Flamengo mantém postura eficiente

CHUTE CRUZADO: Pedro Henrique Torre

Em três jogos, três atuações distintas. Uma em cada tom. O copo meio vazio, diante do Santa Fé, na Colômbia, há uma semana. O copo meio cheio, na ótima vitória sobre o Ceará. O copo simplesmente como é, nem acima, nem abaixo, contra a Ponte Preta. É como deve ser encarada a vitória de 1 a 0 do Flamengo na Copa do Brasil. Houve bons momentos, mas, principalmente sinais de como o time pode se adaptar a dificuldades. Desta vez, sem Diego.

A ausência do meia, lesionado, foi algo para Mauricio Barbieri lamentar. Seria a chance de vê-lo mais adiantado pela segunda vez consecutiva, com Paquetá recuado, em uma ótima atuação diante do Ceará. Dar corpo a uma ideia que deu certo. De algum modo, o técnico tentou. Novamente no 4-1-4-1, pôs Everton Ribeiro por dentro ao lado de Paquetá e Geuvânio na direita. A ideia talvez tenha sido manter um ponta de pé trocado, como Vinicius Junior do outro, para puxar o jogo e dialogar com os dois meias por dentro, abrindo espaço a avanços de laterais. O Flamengo começou bem. Principalmente por manter a postura do último fim de semana. Pressionando a Ponte em seu campo.

Vinicius Júnior em Ponte Preta x Flamengo - Foto: Staff Images
Paquetá voltou a encostar em Cuellar para ajudar no início do jogo rubro-negro. De novo, o camisa 11 foi onipresente. Aparecia na esquerda, direita, dentro da área ou recuava à intermediária. É, claro, um ponto muito positivo, mas o garoto ainda deve entender quando e como dosar energias que usualmente têm lhe feito falta na reta final da segunda etapa. Ele dita o ritmo atual do Flamengo. A opção é por girar a bola de um lado ao outro em busca de espaços. Mas a melhora evidente: os cruzamentos deixaram de ser a principal saída ao encontrar um time fechado. De acordo com o Footstats, o time cruzou apenas 12 bolas na partida. Longe do tempos em que 35 era um número normal. É um avanço.

Pois a Ponte Preta tentou, assim como o Ceará, se manter bem fechada em um 4-4-1-1 para negar espaços ao Flamengo e torná-lo mais previsível. Não conseguiu por ser incapaz de se manter protegida com a movimentação dos meias rubro-negros. Everton Ribeiro, mais ao centro, não guardou posição. Alternava tanto com Geuvânio pela direita como com Paquetá, à sua esquerda. Seu rendimento, claro, é bem melhor pela direita, quando sabe trazer a bola ao meio e, mais recuado, enxergar espaços para a bola ou para os companheiros. Assim, ele gerou o lance do gol único do jogo. Da direita ao meio, armou o chute e enxergou Paquetá entrando pela área. O passe foi açucarado e o garoto cruzou rasteiro na medida para Henrique Dourado, contratado para fazer gols, tocar à rede pela oitava vez em jogos oficiais na temporada. 1 a 0.

Se não era um Flamengo com movimentação grande como contra o Ceará, era ao menos um time que dominava o jogo sem sustos. A Ponte se limitava a tentar recuperar a bola e sair pelos lados, com Felipe Saraiva e, principalmente, Orinho à esquerda, em busca das costas de Rodinei. Pouco fez no primeiro tempo. E, no fundo, em todo o jogo. Um adversário limitado com uma apresentação muito aquém de um nível competitivo na elite do futebol nacional.

Na segunda etapa, o vaivém do Flamengo pela América do Sul, da Colômbia até o Ceará, parece ter feito cobrado seu preço com o desgaste. Embora os rubro-negros mantivessem a posse de bola, o jogo era mais lento, com muitos passes laterais, sem buscas por infiltrações ou finalizações. O Flamengo parecia satisfeito com a vitória magra. A Ponte, claro, não. Soltou mais o time, abriu os pontas ao lado de Felippe Cardoso e Tiago Real avançou na criação. Na prática, funcionou pouco. Cuellar, em mais uma ótima atuação, cuidava bem do início do jogo e mostrava recuperação quando necessário. Tentou 77 passes e errou apenas um. Fez cinco desarmes. Não havia espaço para um livre circular dos meias da Ponte.

Doriva pôs mais força em vez de velocidade à esquerda ao sacar Orinho e colocar Junior Santos. Barbieri respondeu com a saída de Geuvânio, a nota desafinada do time. O ponta cortava invariavelmente para dentro, por vezes embolava com Everton Ribeiro, errava dribles e foi pouco produtivo. Saiu para a entrada de Jean Lucas. Everton Ribeiro voltou à sua função original, com Paquetá e o jovem volante por dentro. O Flamengo manteve a consistência. Jean Lucas, com passadas largas e bom passe, mostra ser peça importante no elenco. Fez o time segurar a bola em momentos que já faltavam pernas a Paquetá. Não havia risco ao Flamengo. Apenas se ele mesmo oferecesse algo à Ponte. E assim o fez.

Léo Duarte é zagueiro com boas referências na base e que mostrou potencial e técnica nas poucas vezes que entrou em 2016. Longe de qualquer grande oportunidade em 2017, reapareceu em 2018. Mas não justifica os pedidos de maiores chances até agora. Tem errado sempre da mesma maneira: erra o tempo de bola da bola e até dos adversários. Parece se desconectar do jogo facilmente. Quase custou caro. Perdeu a bola de forma infantil e teve a sorte de ver Felippe Cardoso carimbar a trave na primeira e ser barrado por Diego Alves na segunda. Gerou, sozinho, as duas chances da Ponte no jogo no mesmo lance.

A dez minutos do fim, Barbieri se deu satisfeito com a vitória por um gol e repetiu a dobradinha de laterais pela direita dos tempos de Zé Ricardo ao trocar Everton Ribeiro, já cansado para fazer o vaivém, por Pará. Quis impedir a força de Junior Santos naquele setor. Não sofreu mais e quase ampliou. Mas Vinicius Junior, com atuação mais discreta ao ter quase sempre três marcadores em sua cola na partida, desperdiçou ótimo passe de Renê e bateu por cima de Ivan já no apagar das luzes. Sem explosão, euforia ou desânimo, o Flamengo venceu a Ponte em uma apresentação necessária. 61% de posse, cinco finalizações no alvo, um gol. Eficiente, a meio tom e com ideias para melhorar.

61% de posse, cinco finalizações no alvo, um gol. Eficiente, a meio tom e com ideias para melhorar.



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