Bastidores do julgamento de Guerrero

GLOBO ESPORTE: Paolo Guerrero passou mais de 10 horas dentro da sede do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). Chegou sorrindo, recepcionado às 8h31 por cerca de 15 torcedores peruanos. Saiu por volta de 18h45 (horários de Lausanne, na Suíça) ovacionado por um grupo ainda maior de fãs.

As feições, no entanto, escancaravam a exaustão. O desgaste era natural, não só pela longa duração do julgamento, mas por toda a carga emocional envolvida. A audiência desta quinta-feira foi definitiva para selar o futuro do atacante do Flamengo e da seleção peruana.

Foto: Divulgação
Todas as partes esperavam um julgamento longo devido ao número de apelações e de testemunhas a serem ouvidas. O caso foi apresentado a três juízes do CAS. Pela ordem, a defesa de Guerrero abriu os trabalhos. Os advogados brasileiros Bichara Neto e Pedro Fida e o espanhol Juan de Dios Crespo, este último responsável por reduzir uma pena de Lionel Messi nas Eliminatórias da Copa, no ano passado, apresentaram a seguinte tese.

O doping de Guerrero teria se dado de forma totalmente involuntária devido a uma contaminação. O atleta estava gripado à época do confronto com a Argentina pelas Eliminatórias, em outubro, e tomou um chá no hotel em que a seleção peruana estava concentrada. Mas o bule em que a bebida foi servida teria antes armazenado o chá de coca, responsável pelo resultado adverso. A baixa concentração de benzoilecgonina, o metabólito da cocaína encontrado na bebida, supostamente comprovaria esta teoria.

Essa possibilidade foi apresentada pela defesa embasada por três testemunhos. O depoimento do especialista coube ao bioquímico Luiz Claudio Cameron, da Unirio. Houve ainda a contribuição de mais uma testemunha presencial em Lausanne e de uma terceira, que depôs via Skype.

A Wada e a Fifa fizeram suas explanações na sequência. A Agência Mundial Antidoping pediu a ampliação da pena de Guerrero para dois anos - e, ao não solicitar a pena máxima de quatro, já relativiza a responsabilidade do jogador -, enquanto a Fifa tentou a manutenção da suspensão de seis meses, encerrada justamente nesta quinta.

Brasileiro fez tradução simultânea para Guerrero

A comitiva de defesa de Guerrero chegou a Lausanne na terça-feira. A quarta foi tomada por reuniões de preparação de advogados e testemunhas, sendo Guerrero uma delas. Nesta quinta-feira, após o café da manhã no hotel, o grupo se dirigiu à sede do TAS em dois carros. O trajeto durou cerca de 10 minutos e foi encerrado com uma recepção calorosa dos torcedores, que gritavam "Paolo é inocente", em espanhol.

Houve pequenas pausas de cinco minutos entre alguns testemunhos, além de um intervalo de cerca de meia hora para almoço. Guerrero fez uma refeição leve, comeu uma salada. Ele só depôs na parte da tarde. Contou com a ajuda de um tradutor brasileiro, especialista em tradução simultânea de eventos de grande porte. O atleta testemunhava em espanhol, e o profissional brasileiro traduzia para o inglês, idioma em que ocorreu todo o julgamento.

O trio de árbitros, como são chamados os juízes do TAS, era formado por um inglês, um americano e um italiano. Um deles foi indicado pela defesa, outro pela dupla Fifa-Wada e outro pelo próprio tribunal. Esta foi a primeira vez que esses indivíduos ouviram as explanações sobre o caso.

Chegada de carros gera “alarme falso”

Por volta das 16h no horário local, os dois carros que buscariam a comitiva de Guerrero chegaram ao TAS e causaram alvoroço nos cerca de 40 torcedores que esperavam pelo ídolo. Mas a espera ainda foi longa. Os motoristas haviam se apresentado no horário estimado pela defesa para o fim da audiência, só que alguns testemunhos se alongaram mais do que o previsto.

A total ausência de estrutura do TAS para lidar com um caso de tanto apelo de público e mídia causou confusão e retardou um pouco a saída do atleta. Só por volta de 18h45 Guerrero passou pela porta dupla. Foi cercado pelos fãs, que pediam selfies com crianças e até um cachorro.

Com o semblante esgotado, Guerrero se pronunciou de foram muito breve. Disse que estava confiante e que também está pronto para voltar aos gramados pelo Flamengo no domingo.

Não há previsão de quando a sentença será divulgada, mas há a expectativa de que o resultado se torne público já na próxima semana. O TAS nega qualquer influência neste sentido, mas há total ciência de que as convocações para a Copa da Rússia se aproximam. E um veredicto sobre o caso é de interesse não só dos peruanos e brasileiros, mas também de dinamarqueses, franceses e australianos, adversários do Peru na fase de grupos na Rússia.

Até lá, Guerrero pode respirar aliviado. Depôs com segurança e clareza, dando sua versão dos fatos. A ansiedade, claro, vai acompanhá-lo. Mas agora não há mais nada a ser feito. Só lhe resta esperar.


A audiência desta quinta-feira foi definitiva para selar o futuro do atacante do Flamengo e da seleção peruana.



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