"Estava coçando os meus pés para entrar em campo", diz Guerrero

UOL: Ele não balançou as redes na vitória por 2 a 0 sobre o Internacional diante do maior público do Campeonato Brasileiro - pouco mais de 60 mil presentes -, mas foi o nome da partida do último domingo (6), no Maracanã. Paolo Guerrero se emocionou antes e depois de voltar aos gramados pelo Flamengo. Foram quase sete meses de ausência por conta da punição por doping, porém, a incerteza sobre a carreira não o deixa relaxado.

Se dentro de campo o camisa 9 mostrou o conhecido talento, fora das quatro linhas o drama recente foi exposto. O peruano não escondeu a emoção por jogar, assim como a preocupação com o resultado do julgamento na CAS (Corte Arbitral do Esporte). A cada declaração aos jornalistas, o atacante parava e olhava ao céu.

Guerrero, do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
A decisão do Tribunal é esperada para os próximos dias. Por enquanto, ele segue liberado para jogar futebol, o que afirmou ser a sua vida. Paolo Guerrero vive a expectativa da absolvição, enquanto a Wada (Agência Mundial Antidoping) espera uma condenação - pediu dois anos de pena ao entrar com o recurso. Se for punido, o peruano deixará de realizar o maior sonho da carreira: disputar a Copa do Mundo.

Talvez pela preocupação e também por conta do jeito reservado, ele tratou os últimos dias como algo natural, ainda que tenha sofrido com a ansiedade de voltar aos gramados. Não fez nenhuma reunião específica com os companheiros e tampouco colocou um peso acima do normal no já sempre pressionado Flamengo.

"Estava coçando os meus pés para entrar em campo. A vontade era grande, ainda mais para fazer um gol e comemorar com a Nação. Demos alegria para um Maracanã lotado. Foi um momento lindo. Incrível", afirmou.

Durante a punição por doping, Paolo Guerrero foi proibido de treinar com os companheiros. Ficou isolado no momento mais difícil da carreira e que deixou claro ainda não ter digerido. A possibilidade de passar novamente por isso o perturba. Ele repetiu algumas vezes aos jornalistas que era inocente e clamou por justiça.

"O mais duro foi não ter feito absolutamente nada e ainda receber um castigo. Pensava os motivos de estar passando por aquilo. Treinei sozinho e não pude ver os meus amigos. Foi muito complicado. Isso acabou comigo psicologicamente. Mas tive o apoio dos familiares para me manter tranquilo e não desesperar. A justiça tarda, mas chega", encerrou.

Assediado por torcedores e jornalistas peruanos, Guerrero deixou o Maracanã com apoio dos seguranças do estádio. Ele recebeu novamente o carinho com o qual se acostumou no pior momento da carreira. Reservado, o peruano se mostrou grato por isso. Saber o resultado do julgamento é mais desejado do que balançar as redes. Até lá, jogará futebol com a torcida o carregando no colo. A preocupação, no entanto, continua para ele, Flamengo e seleção peruana.

Não fez nenhuma reunião específica com os companheiros e tampouco colocou um peso acima do normal no já sempre pressionado Flamengo.



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