Quem é capaz de dirigir o Flamengo?

LANCE: Por André Kfouri

A coluna pede licença a Galvão Bueno para alterar, só hoje, um de seus famosos bordões. Porque a situação no Flamengo chegou ao ponto em que cabe perguntar quem é o ser humano que reúne as capacidades para dirigir o time. A narrativa que impõe a obrigação, com prazo, de que o investimento apareça em campo conseguiu tornar a posição de técnico do Flamengo um trabalho inviável. É a vitória da noção de que nada nem ninguém serão suficientemente bons, pois o futebol imaginário vendido por curiosos e comprado pela arquibancada jamais será alcançado. E a guilhotina não persegue apenas treinadores, claro. Jogadores rotulados como “fracos demais para vestir o manto” já não estão presentes, ideias foram substituídas e o jogo teima em seguir ausente. Por fim – será mesmo o fim? – , o ambiente político conturbado contribuiu para uma reforma radical no departamento de futebol, o que determina um recomeço no final de março.

Foto: Gilvan de Souza
Uma ressalva: Paulo César Carpegiani não era o técnico apropriado para assumir o time após a saída de Reinaldo Rueda. Não é opinião, mas constatação lógica. O Flamengo o contratou para outro papel e resolveu improvisar quando o colombiano abortou sua permanência no futebol brasileiro. A mudança de planos de Rueda não pode ser incluída na conta do clube, mas é obrigatório lembrar que a narrativa já criticava o trabalho dele ao final do ano passado, após alguns meses no comando de jogadores que havia acabado de conhecer. “Falta padrão”, diziam setores popularescos da crítica, pouco preocupados em explicar a afirmação, muito menos em efetivamente entender o que se passava com o time, algo que se tornou – aí sim – padrão nessa época em que alguém decidiu que se aproximar das pessoas significa opinar sem informação e/ou conhecimento.

Porque é disso que se trata. A narrativa espera que os jogadores do Flamengo um dia despertem conectados por telepatia e se compreendam em campo sem precisar se olhar. Acreditar em fantasias desse nível pode parecer extremo, mas é muito mais fácil do que se aprofundar no processo de construção de equipes de futebol, uma verdade indiscutível deste jogo que vem sendo desafiada ad aeternum em quase todos os clubes brasileiros. Quando se acerta por casualidade – mas nunca de modo sustentável, o que deveria ser o norte principal – ou se permite que grupos tenham um mínimo de tempo para se formar, a mesma narrativa apela a crendices como “deu liga” para descrever o que viu, e passa rapidamente ao próximo assunto. Os clubes deveriam saber o que querem, e como, mas se rendem a essa maneira miserável de fazer futebol na hora da tomada de decisões.

No começo de agosto do ano passado, o Flamengo dirigido por Zé Ricardo tinha chegado a uma espécie de “efeito platô” em termos de desempenho. O técnico fez escolhas questionáveis e por vezes demonstrou dúvidas em relação àquilo em que acreditava, eventos naturais em uma trajetória iniciante, especialmente em um ambiente de pressão constante. Mas sua demissão foi um erro que se tornou maior quando Rueda escolheu a seleção chilena, e ainda maior quando o experimento com Carpegiani deu errado. O treinador que a narrativa afirmava não estar “à altura do elenco do Flamengo” levou o Vasco a uma classificação melhor do que o time sugeria no Campeonato Brasileiro, e agora alcançou a final estadual na qual o Flamengo não estará.

Uma ressalva: Paulo César Carpegiani não era o técnico apropriado para assumir o time após a saída de Reinaldo Rueda.



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