A mística do interino, o Maracanã como arma e a torcida inflamada

ZERO HORA: Por Leandro Behs

A primeira etapa dos Cinco Trabalhos do Inter está chegando ao fim. De volta à Série A, o Inter já teve pela frente Bahia, Palmeiras, Cruzeiro e ainda restam os jogos com o Flamengo e com o Grêmio, ambos fora de casa, antes de o calendário dar ao time de Odair Hellmann um respiro. Na tarde desse domingo, o Inter voltará ao Maracanã, onde não enfrenta o Flamengo desde outubro de 2015.

Encontrará pela frente um time entusiasmado com a surpreendente liderança do Brasileirão, invicto a seis jogos, com um estádio lotado, uma torcida que fez as pazes com a equipe - depois que alguns integrantes de organizadas ameaçaram bater nos jogadores -, além de ter os novatos Lucas Paquetá e Vinicius Júnior em alta. para o bem do Inter, é possível que o meia Diego fique fora do clássico. Na redentora goleada sobre o Ceará, em Fortaleza, ele sentiu dores no joelho direito.

Torcida do Flamengo no Maracanã - Foto: Arthur Brito
Antes de enfrentar o Inter, o Flamengo estreou nessa quarta-feira na Copa do Brasil, batendo a Ponte Preta por 1 a 0, pelo jogo de ida das oitavas de final. Para complicar mais a vida dos colorados, é possível que Paolo Guerrero volte a ficar à disposição justamente no domingo.

Conheça o adversário do Inter nesse domingo em sete toques:

Interino e Flamengo = Amor (Versão histórica)

Poucos clubes no Brasil amam tanto um técnico interino quanto o Flamengo. A explicação desta tradição de derrubar o treinador contratado para comandar o time e colocar em seu lugar um "provisório" pode estar no Mundial de Clubes. Em julho de 1981, meses após se aposentar devido a uma grave lesão no joelho, Paulo César Carpegiani assumiu como interino do Flamengo - depois da demissão de Dino Sani. De "tapa-buraco", Carpegiani teve o apoio do vestiário, foi efetivado e seguiu dirigindo o histórico time de Zico, Nunes, Moser e companhia, campeão da Copa Libertadores e do Mundial em 1981, além do Brasileirão de 1982.

Anos depois, o Flamengo foi campeão brasileiro em 1987 e em 1992, além da Copa Mercosul de 1999, todos eles sob o interinado de Carlinhos - que foi "interino" do clube em sete oportunidades. Em 2009, o ex-meia Andrade era auxiliar técnico do Flamengo quando Cuca foi demitido. Assumiu como interino e levou a equipe ao hexacampeonato brasileiro, em 2009.

Em 2012, Jayme de Almeida era auxiliar de Luxemburgo. Caiu. Jayme ficou. Foi mantido como auxiliar de Mano Menezes, em 2013. Mano caiu. Jayme ficou de novo e, agora, como interino. Acabou por conquistar a Copa do Brasil em 2013.

Interino e Flamengo = Amor (Versão 2018)

Lembram da história de Carpegiani (acima)? Pois ele foi eliminado no Carioca pelo Botafogo, às portas da final. E, sem conseguir tirar Renato Portaluppi do Grêmio, o Flamengo deu o time ao interino Maurício Barbieri. Aos 37 anos, Barbieri foi treinador do Audax-RJ, Red Bull Brasil, Guarani de Campinas e Desportivo Brasil. Em janeiro, foi contratado para a comissão técnica permanente do clube carioca. Barbieri não jogou bola, como Pep Guardiola, mas tem no técnico catalão um modelo de vida. O Barcelona de Guardiola é o norte de Barbieri, um treinador que ama o toque de bola - um vídeo com trocas de passes do Barça durante oito minutos é um dos programas preferidos do treinador ao pedir a manutenção de bola pelo seu time. Nesse novo Flamengo, é o goleiro quem começa as jogadas, com os pés, passando, sem um bico para a frente. Barbieri é tido como o treinador que fez Lucas Paquetá jogar ainda mais, ao trocar as funções do garoto com Diego. 

