O ano que não começa e nem termina no Flamengo

A frase “vamos levando” nada mais é do que uma clara demonstração de falta de convicção, de ideias, de rumos.

GLOBO ESPORTE: Por Eric Faria

O número 8 deitado significa o infinito. Inclusive, nesta sexta-feira, o Barcelona homenageou com um vídeo o capitão Iniesta, que anunciou a sua saída no fim desta temporada. Brincou com a camisa 8 e a interminável relação de amor do craque com o clube catalão.

Bem, aqui no Brasil, sem qualquer semelhança com as homenagens no Barça, o número 8 presente no ano de 2018 parece marcar o momento do Flamengo. Há um mês, grande parte do departamento de futebol foi desmontado e, desde então, o comando rubro-negro “anda em círculos” atrás de nomes e soluções.

Jogadores do Flamengo comemorando - Foto: Buda Mendes/Getty Images
A frase “vamos levando” nada mais é do que uma clara demonstração de falta de convicção, de ideias, de rumos. Hoje, a única certeza que temos é que a situação interna está complicada e que os homens responsáveis pelas decisões não estão em sintonia.

O que fazer? Novo técnico ou coordenador experiente

Havia um otimismo quase unânime que Renato Gaúcho aceitaria a oferta poderosa do Flamengo. E quando o técnico do Grêmio preferiu continuar o seu trabalho no atual campeão da Libertadores, a diretoria ficou de mãos vazias.

A opção foi dar o comando do time ao jovem Mauricio Barbieri que mal chegou ao Ninho do Urubu e está tendo que aprender a voar sozinho na marra. Para a imprensa, o discurso de que vale a aposta no futuro, que ele tem bom trânsito com o elenco, que é moderno e sabe realizar bons treinamentos.

Mas, internamente, os mesmos entusiastas da aposta já estão se perguntando se essa não é uma cartada perigosa. A prova está na tentativa de se achar um coordenador experiente para, no mínimo, sustentar o técnico interino e quem sabe descobrir um outro nome no mercado.

Sondagem e proposta

A fórmula de trazer gente com raízes rubro-negras se mantém e foi usada mais uma vez quando Zinho, ex-jogador e atualmente comentarista dos canais FOX, recebeu telefonemas do diretor executivo, Carlos Noval e do CEO do clube, Fred Luz.

Da primeira conversa, passando pela sondagem e até chegar a proposta e contra-proposta logo depois do empate com o Santa Fé, no Maracanã, tivemos vários telefonemas e muitos minutos de conversa. No fim, não houve acordo.

O clube propôs um contrato apenas até o fim do ano. Zinho não aceitou porque depois da eleição poderia viver a mesma experiência de cinco anos atrás. Em 2013, ele ocupava um cargo parecido no clube. Ao assumir a presidência, Eduardo Bandeira de Mello e Wallin Vasconcelos, então vice de futebol, contrataram Paulo Pelaipe e ofereceram a Zinho uma outra função abaixo de Pelaipe, além de uma redução salarial.

Bastidores fervendo

A aparente tranquilidade do elenco, mesmo com as críticas e com os protestos quase que diários dos torcedores, não se reflete no comando. Há uma corrente dentro do departamento de futebol que está convicto de que Mauricio Barbieri não está pronto. Inclusive, nomes importantes do elenco comungam dessa opinião.

Há quem defenda a permanência até surgir um nome de consenso, mesmo que, para isso, o time tenha que disputar os dois próximos jogos da Libertadores nessa situação instável.

O GPS usado pelos jogadores para provar que estão correndo, alvo de uma das inúmeras pichações na sede da Gávea e no Ninho do Urubu também seria um objeto valioso nesse momento conturbado nos gabinetes e vestiários rubro-negros. Andar em círculos não leva a lugar nenhum.


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