Flamengo goleia, mas o foco no Rio era outro

ESPN FC: Por João Luis Jr

É complicado saber se, diante da atual situação do Rio de Janeiro, um estado financeira e institucionalmente quebrado, sob intervenção militar e onde representantes democraticamente eleitos estão sendo assassinados a sangue frio nas ruas, conseguir ainda se preocupar com futebol é uma atitude leviana ou apenas uma tentativa de manter a sanidade. Por um lado é fácil compreender quem acredita que não existe nem clima ou sentido para futebol numa situação dessas, que devemos ter outras prioridades, que comemorar um gol enquanto ao nosso redor o estado em que vivemos, a cidade que amamos, a básica ideia de democracia em que acreditamos parece estar pegando fogo e quem deveria servir e proteger aparenta ter interesses muito diferentes daqueles que seriam positivos para a população.

Torcida do Flamengo em Cariacica, no Kleber Andrade - Foto: Staff Images
Por outro lado - e esse é um lado em que vários de nós tentamos acreditar ainda que em momentos como esse se torne cada vez mais difícil -, o futebol não apenas é também uma plataforma em que podemos criticar e protestar diante dos absurdos que vivemos como uma das poucas coisas positivas que muitas vezes restam num contexto onde cada vez mais reina a violência e o absurdo. Ou seja, por mais que num momento como esse o esporte obviamente não venha a ser a prioridade nos pensamentos de ninguém, acompanhar o futebol é menos uma demonstração de qualquer tipo de despreocupação diante da tragédia óbvia ao redor de nós mas sim uma tentativa quase desesperada de achar alguma normalidade, algo que ainda funcione e traga algum alívio diante de um contexto em que tudo parece terrível e todos os sinais indicam que a tendência é apenas piorar.

Então falar das grandes defesas de Diego Alves, da boa partida de Éverton Ribeiro, dos surpreendentes dois gols de Geuvânio não é em hipótese alguma querer se alienar diante da situação que existe ao nosso redor, ainda mais numa rodada em que não apenas o Flamengo atuou de luto pela morte da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes como também nossos rivais, a exemplo do Vasco da Gama, se manifestaram quanto a mais essa tragédia que aconteceu nessa cidade que vem cada vez tendo mais dificuldades para sustentar o rótulo de maravilhosa.

Vencemos, goleamos, atuamos até com uma certa tranquilidade e, a despeito da repetição sistemática dos mesmo problemas que a equipe já vinha apresentando - laterais fracos na defesa e no apoio, um centroavante que até agora não se mostrou familiarizado com outra forma de fazer gols que não a cobrança de pênaltis , garantimos a classificação para as semifinais da Taça Rio.

Mas, ao mesmo tempo, não sendo essa uma coluna sobre política ou tendo eu qualquer pretensão de ser capaz de oferecer uma análise qualificada sobre o assunto, seria impossível ignorar que, enquanto o Flamengo vencia dentro de campo nesse domingo, o Rio de Janeiro e sua população seguem perdendo das mais diversas maneiras e Marielle era uma das pessoas que tentavam lutar contra isso.

O Rio de Janeiro e sua população seguem perdendo das mais diversas maneiras e Marielle era uma das pessoas que tentavam lutar contra isso.



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