O Flamengo não pode se apequenar

REPÚBLICA PAZ E AMOR: Péssimo e justíssimo resultado. O Flamengo, para a surpresa de ninguém, deu outro mole clássico e saiu com apenas um mísero ponto no seu jogo em casa contra o time teoricamente mais cascudo do grupo. O pior não foi nem o resultado. Pior foi ver destruída, espatifada, logo na estreia, minha preciosa coleção de delírios de grandeza rubro-negra e inconteste protagonismo continental novinhos, praticamente sem uso. Sofri, mas caminhei sereno até a área de serviço, de onde retornei munido de pá e vassoura para sumir com os cacos que se espalharam pelo chão da sala. Os sonhos e delírios foram todos parar no lixo da cozinha. Preciso providenciar outros o mais rápido possível.

O time do Flamengo está tão longe de ser um time que ao menos deixe dúvidas quanto as suas possibilidades matemáticas de vencer novamente a Libertadores quanto eu estou longe de receber o Oscar de Maquiagem. Talvez até um pouco mais longe, porque que eu, às vezes, uso sabonete pra lavar o rosto. Nem é um hábito que eu cultive com muita frequência, mas tem mais conexão com a próxima premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em março do que esse time do Flamengo tem com a premiação da Conmebol em dezembro.

Everton em Flamengo x River Plate - Foto: Gilvan de Souza
Vamos logo à parte dolorosa, o comentário sobre o jogo. Serei breve. Começamos com o time que teoricamente era composto pelo que de melhor havia no estoque. Com nosso goleiro chama-gol voltando de contusão, nossos laterais meia-boca e uma zaga quase provecta, sem muita explosão e quase nenhuma velocidade. Meio campo sem nenhum brilho formado por um destruidor, um moleque cheio de gás e nenhuma experiência em Libertadores e nossos dois bezerros de ouro, adorados pelos ímpios ao pé do Monte Sinai, incapazes de concluir ou dar continuidade às jogadas de ataque. Onde Everton, responsável pelo departamento de correria e Dourado, com a incumbência de sacudir o filó, só recebem cocos e tijolos.

Carpegiani estava até com alguma moral antes do jogo começar. Moral adquirida em 1981, modelo antigo, mas ainda em bom estado de conservação. Mas bastou que a bola rolasse para que todos percebessem a Olarização do Flamengo sob a sua batuta, com todo o respeito ao Azulão da Leopoldina. O Fla jogava recuado, e com medinho, entrando com pé mole nas bolas, ralentando a transição da defesa pro ataque, agredindo muito menos do que se espera de um time mandante. Mas foi na hora em que começou a mexer no time e a dar vazão à sua criatividade que Carpegiani se mostrou por inteiro.

É um conformado! Rômulo e Arão em campo pra segurar resultado enquanto Vinicius Jr alisava o banco de reservas? Só pode estar maluco. Bastou a entrada dos dois populares esportistas para que a rala vantagem no placar se desmaterializasse. A postura do time era a mais anti-Flamengo possível. Não quero tocar o terror psicológico, meus amigos, mas prevejo uma permanência muito breve de Carpegiani no cargo se continuar botando o Flamengo pra jogar miúdo desse jeito. O Flamengo jogando em casa, mesmo que seja uma casa de má reputação como a que o Foguinho nos subloca, não pode se apequenar jamais. Os adversários percebem logo os tremores e o nervosismo causados pela covardia tática e se aproveitam.

Bueno, o River, visitante ocupando o 38ª lugar no campeonato argentino, se aproveitou. Não deixaram nossos caras jogarem. Os argentinos foram mais eficientes no desarme, ganharam mais divididas, mais jogadas pelo alto, mais esbarrões não intencionais, falaram mais alto, intimidaram mais ao árbitro e fizeram um lindo gol roubado. Pra culminar a ofensa ainda foram beneficiados com um dos maiores pênaltis não marcados da história da Libertadores da América.

E ainda assim provavelmente voltarão meio putos para Buenos Aires, porque se o juiz peruano (tecnicamente horroroso e não poderia nem ter sido escalado por ser parte interessada em que o Flamengo saia logo da Liberta para que o Guerrero se cuide até a Copa sem colocar as canelas em risco) desse mais 2 minutinhos de acréscimo o Flamengo parecia muito disposto a entregar a paçoca. Se não fosse muito além do nível aceitável de canalhice eu poderia até comemorar esse empate. Mentira! Não dá pra comemorar nada desse empate em casa. Foi uma vergonha.

Ano passado, ganhando todas em casa, a Libertadores já foi traumática. Imagina esse ano com esse empate safado? Vamos ter que parir dois filhos por jogo. O Flamengo tem duas semanas para virar homem. Não será tarefa das mais fáceis jogando contra Foguinho, Boavista e Macaé no carioqueta. Sim, eu desconfio que esse negócio de poupar o time titular no rural pode ter deixado os caras excessivamente lânguidos. Quem sabe um pouco de tiro, porrada e bomba, que é quase tudo que o Carioqueta tem a oferecer, não engrossa o couro dos cabras e incute alguma vontade de vencer nessa gente?

Sei que tal decisão contraria frontalmente umas duzentas regras do livro Como Priorizar a Libertadores, minha atual leitura de cabeceira, é uma tremenda incoerência. Não sei vocês, mas eu prefiro ser Bi Campeão da Libertadores do que ser coerente. Se um método de trabalho não tá dando certo, e nós vimos que o atual não tá dando, tem que partir pra outro, e rápido. Já tá todo mundo pago mesmo. Tem que trabalhar. Mesmo que seja no Carioca. Fumado sem tragar ele não causa muitos danos. Não podemos cair no mesmo erro de 2017, onde os chefes assistiram de camarote à mozarela ser flambada sem dar uma porrada na mesa e mudar o rumo das coisas. Ainda mais quando tudo indica que serão necessárias diversas façanhas para que o Flamengo não passe outra vez por uma vergonha continental.

Vagabundo tem que trabalhar. Trabalhar duro e muito. Com inovação. E com tesão. O Flamengo de pau mole não é o Flamengo. Ontem o time provou que é fraco para a meta a que se propôs. E que sem a torcida pra empurrar no grito fica mais fraco ainda.

Mengão Sempre

ARTHUR MUHLENBERG

Ontem o time provou que é fraco para a meta a que se propôs. E que sem a torcida pra empurrar no grito fica mais fraco ainda.

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