Paquetá

Se Vinícius Júnior é o mais badalado dos jogadores do Flamengo, Lucas Paquetá é o mais importante. Vendido ainda no ano passado ao Real Madrid, aos 16 anos de idade, por R$ 165 milhões, e mantido na Gávea até 2019, Vinícius é o xodó da torcida. Mas quem resolve é Paquetá. Aos 20 anos, o atacante se tornou o principal nome da equipe, ainda mais depois que o técnico Maurício Paquetá o recuou, sendo o responsável por buscar a bola nos pés de Cuéllar ou dos zagueiros. O camisa 10, por sua vez, atuou com mais liberdade e posicionou-se mais próximo da área adversária. Com o time completo, a formação deve se manter.

Os ex

Quase todos os times do Brasileirão têm um ex-Inter na equipe. O Flamengo tem dois. Os veteranos zagueiros Juan, de 39 anos, e Réver, de 33, são os ex-colorados titulares na Gávea. Juan foi liberado pelo Inter, ao final de 2015. Também com o encerramento da temporada 2015, Réver foi cedido pelo Inter ao Flamengo. Acabou tendo os direitos repassados aos cariocas na demorada contratação do atacante Marcelo Cirino para o Inter. Apesar do desgaste dos últimos jogos da equipe, os dois zagueiros deverão enfrentar o Inter.

Fator Maraca

O Inter terá de enfrentar não apenas o Flamengo nesse domingo, mas o Flamengo em sua casa, e com ela lotada. Depois de conseguir 47 mil pagantes na vitória sobre o América-MG, a direção do clube carioca pretende bater o recorde de público no Brasil na temporada: mais de 60 mil torcedores. Até agora, a liderança neste quesito pertence à final do Carioca, também no Maracanã, quando o Botafogo bateu o Vasco por 1 a 0, diante de 58.135 torcedores.

Para isto, o Flamengo tratou de rebaixar o preço dos ingressos. O bilhete mais barato sai por 10 pilas. O mais caro, custa R$ 100, e há entradas por R$ 15, R$ 20, R$ 30 e R$ 40. Ou seja: com a nova boa fase da equipe, que está invicta desde a saída de Carpegiani, é bem possível que Flamengo x Inter se torne o grande público do ano no Brasil neste primeiro semestre.

Pressão

Ainda que com o interino Maurício Barbieri o Flamengo esteja invicto (são seis jogos, com três empates e três vitórias), nem tudo estava em paz antes dos 3 a 0 sobre o Ceará. No embarque da delegação para Fortaleza, torcedores xingaram e até tentaram agredir alguns jogadores. Os seguranças do clube precisaram agir com alguma energia para conter os protestos, muitos deles direcionados ao meia Diego. Mas bastou uma goleada longe de casa para que a torcida ficasse de bem de novo. Até com Diego, que declarou jamais ter pensado deixar o clube, mesmo que precisasse andar com quatro seguranças a seu redor no Rio.

Mochileiros

O Flamengo padece do mesmo mal do Grêmio: convite para várias competições. Assim como o clube da Arena, o carioca está envolvido na Libertadores, no Brasileirão e na Copa do Brasil. E, como qualquer clube brasileiro com sucesso na temporada anterior, vê o seu calendário espremido e com jogos a cada três dias. Somente nos últimos 10 dias, a delegação viajou para a Colômbia (onde enfrentou o Santa Fe, pela Libertadores), para Fortaleza (partida contra o Ceará) e embarcou para Campinas (onde venceu a Ponte Preta, por 1 a 0, pela Copa do Brasil), voando quase 10 mil quilômetros. É praticamente viver com a mochila nas costas. 

O Flamengo padece do mesmo mal do Grêmio: convite para várias competições.


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