Lomba pede desculpas por cobrança no Fla: "Ficaram chateados"

Foram dias difíceis, mas é olhar para frente, para o futuro, e fazer um Flamengo melhor ainda buscando vitórias e títulos.

GLOBO ESPORTE: O desabafo do vice-presidente de futebol Ricardo Lomba após a derrota para o Botafogo e eliminação no Campeonato Carioca foi a chave para mudanças no departamento de futebol do Flamengo. Porém, as duras palavras ecoaram no vestiário rubro-negro e causaram mal-estar. Neste sábado, o dirigente esteve no CT para se reunir com o grupo pela primeira vez desde a derrota contra o Botafogo.

O vice-presidente reconhece que a cobrança pública deixou os jogadores chateados, mas o assunto foi tratado internamente. Ele aponta "página virada" no clube.

- Esse tipo de cobrança não é do meu feitio. A gente aqui realmente nunca fez isso, uma cobrança pública. Mas as cobranças sempre aconteceram internamente. O que deixou os jogadores chateados, e acho que há uma dose de razão, é ter colocado publicamente uma cobrança que é interna nossa (...) Foram coisas que conversamos aqui, está tudo resolvido. Isso já é passado, vamos virar essa página.

Ricardo Lomba ao lado do Presidente do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
Ricardo Lomba atendeu a reportagem do GloboEsporte por telefone. Nos pouco mais de dez minutos de conversa, o dirigente também aparentou ter aparado arestas com o presidente Eduardo Bandeira de Mello, mas admitindo que divergências podem ocorrer. Ele segue em sua posição na gestão e afirmou que as mudanças já eram discutidas nos bastidores antes da queda no estadual.

Vale ressaltar, a postura de Lomba foi bem aceita por outros dirigentes na Gávea. O vice de futebol tem apoio de grupos políticos na Gávea. Esse cenário foi crucial para manutenção do alinhamento com Bandeira e do cargo no departamento.

Confira a entrevista na íntegra:

Ida ao CT neste sábado

- Foi ótimo, tudo certo, sem problema nenhum. Conversei com os jogadores, bola para frente. Vamos seguir essa caminhada para no próximos jogo estarmos prontos. Mas foi tudo muito bem mesmo.

Conversa com os jogadores após o desabafo

- Esse tipo de cobrança não é do meu feitio. A gente aqui realmente nunca fez isso, uma cobrança pública. Mas as cobranças sempre aconteceram internamente. O que deixou os jogadores chateados, e acho que há uma dose de razão, é ter colocado publicamente uma cobrança que é interna nossa. Gostaria de ressaltar que, como essa crítica que eu fiz, por outro lado já defendi demais esses jogadores, porque eu acredito neles, confio neles. Sei que trabalham com vontade, querem acertar, buscam o melhor.

- O termo utilizado, que acabou ficando muito latente, “os jogadores correram pouco”... Na verdade não é para fazer uma interpretação tão literal da minha fala. Claro que os jogadores correm bastante, treinam muito, se empenham... Talvez teria sido melhor colocado ali uma organização melhor do time em campo, que às vezes impõe até correr demais, mas correr errado. Foram coisas que conversamos aqui, está tudo resolvido. Isso já é passado, vamos virar essa página.

O sentido da expressão "correr menos"

- Não, claro que não (é uma questão de quilometragem). Eu prefiro enaltecer o quanto eu já falei em outras oportunidades que acredito nos jogadores, confio neles. Até mesmo porque se não acreditasse não faria sentido nenhum eu estar aqui como VP de futebol do Flamengo. Isso é página virada. Continuo acreditando, sei que se empenham. Vamos pensar em apresentar resultados melhores agora.

Da vitória no Equador à eliminação no Carioca: as mudanças no futebol

- Esse é um assunto que a gente vem tratando internamente há algum tempo. Lógico que resultados que não são positivos aumentaram nossas frustrações, mas não foi uma novidade. Estamos discutindo, construindo uma solução, buscando alternativas para solucionar problemas já identificados. Acabamos por adotar essas decisões que aconteceram nos últimos dias. Foram dias difíceis, mas é olhar para frente, para o futuro, e fazer um Flamengo melhor ainda buscando vitórias e títulos.

