Flamengo é do torcedor, e torcedor não usa cartola

Quando o Flamengo decide excluir seu povo em nome de pagar boleto, o Flamengo perde sua identidade, perde sua essência.

FALANDO DE FLAMENGO: Por Léo Sardou

Cadu, meu grande amigo… Ler esse texto pela manhã, me faz muito feliz, não por poder bater no peito e dizer, ‘sou foda’, ou qualquer coisa que pese em relação ao egocentrismo tão banal nos dias atuais. Fico feliz em saber que realmente nosso povo faz falta, que mesmo aqueles que entendem mais de números e boletos que eu, começam a observar quem é o dono do Flamengo.

Sim, se o Flamengo tem um dono, e que o fez e faz gigante, esse dono é a magnética, só ela…

Torcida do Flamengo usando fumaça (wallpaper) - Foto: Gilvan de Souza
Tenho um amigo que devemos ter juntos uns 20 anos de Maracanã e uns 25 de amizade. A maioria das nossas vitórias e quase todos os perrengues, estávamos juntos. Mas mesmo com tudo isso, não somos obrigados a ter a mesma opinião. Daí, semana passada ele com o olhar do sócio, com raiva da gestão, falou: ‘Léo, o Flamengo não tá bem. O time não entrega, a torcida tá puta e os caras inventam isso de jogo treino na parte da tarde? Eles são malucos, vão passar vergonha não vai dar 10 mil!’.

Daí eu falei assim: ‘Irmão, uma das poucas coisas que eu sei, é que política mata a paixão. Às vezes mesmo me sinto assim, mas, o torcedor é passional, principalmente o do Flamengo. Esse treino não é importante pro Sócio, pro Sócio Torcedor. Esse treino é o jogo. É final de campeonato para quem foi excluído dos jogos, pra quem não consegue bancar o custo Flamengo.’.

Ficou naquela. Ele bancando que não iria ninguém e eu afirmando que poderia acontecer uma “surpresa”, para ele, claro. Na segunda quando bateu 40 mil ingressos, eu aproveitei para dar uma sacaneada, e mandei uma mensagem para ele:

Tu já não sabe nada de Flamengo!

Ele sorriu… Sabe que é pilha… Rs

Cara, não nasci Flamengo. Sou filho de uma tricolor com um botafoguense inserido numa família totalmente vascaína, nascido na Baixada. Dificuldade gigantesca para ir aos jogos. Aos 14 anos eu já ia pros sozinho, contra a família e contra as estatísticas. Meu amor pela Nação e por fazer parte dela, era maior que os riscos corridos. Eu tinha fome de Maracanã. Costumo falar que me transformei em Flamengo por amar o povo que é Flamengo, a democracia Flamenga… Sempre teve espaço para todo mundo, sempre!

Tinha rico, pobre, Zona Sul, Baixada, polícia, ladrão, preto, branco, nordestino, punk, pagodeiro, heavy metal, tinha de tudo… Até o dia que o Flamengo resolveu escolher os seus torcedores… aí fudeu tudo… perdemos na bola e na alma.

Quando o Flamengo decide excluir seu povo em nome de pagar boleto, o Flamengo perde sua identidade, perde sua essência, pois, nos tornamos torcedores burocratas, não deixamos de comer para estar ali. Não temos mais a fome de Maracanã. Hoje a torcida do Flamengo, que frequenta os estádios, tem muito mais a cara do Diego e quase nada de Rondineli. Quem vai ao estádio hoje tem a “barriga cheia” de Flamengo. Vai por ir, bate ponto, já que “paga ST”. Passou da hora de voltar a galera que joga sem ter o que comer, que se alimenta de vitórias, que morre junto na derrota e que é intransigente com jogador cuzão…

Por essas e outras 1,2,3 solta os Bichos de uma vez!


Marcadores:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget