Torcida não foi porque não podia e o time não foi porque não quis

Onde está o verdadeiro Éverton Ribeiro, já que seguimos escalando Dáverson Ribeiro, seu irmão gêmeo que não sabe jogar bola?

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Você provavelmente já conhece bem o roteiro dessa história. O Flamengo começa o jogo avassalador, com toque de bola envolvente, ritmo maroto, um ataque tão insinuante e sensual que você precisa pedir pras crianças saírem da sala e imagina que pra ver os melhores momentos vai ter que entrar no Xvideos. Sai o primeiro gol. Seu olho brilha, você abraça seus amigos, dá aquele tapa no ombro do garçom, manda no grupo de Whatsapp um “rumo a Tóquio”, você sente que finalmente o investimento valeu a pena, a paciência se justificou, aquele comentarista esportivo que afirmou que já era “Flarcelona” vai poder aparecer na mesa redonda xingando todo mundo.

Mas aí, é claro, o Flamengo para.

Foto oficial do time do Flamengo na Libertadores 2018 - Foto: Gilvan de Souza
Sim, ele apenas para. Subitamente abandona o ataque, desiste de armar jogadas, a movimentação que antes era ousada e imprevisível rapidamente se torna tão burocrática que nossos volantes começam a exigir um nada consta em 3 vias pra passar da linha do meio de campo. O rival, que antes estava acuado, começa a aparecer no jogo, ainda que de maneira tímida e vagamente aleatória, com chutes esparsos, cruzamentos sem sentido, aquela tentativa de bagunça ofensiva que só serve pra te lembrar que não estamos exatamente jogando contra o Real Madrid.

Até que o Flamengo toma um gol, obviamente.

É um gol bizarro, é um gol numa pane generalizada, é um gol em que logo depois da comemoração dos caras você vai ver o Diego Alves gritando com pelo menos umas 5 pessoas e dizendo que tem que acordar, tem que brigar, tem que fazer mais um. Mas o Flamengo não vai fazer mais um. Porque depois desse gol, tal qual os jogadores da NBA após tocarem naquela bola de basquete dos alienígenas no desenho Space Jam, o time rubro-negro parece ter simplesmente esquecido como se pratica futebol, incapaz de articular uma jogada, criar uma oportunidade, fazer uma triangulação.

E você conhece essa história porque isso não aconteceu uma, não aconteceu duas, não aconteceu três, aconteceu várias vezes. Um Flamengo que mostra potencial, que deixa clara sua superioridade técnica, mas que é apenas incapaz de aproveitar as chances que cria e, assim que sofre um gol, parece realizar algum tipo de projeção astral coletiva em que todas as almas abandonam os corpos e o que sobra em campo são cascas vazias rodando a bola sem nenhum objetivo aparente além de gastar o tempo e torturar o torcedor.

Por mais que seja possível culpar Barbieri pela saída equivocada de Dourado - não valeria a pena manter um homem de área contra um adversário tão frágil na bola alta? - não se pode negar que essa postura do Flamengo começou muito antes dele e tem muito menos a ver com a formação do que com a atitude do grupo. O que acontece com o Flamengo? Porque é tão impossível manter a intensidade durante os jogos? Por que os gols abatem tanto a equipe? Onde está o verdadeiro Éverton Ribeiro, já que seguimos escalando Dáverson Ribeiro, seu irmão gêmeo que não sabe jogar bola? São essas as questões, aparentemente cada vez menos táticas e mais psicológicas, que o Flamengo precisa responder o quanto antes se quiser ter alguma chance de vencer essa Libertadores da América.


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