- Vinha sendo discutido, não foi uma coisa feita em função de um resultado. Isso seria, inclusive, muito pouco profissional, muito pouco inteligente da nossa parte. Vínhamos discutindo alguns problemas e acabamos por fazer o que todos viram, na expectativa de dar uma mudada no eixo e ver se a gente consegue melhores resultados.

Relação com Bandeira

- Divergências de ideias e opiniões vão ter sempre, devem existir para fomentar o debate e a gente crescer junto com isso. O presidente é uma pessoa querida, gosto muito dele. Não há absolutamente nenhum problema em relação a isso, podem todos ficar tranquilos, porque nossa relação é a melhor possível.

- A gente pode e deve divergir para que a gente amadureça. Eu também não sou fã de fazer cobrança pública, não é meu estilo. Por uma razão aconteceu, talvez era necessário naquele momento. Mas eu não acho que essa seja a melhor forma de cobrar também não, isso tem que ser interno. O que a gente precisa corrigir ninguém precisa ficar sabendo, a não ser nós que estamos aqui diretamente com o futebol.

Análise do planejamento da temporada

- Se a gente for fazer essa análise de agora para trás, nunca queremos contratar um treinador para ficar três meses. Não deu certo. Foi uma tentativa que não conseguiu alcançar o sucesso que a gente queria. Acho que reconhecemos isso a tempo ainda, conseguimos ainda no início do ano perceber o problema e vamos tentar corrigir daqui para frente. Agora, o problema não estava exatamente no treinador. É uma série de muitos fatores que percebemos e, para dar uma resposta melhor, a mudança do treinador fazia parte dessa engrenagem.

- (Os "outros fatores") são coisas que a gente consegue identificar bem aqui dentro, mas não acho que deva tornar público, até porque a solução é nossa, o problema é nossa, tratamos internamente.

Saída de Rodrigo Caetano

- Particularmente não falei com ele, mas espero em breve ter a oportunidade de falar, porque é um profissional que admiro demais, tenho muita confiança. Um camarada sensacional. Vivia e respirava o Flamengo 24h por dia, só tenho elogios ao Rodrigo, além de pessoalmente considerar um amigo. Fiz um grande amigo e espero poder conversar com ele.

Opção por Carlos Noval

- Ainda não tenho essa informação do diretor de futebol. Gosto muito (do Carlos Noval), conheço ele, sei que faz um excelente trabalho na base, mas a gente não tem essa informação ainda.

- Acredito (que esteja preparado). Acho que é um grande profissional, tanto que está no Flamengo há algum tempo e fazendo um belo trabalho na base. É um bom nome, mas ainda não finalizamos isso, não decidimos o nome a ser convidado a assumir. Vamos trabalhar na busca por esse nome e em breve todos saberão.

Perfil de treinador

- Com relação aos profissionais que vamos contratar estamos conversando, alinhando estratégias, mas ainda nada decidido.

Muito se falou de viés político no seu desabafo na quarta-feira. Como recebeu isso?

- Isso chega a ser uma agressão a mim. Não tenho nenhum viés político. Nada, zero. Claro que participo da vida política do Flamengo, sou conselheiro, estava como vice do conselho deliberativo. Vou sempre tentar fazer o melhor pelo Flamengo, mas quem falou ali foi o VP de futebol, o torcedor apaixonado, que estava frustrado com o resultado. Não tem absolutamente nenhum viés político. Esqueçam isso, não faz o menor sentido.

Arrependimento

- O arrependimento só passa da maneira como foi colocado publicamente. Era uma coisa a ser tratada internamente. Acredito nos jogadores, sei que correm e se dedicam, mas, enfim... Vamos tentar fazer uma limonada com esse limão.


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