Cirino celebra volta por cima no Al Nasr: "Nunca desaprendi a jogar"

GLOBO ESPORTE: Uma passagem contestada em um dos principais clubes do Brasil. A outra, apagada e sem destaque. Hoje, só alegrias. Marcelo Cirino vive um novo momento na carreira. Mais maduro, o atacante deixou para trás o que passou por Flamengo e Internacional para retomar o bom futebol. Aos 26 anos, o jogador revelado pelo Atlético-PR viu a chance de se reencontrar vestindo a camisa do Al Nasr, dos Emirados Árabes. Ou, como ele mesmo diz, resgatar "o Marcelo que todo mundo conheceu".

Atuar longe do futebol brasileiro parece estar fazendo bem ao jogador de 26 anos. Em Dubai, o atacante vive fase artilheira. Com 14 gols em 26 partidas e quatro assistências, engatou sequência de jogos e aprendeu com os momentos de instabilidade em sua trajetória (veja mais abaixo). Mais sério e "leve", diz ter aprendido após vencer problemas, mas lembra que o apoio da família foi fundamental para dar a volta por cima.

– Sem dúvida a razão foi a minha família, que sempre esteve ao meu lado. Tive alguns momentos no Flamengo e no Inter que não foram bons, mas eles estiveram (familiares) sempre comigo, me dando apoio. E eu também tive força de vontade para voltar a ser o Marcelo que todo mundo conheceu. Atribuo essa minha nova fase a isso, família, amigos e força de vontade - contou em entrevista ao GloboEsporte.com.

Foto: Divulgação
A chegada da pequena Flávia, de um ano e três meses, e de Henrique, de apenas dois meses, transformaram o atacante e deram motivação para superar a fase ruim. Cirino revela estar mais focado e feliz com a nova fase.

– Com o passar do tempo muitas coisas acontecem, o futebol vai deixando a gente mais calejado e vamos aprendendo mais. O futebol bate muito no jogador, e praticamente somos obrigados a amadurecer. Os meus filhos me deram uma maturidade grande. Hoje me vejo centrado, focado nas minhas atitudes e no que preciso fazer. O Marcelo de hoje é totalmente diferente do Marcelo que começou no Atlético-PR.

O atacante diz que não se arrepende de atitudes do passado, mas evita falar em um "novo Marcelo". Não costuma usar termos como "recomeço" e fala que está com cabeça boa.

– Tudo é aprendizado. Se as coisas pelas quais passei não tivessem acontecido, não estaria como estou hoje. Claro que tem situações que, se eu pudesse mudar, mudaria. Mas vejo que tudo tem um porquê. Deus não faz as coisas em vão. Não me arrependo de nada, tudo que aconteceu comigo era para ter acontecido. É um Marcelo mais amadurecido, com a cabeça mais centrada.

– Nunca desaprendi a jogar futebol. Para os que me viram em 2008, sou o mesmo de hoje, com mais experiência, claro, mas é o mesmo futebol. Estou mais preparado para as coisas que lá atrás eu sofri e não conseguia render. Hoje posso dizer que estou pronto. As coisas fluíram, dentro e fora de campo. Estou mais leve. Graças a Deus eu tive oportunidade e sequência. Pode ter um jogo que não faço gol, mas no outro eu faço, e os números estão aí, o que é o mais importante.

Números de Marcelo Cirino
Al Nasr - 2017/208
26 jogos
14 gols
4 assistências
4 cartões amarelos

Cirino acertou com o time de Dubai em agosto do ano passado, contratado por empréstimo por um ano e opção de compra definida ao término do contrato. Com os árabes, tem atuado mais como centroavante, diferente de quando estourou pelo Atlético-PR, atuando pelas pontas e com velocidade. Na negociação, o Al Nasr desembolsou 500 mil dólares (pouco mais de R$ 1,5 milhão), repartidos entre Atlético-PR, clube detentor dos direitos, e o Flamengo, que havia repassado o atleta ao Internacional. De férias no Brasil, o atacante aguarda o futuro (leia mais abaixo).

– A minha vontade é continuar jogando, independente do lugar. Eu quero estar jogando. Tenho contrato com o Atlético-PR, mas se os árabes não me comprarem, tenho que voltar. O mais importante é que estou bem fisicamente e com a cabeça boa. Seja no Brasil ou fora, as coisas vão acontecer. Hoje não tenho nenhuma vontade específica, eu quero jogar futebol.

