Quando a paixão vira relação desgastada

O GLOBO: POR MARCELLA MELLO

O brasileiro é, por natureza, um apaixonado por futebol, e esta paixão que é passada de pai para filho vem sofrendo mudanças. O aumento do interesse nos campeonatos internacionais encurtou o espaço para que clubes brasileiros mantenham sua hegemonia. É muito comum fazer a famosa pergunta para uma criança: qual é o seu time? E ter como resposta os grandes clubes europeus como a primeira opção.

Mas o que está acontecendo?

Além do fato de que a internet nos abre um grande leque de informações — que antes estavam restritas ao jornal impresso, ou aos comentários em programas esportivos no rádio e na TV —, temos clubes atuando mal na questão de fidelizar e angariar torcedores.

Torcida do Flamengo no Maracanã - Foto: Gilvan de Souza
O futebol é paixão e, como toda paixão, é preciso tocar no coração. O torcedor que ama seu time multiplica seu sentimento, mantém viva a chama da continuidade, mas, ao contrário disso, acompanhamos pais que já não fazem questão de vestir a camisa, de levar os filhos ao estádio. E isso tudo se deve à transformação que por muitas vezes dificulta tal experiência.

Quantos clubes de expressão vivem de grandes títulos do passado? É preciso renovar a forma de gerir, mas sem perder sua essência, sem perder os vínculos com o maior ativo de uma entidade futebolística: o torcedor.

Os maiores clubes no Brasil entenderam que o modelo de gestão do passado não tem mais espaço, mas parecem ter esquecido a diferença entre torcedor e cliente.

O torcedor não muda de time, ele não abandona, mas pode não passar adiante para as próximas gerações suas experiências, pois, na maioria das vezes, isso não tem acontecido.

Vejamos o Flamengo, o clube que ostenta o título de maior torcida do Brasil. O que tem feito para garantir esta marca? Qual o último título internacional conquistado?

É um clube que optou por sanear dívidas, e voltar aos trilhos financeiros; todavia, deixa muito a desejar nas realizações. O relacionamento com torcedor sofre um desgaste. A paixão esfriou.

O resultado disso está no número de sócios torcedores, que vem sofrendo uma queda, quando na verdade deveria estar caminhando com o clube, dado todo o trabalho feito em cima de uma recuperação financeira que refletiu positivamente em sua imagem. O combinado com o torcedor foi um pedido inicial de paciência na relação, para um futuro próximo de glórias.

Mas, quando o resultado nas quatro linhas não vem, e decisões não são tomadas, a relação parece caminhar de mal a pior. Este novo Flamengo que surgiu com identidade vencedora, com propostas inovadoras, e soluções que deram ao rubro-negro credibilidade, se perdeu pelo caminho. Tornou-se apático. Está se deixando levar. É preciso tomar as rédeas dessa relação que deu ao torcedor esperança, ou mais uma vez veremos o clube deixar escapar por entre os dedos a oportunidade de se apropriar em todos os sentidos do que este título de maior torcida do Brasil é capaz de fomentar.

Quando for questionado sobre quem é seu maior rival, esqueçam o bairrismo, esqueçam os clássicos, temos que ficar atentos, pois hoje o maior rival é aquele que concorre com seu patrocinador, com seu anunciante, e agora, até com a sua fatia de torcedores. Pense nisso.

Marcella Mello é jornalista

Este novo Flamengo que surgiu com identidade vencedora e soluções que deram ao rubro-negro credibilidade, se perdeu pelo caminho.



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