O futebol atropelou o sucesso da gestão no Flamengo.

COSME RIMOLI: Dorival Junior, Jorginho, Mano Menezes, Jayme, Ney Franco, Vanderlei Luxemburgo, Cristóvão, Oswaldo de Oliveira, Muricy Ramalho, Zé Ricardo, Reinaldo Rueda e Paulo César Carpegiani.

12 treinadores dos mais diferentes perfis e filosofias.

Oito foram demitidos. Rueda foi comandar o Chile. O ex-jogador Jayme era interino e voltou a ser interino. Muricy desistiu da carreira de técnico para cuidar da saúde. Mano Menezes pagou multa para ir embora, desgastado com elenco.

De 2013 até hoje, 30 de março de 2018, o Flamengo disputou 22 competições.

Foto: Divulgação
2013 foi campeão da Copa do Brasil, 16º no Campeonato Brasileiro e vice carioca. Em 2014, campeão carioca, 10º no Campeonato Brasileiro, semifinalista da Copa do Brasil, foi eliminado na fase de grupos da Libertadores.

Em 2015, semifinalista do Campeonato Carioca, 12º no Brasileiro, caiu nas quartas de final da Copa do Brasil. 2016, terceiro no Brasileiro, caiu na terceira fase da Copa do Brasil, nas oitavas da Sul-Americana, semifinal da Primeira Liga, semifinal do Carioca.

2017. Campeão Carioca. Vice da Copa do Brasil. Vice da Sul-Americana, sexto no Brasileiro, caiu na fase de grupos da Libertadores. Eliminado nas quartas de final da Primeira Liga.

2018. Eliminado na semifinal do Campeonato Carioca.

22 competições. Três títulos: dois Cariocas e uma Copa do Brasil.

Dentro do campo a atuação do Flamengo, clube mais popular do país, foi um enorme fracasso.

Dívidas do Flamengo em 2012, R$ 750 milhões. Para cada real que faturava, o clube gastava R$ 3,60.

Dívida do Flamengo em 2018, R$ 350 milhões. Para cada real que fatura, gasta R$ 0,40.

Foi o clube que mais faturou não só no Brasil, mas na América Latina, em 2017.

R$ 633 milhões.

"O crescimento de 24% em relação a 2016. Por conta da venda de Vinicius Junior as receitas com transferências atingiram R$ 198 milhões e sem as transferências a receita foi de R$ 435 milhões. Já os custos com futebol atingiram R$ 350 milhões, fechou o ano passado com superávits de R$ 155 milhões e Patrimônio Liquido positivo, depois de décadas", escreveu Amir Somoggi, especialista em finanças de clubes esportivos.

O responsável por tudo isso é Eduardo Bandeira de Mello. Administrador por 35 anos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde foi chefe do Departamento do Meio Ambiente. Sua gestão no Flamengo foi apontada como inovadora, "exemplo para o Brasil", em análise feita pelo jornal norte-americano The New York Times.

Tem convite da presidenciável Marina Silva para disputar um cargo eletivo pelo partido Rede. O dirigente está muito tentado a aceitar, tamanha sua popularidade. E até porque não poderá se reeleger, sairá da Gávea no final deste ano, ao final do segundo triênio.

Esta tem sido a vida de Bandeira de Mello como presidente do Flamengo. Um sucesso como administrador financeiro. Sem rumo, incoerente e com resultados pífios, frustrantes no futebol.

A saga continua. E ontem viveu um dos seus momentos mais constrangedores. Com o festival de demissões no futebol. Paulo César Carpegiani, seu filho e auxiliar, Rodrigo Carpegiani;  o executivo Rodrigo Caetano;  o auxiliar Jayme; o gerente, ex-jogador Mozer; e o preparador físico Marcelo Martorelli Fonseca.

Carpegiani ficou três meses no cargo. E foi traído, porque aceitou convite para ser coordenador técnico. Mas acabou convencido a treinar o time, com a saída de Reinaldo Rueda. O acordo verbal com a diretoria previa: se não desse certo, largaria o time e voltaria à função de coordenador. O treinador que fez o Flamengo campeão da Libertadores e Mundial foi despachado sem dó do clube.