Futuro indefinido
Marcelo Cirino tem contrato com o Atlético-PR até 30 de dezembro de 2019, clube que detém seus direitos federativos. Os direitos econômicos são divididos com o Flamengo (50%). Qualquer valor de venda ou empréstimo é repartido entre os rubro-negros. O Fla ainda deve R$ 18 milhões pela aquisição do jogador junto a Doyen Sports, fundo de investimento que comprou Cirino junto ao Furacão, em 2014. O clube carioca pretende antecipar a receita da venda Felipe Vizeu para a Udinese para quitar a dívida por Cirino.

Caso o jogador seja vendido, Atlético-PR e Flamengo dividem o valor da venda. Além disso, o Fla "se livra" da incubência de comprar da Doyen o atleta. Do contrário, o Rubro-Negro paga os 3,5 milhões de euros, mais juros de 10% pelos três anos de empréstimo junto ao Atlético-PR.

Com o Al Nasr, o vínculo contratual de Cirino termina no próximo dia 30 de junho, prazo final para que o time árabe exerça ou não a opção de compra. Segundo apurado pelo GloboEsporte.com, existe a possibilidade de o jogador permanecer em Dubai. Caso o Al Nasr não adquira o jogador em definitivo, na teoria, ele retorna ao Furacão, clube pelo qual foi revelado. Se a situação não tiver definição, ele passa a treinar o CT do Caju na sequência. Por enquanto, o jogador segue de férias em Maringá com a família. O atacante, porém, não esconde a vontade de retornar ao Furacão.

– Tenho certeza de que as portas estão abertas para mim, tudo pode acontecer. Nunca posso fechar portas. É um time pelo qual tenho uma gratidão grande, torço muito, converso com o pessoal, principalmente o Santos (goleiro), que é um grande amigo. Tenho contrato, tudo pode acontecer, daqui a pouco posso estar aí. Se um dia eu tiver que voltar ao Atlético-PR, voltarei feliz. É o clube que me revelou e me projetou no futebol. Voltaria super feliz.

Relembre abaixo a trajetória de Marcelo:

Destaque no Furacão
Marcelo Cirino é cria do Atlético-PR. Natural de Maringá, chegou ao CT do Caju quando tinha 15 anos. Estreou como profissional quando tinha 17 anos, em 2009, e acumulou mais de 100 partidas com a camisa rubro-negra. Foi o autor do primeiro gol da nova Arena e ganhou o prêmio de revelação do Campeonato Brasileiro em 2013, quando marcou nove gols. Naquele período, recebeu propostas e sondagens de outros clubes, e ficou muito próximo de um acerto com o Corinthians.

As boas atuações voltaram a chamar a atenção. No final de 2014, foi comprado pela Doyen Sports por cerca de R$ 16,5 milhões, referentes à 50% dos direitos econômicos do jogador. Na sequência, foi negociado pelo grupo diretamente com o Flamengo. A ida para o time carioca teve status de uma das grandes contratações do futebol brasileiro naquela janela de transferências.

Turbulência no Flamengo
A passagem pelo Flamengo, no entanto, não traz boas recordações ao jogador. O início até soou promissor. Contratado como reforço de peso, começou como titular absoluto, em 2015, e ganhou moral com Vanderlei Luxemburgo. Foi artilheiro da Taça Guanabara e somou 11 gols em 43 jogos. Mas a efetividade deu lugar a alguns problemas extracampo. Virou reserva com a chegada de Guerrero e Emerson Sheik, e ainda se envolveu no episódio em que, junto de outros quatro jogadores, foi afastado do grupo por uma semana por ter participado de uma festa logo após uma manhã de treino.

Os bons momentos foram ficando cada vez mais raros, tanto com Luxa quanto com os sucessores Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira. Em 2016, o atacante jogou 50 partidas e fez 12 gols. Sem conseguir emplacar boas atuações, perdeu espaço e esteve em campo em apenas quatro jogos em 2017. No total, fez 104 jogos e marcou 24 gols pelo Flamengo em dois anos e quatro meses.

No ano passado, quando foi apresentado ao Inter, Cirino admitiu que sua passagem pelo Flamengo "não deu certo" por "vários motivos", em meio a "coisas maldosas" que foram veiculadas no Rio de Janeiro a seu respeito.

Chegada ao Inter
Cirino chegou emprestado ao Internacional em abril de 2017, após cinco meses de negociação. Vinculado ao Atlético-PR e Flamengo, a ida do jogador ao Colorado envolveu a vinda do volante Eduardo Henrique, do Inter, ao Furacão, por empréstimo, em troca da contratação. Cirino chegou sem custos ao time gaúcho, apenas com despesas de salários.

O atacante, porém, ficou por menos de três meses no Inter. Não conseguiu espaço na equipe titular de Guto Ferreira e fez apenas 11 jogos, com um gol marcado.


Tive alguns momentos no Flamengo e no Inter que não foram bons, mas eles estiveram (familiares) sempre comigo, me dando apoio.

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