Flamengo apostou no tradicional

A diretoria tentou dar uma satisfação rápida para a saída do Rueda e repetir o velho ditado ultrapassado de "apostar em quem conhece o Flamengo".

GOAL: Por Bruno Guedes

O maior erro do futebol brasileiro e o que levou a parar no tempo em questões táticas se deve ao eterno problema de confundir gratidão com resiliência. E o maior exemplo de todos é o Flamengo. O clube, desde 1981, não consegue seguir com suas próprias pernas e evoluir sem recorrer a ex-jogadores que estão totalmente alheios ao que se pratica no esporte atual.

Flamengo apostou no conhecido e tradicional ao invés de dar um passo maior, mudar de patamar. Ao escolher Carpegiani, a direção andou para trás, já que estava buscando transformar seu departamento de futebol em algo moderno e, portanto, também com uma equipe nesse status. Mesmo em jogos do fraco Carioca, a equipe já demonstrava falhas de ontem.

Lucas Paquetá e Everton em Flamengo x River Plate - Foto: Gilvan de Souza
E foi isso que aconteceu. Hoje o time joga de forma confusa e desequilibrada em relação ao que se pratica nos grandes centros. Em entrevista recente, Tite dizia que "Diego joga como ele deseja vê-lo". Entretanto, não é de fato o que ocorre. O meia sempre teve como virtude sua proximidade do gol e arriscando os chutes de fora da área. Mais recuado, tirou seu volume de jogo e o afastou de jogadas mais agudas.

Chegaram até a insanidade de dizer que o Flamengo jogava como Manchester City, já que faz uma espécie de 4-1-4-1 que, algumas vezes, Guardiola usa no time inglês. Um imenso desconhecimento. City tem jogadores pelas pontas que fazem as diagonais, buscando sempre entrar na área ou a linha de fundo, auxiliado pelos meias que chegam por trás (David Silva e De Bruyne).

No Rubro-Negro, não. Há uma sobrecarga dos meias e por vezes é necessária a entrada do Vinícius Jr. para que se busque esse tipo de infiltrações e agressividade ofensiva. Paquetá, um dos que mais lutam, busca essa polivalência, mas sozinho.

O River Plate se aproveitou dessa falha e pode fazer um resultado que lhe agradava, já que vem de placares ruins e muita cobrança sobre a vulnerabilidade das suas laterais. Como a equipe do Carpegiani não tem essa força pelos lados, bastou os argentinos forçarem pelo meio, onde mesmo com menos posse de bola conseguiu controlar sem perigo.

A diretoria tentou dar uma satisfação rápida para a saída do Rueda e repetir o velho ditado ultrapassado de "apostar em quem conhece o Flamengo". Essa frase não faz mais sentido quando falamos de 2018. E a temporada, que de fato começou ontem e não nos fraquíssimos jogos dos Estaduais, vai provar isso.


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