Campeonato Brasileiro começa com promessa de equilíbrio

O clube ainda procura por um técnico. O ano do Flamengo tem como objetivos principais o Brasileiro e a Libertadores — um título nacional ou internacional de expressão é a meta.

O GLOBO: O clássico entre Cruzeiro e Grêmio abre neste sábado, às 16h, mais uma edição do Campeonato Brasileiro. Com os 12 clubes de maior expressão presentes, o Brasileirão tem tudo para ser um dos mais equilibrados dos últimos tempos.

O Corinthians é o atual campeão, enquanto América-MG, Internacional, Ceará e Paraná são os clubes que retornam à elite após terem disputado a Série B na temporada passada.

Confira nos capítulos abaixo tudo sobre o Brasileiro 2018.

Foto: Divulgação
FLAMENGO: UM GRANDE TÍTULO PARA CHAMAR DE SEU

Ao comparar a saúde financeira dos clubes e seus elencos no papel, é difícil não pôr o Flamengo como um dos candidatos ao título brasileiro mais uma vez. Apesar da estrutura de trabalho, com ciência e tecnologia de ponta no tratamento e prevenção de lesões, e um orçamento de quase R$ 477 milhões, o encaixe do time em campo será o principal desafio rubro-negro este ano. A missão, por enquanto, caberá ao auxiliar Mauricio Barbieri, interino que assumiu o time após a demissão de Paulo César Carpegiani. O clube ainda procura por um técnico.

O ano do Flamengo tem como objetivos principais o Brasileiro e a Libertadores — um título nacional ou internacional de expressão é a meta. A queda no Carioca, no entanto, levou a mudanças drásticas no futebol, com a saída do diretor Rodrigo Caetano e de outros profissionais.

O que não se trocou até agora foi o elenco. Tido como dos mais qualificados do país, o grupo do Flamengo não tem correspondido em campo. Passaram pelo comando técnico, desde o último Brasileiro, nomes como Zé Ricardo, Reinaldo Rueda e Carpegiani. Nenhum conseguiu fazer o time jogar o esperado. Cobrados, os atletas mantêm o comportamento profissional, mas não conseguem dar o tal salto de qualidade.

E Brasileiro é regularidade. Em 2017, com alta expectativa, o Flamengo não conseguiu brigar no topo e terminou na sexta colocação. A vaga na Libertadores foi obtida nos últimos minutos contra o Vitória, exatamente o adversário de estreia deste ano. No elenco, pouca coisa mudou. Saíram Márcio Araújo, Alex Muralha e Gabriel, e chegaram apenas Henrique Dourado e Marlos Moreno. E os destaques da equipe neste ano, até agora, são os jovens Lucas Paquetá e Vinícius Júnior.

Ser ano eleitoral é um complicador no dia a dia rubro-negro. Reconhecido por ter saneado as finanças do clube, o presidente, Eduardo Bandeira de Mello, precisa de um título de peso para marcar seu duplo mandato. Ele é acusado por dividir o poder decisório apenas com o diretor-geral Fred Luz. À medida que a agitação eleitoral aumentar, as cobranças sobre o time devem se tornar mais intensas se as vitória não vierem.

Mas há outras pendências. Suspenso por doping, Guerrero será liberado para jogar no dia 3 de maio, mas dois dias depois será julgado na Corte Arbitral do Esporte. Vinícius Júnior fará 18 anos em julho e terá de decidir se irá para o Real Madrid ou se ficará até o fim do ano no Flamengo. A permanência do jovem por mais alguns meses seria bem-vinda para o clube.

BOTAFOGO: PELO POTE DE OURO AO FIM DO CAMPEONATO

A campanha na Libertadores na temporada passada foi um momento de grande cumplicidade entre clube e torcedores. Nos sete jogos que fez em casa, no Nilton Santos, a média de pagantes foi de 30.689 pessoas. E não é segredo para ninguém: o grande objetivo do Botafogo no Campeonato Brasileiro deste ano é voltar à principal competição da América do Sul em 2019.

Eliminado nas quartas de final para o Grêmio, que depois se consagraria campeão, o Botafogo deixou a vaga para disputar novamente a competição escapar na última rodada do Brasileirão passado, ao empatar com o Cruzeiro em 2 a 2. Para não cometer o mesmo erro, o alvinegro pode se beneficiar de uma jornada menos atribulada. Como a Copa do Brasil ficou para trás logo na primeira fase, o time só disputa a Sul-Americana além da primeira divisão nacional.

— Estávamos desacreditados no Carioca e vencemos. Chegamos da mesma forma agora no Brasileiro... quem sabe não surpreendemos de novo? Queremos muito voltar à Libertadores — comentou o presidente alvinegro Nelson Mufarrej, que traçou a volta à competição como objetivo desde sua campanha para gerir o Botafogo, no fim do ano passado.

Depois de um começo de ano turbulento, a chegada de Alberto Valentim e alguns reforços pontuais, como o lateral-esquerdo Moisés, ajudaram o time a entrar nos eixos e apresentar um conjunto mais organizado dentro de campo. A premiação foi a conquista do Estadual. Com um time que se mostrou decisivo em duelos de mata-mata na reta final do campeonato, a missão será mais difícil no Brasileiro, em que a regularidade costuma a ser recompensada.

Para os botafoguenses supersticiosos, o primeiro troféu do ano pode representar o início de um ano frutífero. Em 2013, quando o time também venceu o Estadual, conseguiu se classificar para a Libertadores com o quarto lugar, que dava direito a última vaga na época. Com o aumento do número de times na competição, o Brasileirão do ano passado distribuiu vagas até o oitavo colocado.

Do elenco do Carioca, dois reforços já estão confirmados. O volante Jean, do Corinthians, que atuou pelo Vasco na temporada passada, foi anunciado esta semana e chega por empréstimo. A outra contratação é Rodrigo Aguirre. O uruguaio está no Rio desde a metade de março e se encontra na fase final da preparação para entrar em campo. Com status de titular, o atacante tem sua estreia projetada para a terceira rodada, no Nilton Santos, contra o Grêmio.

FLUMINENSE: TRICOLOR SE RECONSTRÓI PARA ARRISCAR

Não é a forma ideal de se começar. Mas, por conta de suas limitações financeiras, o Fluminense dá o pontapé inicial no Brasileiro ainda em processo de remontagem. O tricolor, que se desfez de mais de duas dezenas de jogadores no fim de 2017, ainda está atrás de peças de reposição. Inclusive para a equipe titular. Enquanto espera pela formação ideal, a torcida — e a diretoria — torcem para que a estratégia não prejudique a caminhada do time no campeonato.

Ao todo, 24 jogadores saíram. É mais do que dois times de futebol. Alguns já não estavam nos planos do clube e vinham de uma sequência de empréstimos. Mas a maior parte (17) é formada por atletas que ajudaram na disputa do último Brasileiro. Entre eles, titulares absolutos como o zagueiro e então capitão Henrique, que obteve a rescisão na Justiça, e o artilheiro Henrique Dourado, negociado com o Flamengo.

Há ainda Gustavo Scarpa, um caso à parte. Depois de assinar com o Palmeiras, teve a transferência invalidada e voltou a pertencer ao Fluminense. Mas o meia não frequenta mais o clube e busca a rescisão nos tribunais em razão de atrasos no salário e nos direitos de imagem e do não recolhimento de parcelas do FGTS. A audiência que decidirá o processo será amanhã.

Como o objetivo é reduzir a folha salarial, o número de contratados é bem menor. Foram sete até agora. Entre eles, o lateral Gilberto e o volante Jadson, titulares desde o início do ano. Pelos planos da diretoria, no máximo mais quatro chegarão. Um dos nomes já conhecidos é o de Kleber Gladiador, em vias de ser anunciado e que surge para dar mais experiência ao ataque, hoje formado pelos jovens Marcos Júnior e Pedro.

Apesar do cenário, os tricolores têm motivos para apostar no Fluminense. A equipe vem de trajetória ascendente no Estadual, onde emplacou o artilheiro (Pedro, com sete gols) e cinco nomes na seleção do campeonato (Júlio César, Gum, Ayrton Lucas e Marcos Júnior, além do próprio Pedro).

— Este ano o Fluminense tem jogado mal? Não. Se reparar, nestes últimos jogos decisivos não tínhamos perdido nenhum clássico até a semifinal (do Estadual, contra o Vasco). E a equipe é a mesma. Então, a gente começa a fazer um comparativo com o ano passado. Não surgindo um número elevado de lesões, podemos fazer coisas mais positivas e interessantes do que em 2017 — comentou Abel.

VASCO: TESTE DE FOGO PARA FORÇA DO ELENCO

Se tudo der certo para o Vasco, a temporada deste ano será uma das sacrificantes. Pela primeira vez, o clube terá a chance de se dividir em três competições das quais não poderá abrir mão: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. Será o maior teste possível para o elenco comandado por Zé Ricardo.

A partir do fim deste mês, a equipe de São Januário terá de se preocupar em começar bem a Série A, classificar-se para as oitavas de final da Libertadores e estrear bem na Copa do Brasil, já nas oitavas. Ficará entre a cruz e a espada: as competições de mata-mata são as que oferecem maior chance de conquista de título em 2018. Por outro lado, a maratona dos pontos corridos e a experiência prévia do Vasco mostram que, para ter um ano sem sustos, é fundamental começar pontuando no Brasileirão logo nas primeiras rodadas.

A perda do título estadual para o Botafogo, na decisão por pênaltis, pode aumentar a pressão em São Januário por uma volta olímpica, o que teoricamente faz da Copa do Brasil a menina dos olhos para o restante da temporada; a competição é curta e, teoricamente, mais fácil que a Libertadores.

Para o técnico Zé Ricardo, fica o desafio de administrar elenco, lesões e contratações pontuais que a diretoria deverá fazer no intervalo da Copa do Mundo. Até agora, o treinador já utilizou muitos jogadores do elenco, 33 para ser mais exato, mas talvez o mais importante ficará fora por quatro meses. Paulinho, em recuperação da cirurgia no cotovelo esquerdo, só poderá fazer sua estreia no Brasileirão, na melhor das hipóteses, contra o São Paulo, na 17ª rodada — quando já terá perdido praticamente um turno inteiro da Série A. Isso se não for negociado na janela de transferências do meio do ano.

— Acho que nossos reforços estão dentro do Vasco. Breno, Ramon, Kelvin, Marcelo Mattos, Paulinho, Rildo e Giovanni (Augusto) — listou o técnico Zé Ricardo, depois da derrota para o Botafogo. — Todo clube grande busca opções, mas, antes de qualquer análise de mercado, vamos dar bastante força ao nosso grupo.

Depois da campanha cheia de altos e baixos no Brasileiro de 2017, em que flertou com a zona de rebaixamento e reagiu para conquistar uma vaga na Libertadores, a expectativa é de um desempenho com menos oscilação. Pelo menos até onde o elenco aguentar o ritmo forte nas três frentes exigentes que despontam no horizonte.

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