Time do Flamengo que enfrentou o River não havia jogado junto

Dos dez jogos até aqui em 2018, a escalação mais próxima da usada contra o River foi frente ao Botafogo, na semifinal da Taça Guanabara.

EXTRA GLOBO: O plano do Flamengo era poupar, treinar e focar na Libertadores. A estreia frustrante diante do River Plate provou, no entanto, que a equipe principal precisava ter jogado mais vezes. O técnico Carpegiani atribuiu o empate ao cansaço de alguns jogadores e ao conjunto pouco afinado. Chegou a lamentar não usar alguns atletas no Fla-Flu devido a viagem para Cuiabá, e colocou um ponto de interrogação no planejamento. O que pode fazê-lo mudar de ideia e ter força máxima contra o Botafogo, amanhã, pela Taça Rio.

Os dados sobre os titulares mostram que houve até um equilíbrio de atuações desde a reapresentação, dia 14 de janeiro. O que não houve foi repetição do time. Sobretudo para azeitar a formação sem Cuellar, suspenso. Dos dez jogos até aqui em 2018, a escalação mais próxima da usada contra o River foi frente ao Botafogo, na semifinal da Taça Guanabara. Na ocasião, Cesar e Cuéllar ainda jogaram. A maioria dos titulares também entrou diante de Madureira e Nova Iguaçu, apenas.

Everton e Jefferson em Flamengo x Botafogo - Foto: Gilvan de Souza
No mais, formações alternativas foram lançadas com o objetivo de preservar as principais peças em pré-temporada. Tirando Renê, com oito jogos, Paquetá e Jonas, com sete, e Everton Ribeiro, com seis, nenhum titular fez mais da metade das partidas. Os que menos jogaram foram Diego Alves e Juan, três partidas. Rever e Dourado atuaram em quatro. Everton, que saiu por cansaço, em cinco, assim como Pará e Diego.

Questionado se a estratégia de preservar os principais atletas era realmente a correta, o médico do Flamengo, Márcio Tannure, sustentou que a ideia era sim dar tempo de treino na pré-temporada aos jogadores que se apresentaram depois. E que, por isso, a performance ideal só será alcançada depois de mais alguns jogos.

- Não foi o fato de terem chegado mais tarde, e sim que todo atleta requer um tempo para chegar no ápice de performance. Este índice demora de três a quatro meses para ser alcançado após o início da temporada. Então, claro que eles não se encontram ainda no melhor de suas performances, no ápice - avaliou o chefe do Centro de Excelência em Performance.

Tannure, contudo, garante que o nível físico dos jogadores é bom. As saídas de Everton e Jonas cansaram foram consideradas circunstanciais, pois a dupla normalmente se desdobra mais em campo. O ritmo e jogo, ele admite, requer mais partidas realmente.

- Demora um pouco para chegar na curva máxima de performance. E não foram poupados em muitos jogos, como dizem. Estavam em pré-temporada ainda, justamente por terem se apresentado depois e, por isso, não jogaram o início do Estadual. Única partida em que foram poupados foi contra o Fluminense - reforçou o médico.

Lição fora de casa

Com o empate na estreia diante do River Plate, o Flamengo precisa fazer o que não conseguiu ano passado: vencer fora de casa na Libertadores. Foram três derrotas na fase de grupo, contra Universidad Católica, Atlético-PR e San Lorenzo. O time volta a campo pela competição no dia 14 de março, contra o Emelec, em Guayaquil.

- Um time que se preza como Flamengo, jogar dentro ou fora de casa, não pesa. Vamos enfrentar o Emelec com a obrigação de ganhar - avisou Carpegiani.

Em seguida, o Rubro-negro enfrenta o Santa Fé, dia 18 de abril, no Rio, com portões fechados. Na sequência, pega o time colombiano, fora de casa, na semana seguinte.

A quarta rodada será diante do Emelec, provavelmente no Maracanã, somente em maio. O último jogo da fase de grupos será contra o River Plate, em Buenos Aires, no dia 25.

- Estou confiante. Sabemos das dificuldades, das equipes capacitadas, mas estamos preparados para buscar o jogo. Ano passado apesar de não termos conseguido, houve bons momentos jogando fora de casa. Tem que permanecer o que foi feito de bom. E corrigir. Vamos busca a vitória em qualquer lugar que jogarmos - projetou Diego.

Na Argentina, repercutiu a frase do atacante Lucas Pratto, de que o Flamengo era um time sem pegada. Vai precisar provar o contrário.

Confira as respostas do médico do clube na íntegra sobre a preparação do time em 2018:

O atraso no início da pré-temporada impediu que o time chegasse em plenas condições físicas na estreia da Libertadores mesmo com a maioria dos atletas poupados em vários jogos?

Márcio Tannure: Não foi o fato de terem chegado mais tarde, e sim que todo atleta requer um tempo para chegar no ápice de performance. Este índice demora de três a quatro meses para ser alcançado após o início da temporada. Então, claro que eles não se encontram ainda no melhor de suas performances, no ápice. No entanto, dentro do período curto que tiveram de treinamento, julgamos que estão muito bem. Demora um pouco para chegar na curva máxima de performance. E não foram poupados em muitos jogos, como você disse. Estavam em pré-temporada ainda, justamente por terem se apresentado depois e, por isso, não jogaram o início do Estadual. Única partida em que foram poupados foi contra o Fluminense.

O planejamento de rodizio tem por objetivo dar mais descanso e treinamento aos jogadores ou seria ideal realmente que jogassem mais partidas?

Márcio Tannure: Na verdade esse planejamento não é pelo simples fato de dar descanso, até porque permanecem treinando em alta intensidade. Muitas das vezes é para que possam treinar mais. A carga de treinamentos é muito maior quando não está em período de jogo, logo é um mito achar que poupar estará dando uma menor preparação ao atleta. Por exemplo, se você jogar no domingo, segunda-feira será treino regenerativo. E se jogar na quarta, na mesma semana, o trabalho de terça será de véspera de jogo, ou seja, que não pode ser com uma carga muito elevada. E na quinta-feira novamente será um treino regenerativo e, na sexta-feira, um treino com carga mais elevada, isso se não jogar no sábado. Então são vários fatores que influenciam no planejamento semanal. Portanto, ao poupar um grupo de um jogo no meio de semana, conseguimos aumentar a carga a partir de terça, por três dias seguidos, e começar a reduzir um pouco na sexta para o jogo de domingo. Sendo assim, esse rodízio funciona não para um descanso, mas sim para que os atletas possam treinar mais. Não podemos esquecer que a temporada para eles está só no início. Ainda há muito o que ser feito.


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