Entenda a homenagem da torcida do Flamengo para Marille

EXTRA GLOBO: Torcedora de arquibancada e apaixonada pelo Flamengo, a vereadora Marielle Franco, executada a tiros, foi eternizada como os ídolos do clube. Seu rosto estampou uma bandeira preparada pela torcida através de uma vaquinha, mas a homenagem enfrentaria percalços durante o clássico contra o Fluminense na última quinta-feira, procedimentos estabelecidos pelo Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) para qualquer bandeira que entre nas arquibancadas. A ideia surgiu através de um grupo de rubro-negros que integra uma roda de debates virtuais sobre o clube e sobre a política brasileira. Houve então a sugestão de lembrar de um hábito recorrente de Marielle, torcer para o Flamengo, através de uma homenagem.

A imagem foi idealizada por um rubro-negro que mora na Espanha, e sua impressão, orçada em R$ 500, foi rateada em cotas de R$ 25 por sócios e torcedores de várias classes, sem a participação do Flamengo. Com a bandeira pronta, o problema seria entrar com ela no estádio. Como não avisou ao policiamento, o grupo de torcedores levou o pavilhão até uma das organizadas, que tinha menos material do que de costume e poderia entrar com mais uma bandeira no setor Sul.

Torcida do Flamengo homenageou Marielle - Foto: Divulgação
Em um primeiro momento, o Gepe vetou a bandeira, já que não estava na lista combinada. Foi quando membros do departamento de marketing do Flamengo intercederam e se responsabilizaram por levar a homenagem até a área dos camarotes do clube. Alguns torcedores chegaram a pensar em uma liminar na Justiça antes do clube agir.

Mas a segurança particular que trabalha no Nilton Santos ainda não estava convencida. Logo a bandeira foi hasteada, pouco antes de a bola rolar, torcedores reclamaram, e a segurança contratada pelo Botafogo apareceu para indicar que ela atrapalharia a visão no setor Leste. A bandeira foi recolhida por um funcionário e desapareceu. A situação causou rebuliço entre os rubro-negros envolvidos e o próprio Flamengo. Mas a bandeira acabou resgatada na sala da segurança por um torcedor que foi o guardião da homenagem no estádio e a levou para casa.

A iniciativa ganhou as redes sociais, e os idealizadores já pensam adiante. Esperam que a bandeira continue presente não apenas em jogos, mas também em outros protestos pela morte da vereadora e por outras injustiças contra as quais ela lutava. Uma das ideias é fazer eventos com outras torcidas dos clubes do Rio na favela da Maré, onde Marielle nasceu e cresceu torcendo pelo Flamengo.

MOBILIZAÇÃO TRICOLOR

No Nilton Santos, também houve homenagem por parte da torcida do Fluminense: uma faixa com as cores do clube trazia a frase "Marielle Vive". Mas, ao contrário do que aconteceu do lado rubro-negro, nem houve pedido de autorização para o Gepe. Ao saberem que as manifestações em homenagem à vereadora foram impedidas em outros estados e do veto inicial que a homenagem do rival estava causando, os tricolores optaram por outra estratégia: anunciaram se tratar de uma simples bandeira tricolor. Com a partida já rolando, a faixa foi colocada no setor norte do estádio, destinado a faixas de torcidas. Com a confusão causada pelo sumiço da bandeira rubro-negra, a manifestação tricolor passou despercebida pela polícia e por seguranças, e os dizeres “Marielle Vive” passaram toda a partida expostos.

A ideia surgiu de dois coletivos de torcedores denominados “Fluminense Antifacistas” e “Resistência Tricolor”, que defendem as ideias da vereadora, cobram justiça para sua morte e, ao saberem que seu pai era tricolor (segundo um dos membros contou ao GLOBO), quis homenageá-la.

- Não pertencemos a torcidas organizadas. Somos coletivos que discutem ideias e dividem a paixão pelo Fluminense. Mas não nos organizamos. Queríamos prestar uma homenagem à Marielle, pelo o que ela foi, independentemente para quem torcesse. Quando descobrimos que o pai dela era tricolor, tudo fez mais sentido. Pegamos uma faixa tricolor e pintamos a frase. Várias pessoas apoiaram. Na hora de entrar no estádio, não fomos questionados porque ela era uma bandeira tricolor – disse um dos idealizadores, que preferiu não se identificar, acrescentando achar que a PM não quis tirar a sua faixa do estádio. – Sabíamos que os torcedores rubro-negros tinham tido problemas com a bandeira deles. Pensamos em tentar assim mesmo. Chegamos lá e colocamos. Acho que, depois da confusão, eles não quiseram tirar. Ou até não viram. Mas ela foi lembrada e homenageada.

No final da noite, o Flamengo declarou que o sumiço da bandeira de Marielle teria sido apenas um mal entendido. E que ela foi retirada por estar no setor leste – setor não destinado para bandeiras – e por ter atrapalhado a visão de vários torcedores. Mas que o caso tinha sido resolvido e a vereadora, homenageada. O Flamengo já havia prestado homenagem a sua torcedora no jogo contra Portuguesa, no dia 18, oito dias após a execução de Marielle e de seu motorista, Anderson Gomes, no Rio. Além do tradicional minuto de silêncio, os jogadores entraram em campo com faixas pretas no braço.

A imagem foi idealizada por um rubro-negro que mora na Espanha, e sua impressão, orçada em R$ 500, foi rateada em cotas de R$ 25 por sócios.



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