Futebol ruim, classificação boa

O Flamengo pareceu ter entrado em campo focado em não permitir que absolutamente nada acontecesse em campo.

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Foi um daqueles cenários em que, podendo jogar com o regulamento debaixo do braço, o time quase literalmente grudou com super-bonder as regras da competição na própria axila. Isso porque, atuando dentro de casa, com a vantagem do empate e precisando apenas de uma partida em que absolutamente nada acontecesse para se classificar para as quartas de final da Copa do Brasil, o Flamengo pareceu ter entrado em campo nessa noite de quinta-feira focado exatamente nisso: não permitir que absolutamente nada acontecesse em campo.

E com a ajuda da Ponte Preta, um time que precisava da vitória para se classificar mas não estava disposto a nenhuma atitude extrema como, por exemplo, fazer um gol, para alcançar esse objetivo,o que tivemos foi talvez uma das partidas mais cansativas e menos divertidas que o Maracanã já presenciou, com um Flamengo visivelmente cansado e que ainda quase conseguiu se complicar numa das únicas jogadas que a Ponte Preta tentou articular e que acabou morrendo na trave de Diego Alves.

Henrique Dourado e Vinicius Júnior durante Flamengo x Ponte Preta - Foto: Gilvan de Souza
Diante de um deserto de criatividade tão grande que quando você via uma boa jogada acontecendo provavelmente era uma miragem ou sua televisão tinha mudado de canal sozinha, é complicado achar aspectos positivos? Claro, mas ainda assim temos algumas coisas a destacar da partida de ontem, como o fato de que Éverton Ribeiro segue acordado e participativo em campo e Jean Lucas parece ter ultrapassado William Arão na preferência de Barbieri, uma ótima notícia não apenas porque o jovem volante demonstra potencial e disposição mas também porque, baseado em suas últimas atuações, William Arão é um homem clinicamente morto e o que vinha entrando em campo era apenas um corpo sem vida.

Mas garantida a classificação para a próxima fase da Copa do Brasil, é hora de pensar nessa que é ao mesmo tempo uma das partidas mais simples e mais perigosas que o Flamengo vai encarar nessa temporada: o duelo contra o Emelec pela Libertadores, na próxima quarta-feira. Simples porque o Flamengo enfrenta, dentro de casa, com o Marcanã lotado, o último colocado de seu grupo, que já está eliminado, precisando apenas de uma vitória simples, por qualquer placar, para garantir uma vaga no mata-mata da maior competição continental. E perigosa porque, se você é flamenguista, você sabe que é exatamente nesse tipo de partida que o time rubro-negro se tornou especialista em aprontar todo tipo de presepada, palhaçadinha e fanfarronice pra estragar o seu meio de semana e permitir que até aquele seu amigo vascaíno, que tá sem moral nenhuma, venha te encher o saco.

E por isso é importante que Barbieri saiba usar a partida contra a Chapecoense, nesse domingo, seja para poupar jogadores que já pareceram cansados nessa quarta, seja para dar ritmo a outros de quem podemos precisar na quarta que vem, se possível garantindo mais três pontos e mantendo o Flamengo na liderança do Brasileirão. Porque o futebol desanimado que praticamos contra a Ponte Preta foi o bastante para passarmos de fase, claro, mas para atingir os outros objetivos da equipe nessa temporada vamos com certeza precisar de muito mais.


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