A eliminação do Campeonato Carioca, para o Botafogo, clube com dívidas assumidas de R$ 740 milhões, e elenco limitado, foi a gota d'água.

O grupo político que sustenta Bandeiro de Mello percebeu que era necessária uma revolução no futebol. Porque há o grande risco de todo trabalho brilhante na gestão do clube pode naufragar, empanado pelo fracasso, pela frustração dentro de campo.

Márcio Braga, dono de quatro mandatos e tetracampeão brasileiro, se articula. Quer voltar ao poder e está se aproveitando de cada derrota do time para convencer a oposição da necessidade de se reunir em uma chapa para tirar o grupo de Bandeira de Mello.

"O Flamengo tem como objetivo, está la no seu artigo 2º, a prática do remo e futebol. São as atividades-fim do Flamengo. Essa diretoria foi um desastre tanto no remo quanto no futebol. Conseguiram fazer arrecadação enorme, que não é fruto só do trabalho deles. Tiveram felicidade de pegar arrecadação no pico.

"O orçamento do clube é de R$ 600 milhões, maior do que o orçamento da CBF para o no futebol. Eles não ganham nada, não têm correspondido no futebol e nem as contratações têm respondido.

"A situação deles é muito ruim, isso implica dizer que dificilmente vão ter condições de eleger um sucessor do Eduardo. Eduardo não passou de um laranja do grupo deles. Como não passou um (Wallim Vasconcellos foi impugnado em 2013), ele virou o candidato. O Flamengo tem muitos bons nomes para presidi-lo. Não podemos permitir que haja desarticulação da oposição e deixar que coloquem um novo laranja. Precisamos começar a articular a oposição para participar da oposição. Não podemos deixar racha. Precisamos de um candidato único para a eleição.

"O momento é horrível. Há muito tempo. O presidente é incompetente e pé frio. Pé frio! Eu estou no Flamengo há 40 anos. Eu sei o que é um pé frio. Tudo está errado com ele. Fica acumulando vice-presidentes e não acerta. Não tem sorte. Eles gastam, gastam, gastam. Compram, compram e compram. E nada. O presidente tem que se recolher à insignificância dele."

Este é o discurso de Braga, que chegou a apoiar Bandeira de Mello, mas aos 81 anos, deseja voltar a comandar o Flamengo. Ele falou à Globo, no ano passado.

Com o fracasso no Carioca, o vice de futebol Ricardo Lomba ganhou carta branca para despachar Carpegianni, Rodrigo Caetano, Jayme e Mozer.

O desejo de Lomba é buscar um nome de respeito nacional.

Há dois nomes que ele sonha para comandar o clube desde já.

E bem difíceis.

Luiz Felipe Scolari ou Cuca.

A prioridade de Felipão é o futebol internacional. Não conseguiu o que queria, comandar uma seleção na Copa da Rússia. Há sondagens de times chineses. Milionário, ele não tem pressa. Além disso, garantiu publicamente que não voltaria a trabalhar no Brasil, depois de sua demissão do Grêmio, logo após o vexame da Copa do Mundo de 2014, com direito ao 7 a 1 da Alemanha.

Cuca tem contrato com a Globo para comentar a Copa da Rússia. Ele já cortou na raiz o interesse do Atlético Mineiro, do Internacional, do Fluminense. Garantiu que gostaria de trabalhar só a partir do segundo semeste.

Jorge Luis Pinto, colombiano à frente da Seleção de Hondura, e o argentino Ariel Holan, comandante do Independente, já são especulados.

Enquanto isso, conselheiros da oposição garantem que surpreenderão nas eleições. Garantindo Renato Gaúcho na Gávea, em 2019.

Ou seja, o futebol atropelou o sucesso da gestão no Flamengo...

Há dois nomes que ele sonha para comandar o clube desde já. E bem difíceis. Luiz Felipe Scolari ou Cuca.


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