Esse Flamengo deu errado

ESPN FC: Por Marcos Almeida

Quinta-feira, 19 de abril de 2018. 3 jogos disputados pela Libertadores, 1 pelo Campeonato Brasileiro, e o Flamengo ainda não tem técnico para a temporada. Não é uma crítica a Maurício Barbieri. É que, de fato, quase 4 meses se passaram, no ano, e a diretoria não contratou alguém para o cargo de treinador. O diretor de futebol é marinheiro de primeira viagem no oceano, o presidente está cada vez mais isolado, e o raivoso VP de outrora, desta feita não apareceu cuspindo cobras e lagartos. Talvez faça sentido. Passar vergonha na Libertadores se tornou algo comum.

Ainda não estamos eliminados, existe a possibilidade de superarmos o trauma da fase de grupos. Mas, convenhamos: não seremos campeões. Não seremos campeões por torcermos por esse Flamengo. E esse Flamengo deu errado.

Time do Flamengo tirando foto com a torcida - Foto: André Mourão
O Flamengo que paga fortunas a ídolos de outros clubes, que não cobra evolução de desempenho, que aceita as coisas do jeito que elas estão. Ano a ano o trabalho é repetido, seguindo os mesmos erros, colhendo os mesmos fracassos, mantendo o mesmo discurso.

O grande problema do Flamengo está na crença de seu presidente. Eduardo Bandeira de Mello acredita, demasiadamente, no projeto de que o dinheiro – e apenas o dinheiro – colocará o clube no topo. Vexame nenhum é capaz de fazê-lo mudar de ideia. Assim, segue aguardando pelo dia em que, sem grandes esforços, o excludente Flamengo se tornará o time mais forte do Hemisfério Sul. Esse dia não chegará.

Inegavelmente, Bandeira fez coisas boas no Flamengo. Reestruturou o clube administrativamente, sanou dívidas, arrecadou patrocínio, arrendou um estádio, reformou e inaugurou o Centro de Treinamento. Mas ele não entende de futebol.

Graças à gestão Bandeira, o Flamengo subiu de patamar no futebol brasileiro. Principalmente quando a diretoria trouxe Diego. Antes de sua chegada, estávamos no meio da tabela. Depois, tornamo-nos postulantes ao título. Aos títulos. Conquistamos apenas um: o modorrento Estadual de 2017.

De candidato a ídolo, o camisa 10 de Gávea se tornou o reflexo desse Flamengo fracassado de hoje. Diego é a figura de Eduardo Bandeira de Mello em campo. Gel no cabelo, centro das atenções, insiste nos mesmos erros. Trafega pelo campo inteiro, parece ser obrigatório que a bola passe por seus pés. E aí ele segura, gira, roda, prende, cava a falta, cava outra falta. Às vezes perde a posse e o Flamengo leva o gol, como contra a Universidad Catolica no ano passado, como contra o Santa Fe ontem. Diego também decide a favor, mas em jogos de “grau 2” de importância. O cara que encerrou o jejum contra o Vasco, garantiu vitórias sobre a Chapecoense, marcou o gol da classificação à final da Copa do Brasil; é o cara que perdeu o pênalti na decisão. Errou também a cobrança contra o Palmeiras, sumiu na reta final da Sul-Americana, desperdiçou um gol na cara ante o líder Corinthians, na casa deles; como fez ontem, na nossa casa, quando ainda estava 0x0 com o Santa Fe.

Com Diego, o Flamengo até vence, mas não ganha. E aí ele deixa o gramado destilando o único discurso que tem: “Não foi o que queríamos, estamos insatisfeitos, mas passou. Agora é partir pra próxima, levantar a cabeça. Sabemos de nossa qualidade.”

Não são aspas reais, poderiam ser. Tanto de Diego quanto de Eduardo Bandeira de Mello. De uma cobrança de pênalti convertida pelo jogador, no último suspiro, saiu a classificação direta à fase de grupos da Libertadores 2018. Esse Flamengo celebrou, fez festa. Tirou foto de campeão, na Bahia, três dias antes de o Independiente tirar foto de campeão no Maracanã, erguendo a Copa Sul-Americana.

A celebração do sexto lugar é a cara desse Flamengo que deu errado. Flamengo que fecha um setor inteiro da Ilha do Urubu, preferindo o estádio vazio ao com a presença de pobres. A quem havia esquecido, foi dada a prova, anteontem. Flamengo é do povo. Do pobre, do rico, da mulher, do homem, do gay, do preto, do branco, do índio. O Flamengo é de todos.

Outro grave problema desse Flamengo que deu errado é justamente não ser de todos. Deixada de lado nos jogos, a massa se desdobrou para incentivar o time em um mero treino. Enfrentou longas filas pelo o ingresso. Fora os que não conseguiram trocar seu quilo de alimento, foram cerca de 46mil no Maracanã, numa terça-feira à tarde, para testemunhar uma sessão de “bobinho”.

Um urro, em uníssono, para que no dia seguinte o time do Flamengo desse o segundo passo rumo a uma positiva transformação. A caminhada durou 30 minutos. Dos pés de Diego não saiu o primeiro nem o segundo gol; mas passes para ambos – o nosso e o deles. A equipe que envolvia pelo barulho da terça, foi envolvida pelo silêncio da quarta-feira. Este prevaleceu.

No final, fracasso, e o papo de sempre. O manjado discurso desse Flamengo que insulta seu torcedor. Que não poderia, em hipótese alguma, não ter dado a ele uma vitória sobre o 13° colocado do Campeonato Colombiano, depois de todo o carinho recebido. Que fez, em 2018, um primeiro turno de Libertadores pior que o de 2017.

A sorte deles é que a gente não desiste. Somos Flamengo por natureza, e se a mente diz que não, a alma faz acreditar – ainda que tardia – na mudança. Rubro-negro é um povo que sorri sem dente, mas não é uma gente imbecil.

Um Flamengo que aceita a derrota e brinda a Nação com pessimismo é, definitivamente, um Flamengo que deu errado.

Um Flamengo que aceita a derrota e brinda a Nação com pessimismo é, definitivamente, um Flamengo que deu errado.


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