.

A reportagem, em 2014, encaminhou questões relativas ao contrato com o clube uruguaio para Juarez Rosa, sem obter resposta. Ao técnico Dunga foram enviadas questões sobre as circunstâncias do depósito dele para pagamento dos 25% do passe de Ederson, alegado como empréstimo dele para o IPC e sobre o pagamento de volta para ele, também sem resposta por parte do treinador.

Na ocasião, depois de Dunga negar ter ganho comissão com a venda de Ederson, foi desmentido por Carpegiani em entrevista, que reafirmou Dunga ter recebido comissão, como mostram os documentos exibidos também pela reportagem.

Quatorze anos depois da transação entre Carpegiani e Dunga que envolveu Ederson, o treinador rubro-negro, que foi responsável pela revelação de Ederson, tem o jogador sob seu comando novamente.



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