Everton: persistência é a virtude. Leitura de jogo, o defeito

O ex-jogador do Flamengo deixa 100% em campo.

ANDRÉ ROCHA: Everton é do São Paulo por três anos e cerca de 15 milhões de reais. Com 29 anos, a expectativa é pelo retorno de desempenho em campo e não pensando numa futura venda.

Em uma primeira observação, o melhor encaixe no time comandado por Diego Aguirre é como ala pela esquerda em um sistema de três zagueiros, como o treinador já utilizou neste início de trabalho. Mas com a possível saída de Marcos Guilherme pelo fim do empréstimo do Atlético Paranaense no fim de junho, Everton tende a ser mais útil pela ponta.

Foto: Gilvan de Souza
O ex-jogador do Flamengo deixa 100% em campo. Não é referência de garra ou fibra, nem demonstra liderança perante os companheiros. Mas faz todo o corredor esquerdo, de uma linha de fundo à outra durante os 90 minutos, mesmo já chegando aos 30 anos.

O problema é a leitura de jogo. Um dos problemas para a adaptação de Everton Ribeiro como ponta articulador no time rubro-negro era que quando cortava da direita para dentro e levantava a cabeça não encontrava um colega infiltrando no espaço correto. Nem Everton, que ou afunilava e esperava a bola com o centroavante, ou não fazia a diagonal e permanecia aberto, sem dar opção.

Sem contar os erros nas tomadas de decisão. Muitas vezes irritou os flamenguistas tentando o drible quando deveria passar ou concluindo de maneira precipitada no momento em que tinha espaço para conduzir e finalizar com mais chance de acerto. Ou vice-versa.

Mas nunca desiste. Na tentativa e erro acaba sendo mais produtivo que os que se abatem. Exemplo clássico no último Fla-Flu, semifinal da Taça Rio: Carpegiani colocou Vinicius Júnior e recuou Everton como lateral. Pecou nas investidas à linha de fundo, mas acabou acertando um belo chute que empatou o clássico.

A boa notícia para o são-paulino é que ele vem de sua melhor temporada, ao menos nos números de gols e assistências: em 2017 foram dez bolas nas redes e 13 passes para gols em 57 partidas. No último Brasileiro, foi o que mais acertou cruzamentos, o segundo mais efetivo nos dribles e o terceiro nas finalizações do Fla, segundo o Footstats. Também o que mais acertou desarmes entre os jogadores do setor ofensivo. É participativo, não se omite. Mas também foi o líder na equipe em impedimentos. De novo a dificuldade para vislumbrar a melhor ação ofensiva.

O problema do tricolor paulista, porém, segue o mesmo: a falta de sequência. Everton é a nona contratação para a temporada e o clube já mudou de treinador com menos de três meses de temporada. Não adianta reunir as individualidades e esperar a mágica acontecer. Não costuma funcionar na primeira prateleira da Europa, que dirá no futebol brasileiro.

Everton não é jogador para vestir camisa e compensar no talento os problemas coletivos. Precisa de tempo para evoluir com os companheiros dentro de uma proposta de jogo. Persistência para compensar a leitura deficiente.

A má notícia é que o São Paulo não tem investido em continuidade. Dirigentes e torcida querem uma resposta rápida. Eis o maior risco de dar errado novamente.


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