Fernando Calazans coloca Flamengo em lista de 'times sem padrão'

O GLOBO: Por Fernando Calazans

Uma das características de um time — um conjunto — realmente bom é a regularidade com que se apresenta, ou seja, a capacidade de manter um padrão, jogo após jogo. É algo de que sentimos falta no futebol brasileiro, depois de apreciarmos os grandes times do século passado. Nestes anos 2000, já tivemos, sim, boas equipes, já vimos bom futebol, ainda vemos hoje uma vez ou outra, mas não com a constância de outros tempos. Longe disso.

Aqui no Rio, então, nem se fala. Entre nossos quatro grandes, não há um sequer que transmita ao torcedor e à crítica a garantia de que fará, amanhã ou depois de amanhã, uma exibição coerente com o seu projeto de jogo. Nem Botafogo, nem Fluminense, nem Vasco e nem o Flamengo, teoricamente considerado o de melhor elenco. Depois de uma entusiasmante exibição no meio da semana passada, com a vitória de 2 a 0 sobre o Emelec, e uma exibição mais entusiasmante ainda de Éverton Ribeiro, parecendo ter reincorporado o melhor Éverton Ribeiro do Cruzeiro, o Flamengo fez um dos piores jogos da temporada no último fim de semana, com a colaboração do Vasco: 1 a 1, sem a menor graça, com muita briga e quatro expulsões.

Foto: Gilvan de Souza
Então passemos para o “lado bom" da irregularidade. No dia seguinte, domingo, o Fluminense, que não entusiasmava ninguém, deu uma exibição de bom futebol na vitória de 2 a 0 contra o Atlético Paranaense, que chegou a ter maior posse de bola. Só que, ao tomá-la do adversário, o time de Abel Braga mostrou uma mobilidade no contra-ataque, uma rapidez com dois ou três passes, um enredo de tramas e triangulações capazes de empolgar a torcida. Com destaque de Sornoza e de Jádson, este último, ao que tudo indica, o novo regente do time na passagem da defesa ao ataque. Se eu fosse o Abel, tentaria mostrar ao jovem e futuroso Pedro que existe uma hora para o chute a gol e outra para o passe ao companheiro mais bem colocado. Pedro tem jeito para fazer as duas funções, mas só está cumprindo a primeira.

Então (de novo) voltamos ao foco da coluna e à consequente pergunta: conseguirá o Fluminense manter o padrão desta última rodada? Essa é a questão do futebol do Rio, do futebol do Brasil. É a questão do Flu, do Fla, do Vasco e do Botafogo. Por falar no Botafogo e por ser algo curioso, foi ele que já apresentou a maior regularidade entre os cariocas. Aconteceu no ano passado, sob a regência de Jair Ventura (hoje em dificuldades no Santos), mas não era uma regularidade no sentido de encanto e de atração. Era um formato de jogo bem transmitido pelo técnico e que o time cumpria com disciplina, mas sem brilho. Os outros três já escorregavam nos altos e baixos — e hoje o próprio Botafogo, com Alberto Valentim, ainda não reencontrou um padrão.

Se Abel e os jogadores conseguirem manter o nível do último domingo, o Fluminense pode se tornar um dos poucos times agradáveis de se ver jogar por aqui. Não é o caso do Atlético Paranaense, treinado por Fernando Diniz, jovem técnico por sua vez, e que não tem um elenco que o Atlético poderia ter. Não há treinador, novo ou velho, que faça jogar bem um time de jogadores ruins.

O Flamengo, que enfrenta o River Plate, é o oposto. Um time de bons jogadores (hoje desfalcado), que ainda não se acertou com Zé Ricardo, nem com Reinaldo Rueda, nem com Carpegiani. O personagem da vez é Maurício Barbieri, em plena Libertadores.

Nem Botafogo, nem Fluminense, nem Vasco e nem o Flamengo, teoricamente considerado o de melhor elenco.

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