Encerrar a carreira de Guerrero é uma advertência pesada demais

Guerrero provavelmente não apenas está fora da Copa do Mundo como talvez não volte a vestir a camisa do Flamengo.

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Admito que nunca fui exatamente um fã incondicional do futebol de Paolo Guerrero. Já critiquei o peruano por ser temperamental demais, receber um salário alto demais, perder gols bobos demais, até mesmo por ser convocado demais para a seleção peruana, o que eu mesmo admito que não é uma reclamação das mais razoáveis.

Mas por mais que eu tivesse minhas reservas quanto ao nosso camisa nove – sempre achei que muitas pessoas valorizavam demais sua capacidade de fazer o pivô e esqueciam que um centroavante precisa saber, não sei, chutar a gol – uma coisa que eu sempre admirei em Guerrero era sua paixão pelo que fazia. Fosse contra a Cabofriense, fosse contra o Vasco, fosse contra o River Plate, você tinha o tempo todo a sensação de que Guerrero estava dando seu máximo, quer fosse seu máximo em matar com categoria as pedradas bisonhas que vinham da nossa defesa, quer fosse seu máximo em reclamar acintosamente com o árbitro e levar um cartão desnecessário. Guerrero podia estar bem, Guerrero podia estar mal, mas uma coisa que Guerrero nunca estava é de sacanagem.

Diego comemorando gol no Flamengo - Foto: Staff Images
Exatamente por isso é tão triste ver que, segundo a atual decisão do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), que ampliou sua suspensão para 14 meses, Guerrero provavelmente não apenas está fora da Copa do Mundo como talvez não volte a vestir a camisa do Flamengo, já que seu contrato atual expira em agosto e seria complicado justificar a renovação com um atleta que ainda tivesse meses de punição pela frente.

Não que o caso do atacante não seja passível de punição, claro. Guerrero ingeriu sim uma substância proibida, ainda que de maneira não proposital, e algum tipo de advertência precisa ser dada, nem que seja apenas para sinalizar que um atleta não pode ser negligente dessa forma com as substâncias que coloca em seu corpo – eu mesmo demorei muito para aceitar a realidade de um atacante do Flamengo ser suspenso por doping não por tomar alguma atitude absurda numa festa no Barra Music mas sim por seguir uma orientação 100% vovozinha do tipo “toma um chá pra ver essa gripe passa, Paolinho”.

Mas quando o próprio TAS reconhece que o doping se deu através da contaminação acidental por resíduos num chá, é complicado não achar que 14 meses é no mínimo um exagero, ainda mais se levarmos em conta que isso tira um jogador de 34 anos, que já passou seis meses fora dos campos, daquela que é a última Copa do Mundo da sua carreira.

Não é que o TAS não esteja correto em punir Guerrero, é apenas que, se a intenção é advertir o atleta, eu acredito que praticamente encerrar a carreira dele é uma advertência um pouco pesada demais.

E por isso, por mais improvável que seja, ainda torço por alguma reviravolta. Algum recurso, alguma reavaliação, a descoberta de que a decisão do TAS precisa ser anulada porque o tribunal na verdade é presidido pelo zagueiro Rodrigo, ex-Vasco, que nunca gostou mesmo do Guerrero. Porque independente da opinião de qualquer um de nós sobre o futebol do peruano, é muito triste ver um profissional tão apaixonado pelo que faz perder o maior momento de sua vida por conta de uma punição tão injusta.


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