Júlio César é a alma rubro-negra que falta ao time

Júlio César se foi. E com ele a penúltima e verdadeira identificação de um Flamengo que lutava em campo.

GOAL: Por Bruno Guedes

Fim de jogo no Maracanã. Um sábado à tarde com ele cheio, como nos velhos tempos. Juan, então reserva na partida, vai ao encontro do goleiro Júlio César e chora ao abraçá-lo.

As lágrimas do zagueiro são as de milhões de torcedores. A dor que ele sentiu veio em forma de desabafo por tudo o que viveram no começo dos anos 2000, de um clube desestruturado e que flertava com o rebaixamento, mas nem por isso sem os verdadeiros jogadores deixando a vida em campo. Bem diferente de hoje em dia.

Júlio César ajoelhado para a torcida do Flamengo - Foto: Reprodução
Júlio César arrastou milhares para uma típica tarde de futebol como antigamente porque os mesmos se viam em campo quando o goleiro entrava. A paixão durante todos os anos, os choros de indignação após as derrotas, o desespero de sair driblando todos os tricolores durante um Fla-Flu em que o seu time não reagia... Júlio é a alma rubro-negra que falta ao atual elenco.

O atual elenco tem o privilégio de jogar num Flamengo que sempre sonhou a torcida e a crítica especializada. Excelente saúde financeira, categoria de base jorrando talentos, com a infraestrutura entre as melhores do mundo e todos os vencimentos em dia. Mesmo assim o que entregam de volta a cada partida é desinteresse, time bagunçado e muita irritação aos rubro-negros.

Quais desses jogadores, com exceção do Juan, levaria a mesma quantidade de torcedores em sua despedida? Nenhum. Não levam nem mesmo durante os jogos corriqueiros, ainda que a elitista diretoria do Flamengo exerça sua política de exclusão social dos estádios com os preços absurdos.

No adeus, Julio Cesar dá aula de rubro-negrismo e faz torcida reencontrar a "alma" do Flamengo

Mas Júlio César, não. Esse é diferente. Transpira vermelho e preto. Suas lágrimas sinceras são de quem viveu no seu clube de coração em um período ruim, mas sem desculpas para não lutar. Nunca o conformismo pela derrota. O suor de cada jogo era fidelidade à sua paixão. A mesma do torcedor.

Os jovens de hoje talvez idolatrem o Júlio pelo que conquistou ao redor do planeta. Os mais antigos pelo heroísmo exercido na fase decadente do Flamengo dos anos 2000. Mas todos são unidos por uma única coisa: a alma rubro-negra.

Júlio César se foi. E com ele a penúltima e verdadeira identificação de um Flamengo que lutava em campo.


Marcadores:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget