Nossa luta no Equador não foi em vão

ESPN FC: Libertadores, fora de casa. Um trauma desse Flamengo dos ingressos caros, do estádio vazio, do sócio-torcedor que beneficia quem pode pagar mais. Da diretoria que desdenha do pobre, do preto. Um Flamengo sem identidade. Como o Rio de Janeiro, que de maravilhoso carrega a história, o passado. Hoje terra da bala perdida, dos governadores algemados, das milícias, dos servidores públicos que não recebem, do estado de calamidade pública, do cadáver vítima de furto. Terra de ninguém.

Dentro de toda essa negatividade, o Flamengo ainda é capaz de comover. Somos Flamengo; e se a mente duvida, a alma não desiste. Faz parte de nós acreditar. Nossa luta é para que o Flamengo chegue ao topo, não fique abaixo dos demais. É semelhante à de Marielle: mulher, negra, favelada. Morta em exercício para que mulheres, negros, favelados não fiquem abaixo de ninguém.

Jogadores do Flamengo comemorando gol contra o Emelec - Foto: Gilvan de Souza
Marielle era Flamengo. E enquanto assassinada, dentro de um carro, com quatro tiros na cabeça, o clube de seu coração estava em campo, no Equador. Pressionado, no começo, o Flamengo virou rei da partida. Poderia ter saído na frente – através de um pênalti –, não fosse o poder judiciário. Na Libertadores, apitando a favor dos que falam espanhol. No Brasil de Marielle, arbitrando para quem tem dinheiro, poder, pinta de primeiro-mundista.

Branco, filho de desembargadora, portando fuzil, pistola, munição e 130kg de droga é solto. Catador de lixo, negro, com um frasco de desinfetante e outro de água sanitária, é preso em flagrante.

Diego e Everton Ribeiro faziam boa partida. Se entendiam, trabalhavam a bola, abriam brechas na defesa do Emelec. Mas o Flamengo esbarrava num problema que dura anos: a dificuldade de definir. Sem Guerrero, que já perdia muitos gols, a diretoria trouxe Henrique Dourado, que desperdiça mais chances ainda. Não é trocando meia dúzia por 4 que se resolve um problema. Vide o Rio de Janeiro – de Marielle – que aceitou a proposta do Governo Federal e hoje passa por intervenção militar. Não serão a farda e o revólver os promotores da paz. Pelo contrário, eles podem acabar com a vida de um homem que saía da igreja, prender um inocente por quase 2 dias. A farda só fará bem se bem utilizada, assim como o Manto Sagrado. A camisa não marcará o gol se não houver alguém a vestindo que ponha a bola pra dentro.

O Flamengo encarava o gol como questão de tempo, o Emelec não. Na chance que teve, 1 a 0 Emelec. Marielle não vivia mais quando Paulo César Carpegiani botou Vinicius Júnior para jogar. Negro, favelado, ele não se pôs abaixo de ninguém. Dois lances, dois gols; virada do Flamengo em Guaiaquil.

Marielle não sorriu, não chorou, não se emocionou. Marielle Franco estava morta, assim como o motorista do carro alvo do ataque. No mínimo, 9 disparos. Nada roubado, nada furtado. Foi para matar. Que se descubra quem e por que matou.

Libertadores, fora de casa, e o nosso Flamengo venceu. Aos poucos, unidos, fortes, determinados, seremos capazes de derrubar o trauma. Avançaremos.

Nossa luta, no Equador, não terá sido em vão. Assim como a sua, aqui no Brasil, Marielle.

Negro, favelado, ele não se pôs abaixo de ninguém. Dois lances, dois gols; virada do Flamengo em Guaiaquil.


Postar um comentário

[facebook]

FlamengoResenha

{facebook#https://www.facebook.com/FlamengoSouRubroNegro} {twitter#https://twitter.com/FlamengoResenha} {google-plus#https://plus.google.com/u/0/107993712547525207446} {youtube#https://www.youtube.com/channel/UCiHkjDj2ljgIbiv_zUvdG6g/videos}

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget