O duvidoso custo-benefício do Flamengo

JORNAL DO BRASIL: Por Renato Maurício Prado

O grande problema desse time do Flamengo é que ele entrega muito menos do que promete. O investimento foi alto, chegaram jogadores de renome, mas bola que é bom, nada. Jogo após jogo, o rubro-negro continua devendo e, nem mesmo quando vence, consegue encher os olhos da torcida e da crítica. O empate com o River Plate, na estreia na Libertadores, foi apenas mais um capítulo dessa frustrante história, que no ano passado culminou com dois vice-campeonatos e um único título mixuruca, o do Carioquinha. Ah, houve também a vaga direta na principal competição das Américas, graças a um sexto (!!!) lugar no Brasileiro. Colocação comemorada em campo, com direito a foto com os dirigentes etc, numa das cenas mais constrangedoras da recente história do Mais Querido.

Foto: Gilvan de Souza
O chamado “setor de inteligência” do clube contrata aos montes, mas Pará continua na lateral-direita e o medíocre Renê agora foi efetivado na esquerda (com todos os problemas de marcação, Trauco é mil vezes melhor que ele). Desconfi o cada vez mais das cabeças que compõem esse núcleo, pois chega a ser assustador o número de contratações que se mostraram equivocadas. Isso sem falar na lerdeza para resolver qualquer coisa: vide a tragicômica novela “Rueda” e a improvisação de Carpegiani como treinador, quando ele fora contratado para ser gerente de futebol.

O que mais me incomoda na atual administração é o seu ar blasé, eternamente desconectado do sentimento da torcida. Historicamente, o Flamengo sempre foi um time guerreiro, ofensivo, lutador até o fim. A maioria dos atuais jogadores nem de longe encarna essa mística. Lucas Paquetá, por exemplo, tem a cara do clube: não é craque, mas luta os 90 minutos, como se estivesse disputando uma eterna fi nal de Copa do Mundo. Outros, como Éverton Ribeiro, dão a sensação de que estão ali para cumprir uma obrigação tediosa. Perder, ganhar, empatar? Tanto faz.

Jogador excepcional e técnico do time campeão da Libertadores, Paulo César Carpegiani assumiu com a ideia (positiva) de armar uma equipe ofensiva, com apenas um cabeça-de-área que sabe jogar (Cuellar). Inspirou-se, com certeza, no Flamengo de 81, que dirigiu com tanto sucesso. O problema é que não conta mais com Zico no meio-campo (Diego continua a ser um jogador lento e irregular); Pará e Renê, nem nascendo de novo poderão ser comparados a Leandro e Júnior; e Éverton Ribeiro não tem um milésimo da garra de Tita – isso para fi car apenas nos casos mais gritantes.

Na partida de estreia na Libertadores, diante do River, o treinador cometeu ainda um erro capital: ao substituir o extenuado Éverton, ao invés de colocar em campo Vinícius Jr., que poderia puxar os contra-ataques, optou por William Arão, numa estratégia covarde que chamou de vez o adversário para o ataque e terminou com o castigo do segundo gol de empate, impedindo o triunfo, que seria importantíssimo, na primeira rodada em casa.

Sem ritmo e sem sorte

Cruel, como de hábito, a torcida na internet já compara Diego Alves ao nada saudoso Alex Muralha. É verdade que ele falhou nos dois gols, mas nenhum deles pode ser considerado um frango e é obrigatório dar um bom desconto por conta de sua longa inatividade. Aliás, a contusão de Diego, na reta final da Sul-Americana, apenas reforçou outra impressão preocupante em relação à administração Bandeira de Mello: a falta de sorte. Basta ver quantos foram os problemas com jogadores importantes (Diego, Berrio, Diego Alves e Guerrero). E ainda teve o caso Conca. Que tal uma ida aos Capuchinhos, hein? São Judas Tadeu sozinho, coitado, não está dando conta.


Historicamente, o Flamengo sempre foi um time guerreiro, ofensivo, lutador até o fim. A maioria dos atuais jogadores nem de longe encarna essa mística

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