Agredir e intimidar nunca serão sinônimos de torcer

Não duvido que o time do Flamengo precise demonstrar mais motivação, concordo 100% que falta a percepção exata da importância do clube.

ESPN FC: Por João Luis Jr

Tirando a improvável eventualidade de que um torcedor, com medo do terror nuclear da Guerra Fria, tenha se trancado em um bunker subterrâneo e se isolado do mundo logo após a final do Mundial de 1981, é quase impossível que exista hoje algum flamenguista satisfeito na face da terra. Temos um time de futebol nada convincente, um grupo que parece profundamente desmotivado, um treinador que ainda não demonstrou preparo para o cargo e uma diretoria que não vem sabendo como agir diante de todos esses problemas. Dizer que o Flamengo hoje não anima o seu torcedor é um eufemismo no nível de “a situação do Rio anda um pouco complicada” ou “o Muralha não fez um ano de 2017 muito bom”.

Ou seja, existem sim as mais variadas razões para que o torcedor esteja revoltado, indignado, frustrado, irritado, tentando ensinar o filho pequeno que futebol é ruim e bom mesmo é esse kit de pequeno alquimista, isso, filho, não olha pra TV, mesmo se o papai gritar ou quebrar alguma coisa, apenas continua brincando. Mas nada disso justifica, é claro, nenhum tipo de violência, seja contra jogadores, membros da comissão técnica ou dirigentes, pelos mais variados e óbvios motivos possíveis.

Torcida do Flamengo usando fumaça - Foto: Gilvan de Souza
Primeiro por razões morais. Vaiar, protestar, pendurar faixas, reclamar nas suas redes sociais, tudo isso é com certeza direito do torcedor e totalmente parte do jogo, até porque se você tentar assistir 3 cruzamentos seguidos do Renê sem extravasar a sua raiva a tendência é que você sofra um derrame. Mas isso não justifica atitudes violentas como as que ocorreram no Galeão durante o embarque da equipe para Fortaleza, com os jogadores sendo cercados e quase agredidos por torcedores, pelo simples fato de que dentro do futebol não pode existir espaço e nem tolerância para violência, seja ela contra torcedores rivais, jogadores da sua equipe ou qualquer outro tipo de pessoa.

Depois porque, além de agredir uma pessoa ser sempre uma atitude criminosa, independente do contexto, é o tipo de ação que com certeza não vai melhorar em nada o desempenho do time. Diego vem jogando bem? Claro que não, mas dificilmente é a experiência de ser cercado e agredido por um grupo de estranhos que vai fazer com que ele reencontre o bom futebol. Rodinei é um lateral limitado? Com certeza, mas duvido que seja na base da porrada que ele vai se tornar um novo Leandro. Da mesma maneira, num contexto de violência e ameaça, mesmo as manifestações de incentivo como as oferecidas a Paquetá e Cuellar não motivam ninguém, já que eles com certeza são solidários ao resto do grupo e não ficaram exatamente animados com a situação.

Não duvido que o time do Flamengo precise demonstrar mais motivação, concordo 100% que falta ao grupo a percepção exata da importância do clube e dos resultados, acredito que a torcida tenha sim a função de cobrar e pressionar. Mas precisam existir maneiras melhores de realizar essa cobrança e de fazer com que essa mensagem chegue aos jogadores do que ameaças e agressões, já que por mais raiva que o futebol desse time possa causar ela nunca pode servir como justifica para a violência, em absolutamente nenhum nível, porque não é sobre isso que é o Flamengo, não é sobre isso que é o futebol.


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