Já passou da hora de Paquetá na Seleção

ESPN FC: Por João Luis Jr

É difícil considerar que Flamengo x Ponte Preta foi um jogo especial. Apesar da boa vitória fora de casa, que colocou a equipe numa posição relativamente confortável nas oitavas de final da Copa do Brasil, o Flamengo nessa noite de quarta-feira não apresentou quase nada de diferente do seu futebol habitual.

Mais uma vez o meio de campo parecia confuso, mais uma vez Renê e Geuvânio nos mostraram o quão complicado pode ser respirar e se movimentar ao mesmo tempo e mais uma vez o Flamengo atuou como se vivesse numa terra paralela onde todas as partidas são decididas no sistema de “morte súbita” e assim que você faz o primeiro gol você pode apenas abandonar o jogo e deixar pra lá esse lance de jogar futebol.

Lucas Paquetá na Seleção Brasileira - Foto: Matthew Ashton
Mas assim como se mantiveram algumas das constantes negativas, também esteve presente uma das poucas constantes positivas do Flamengo nessa temporada 2018. Sim, ele, Lucas Paquetá.

Alçado a posição de titular ainda em 2017, quando Rueda decidiu que sem Guerrero e com Vizeu fora da equipe ele era a melhor opção para a camisa 9, Paquetá foi rapidamente conquistando o respeito do torcedor flamenguista, seja pela capacidade técnica, com seus dribles que humilham o adversário sete gerações para frente e para trás, fazendo com que até o bisavô do zagueiro comece a chorar no pós-vida, seja por sua dedicação e disposição, que ficaram claras no famigerado vídeo da partida contra o São Paulo em que apenas Paquetá parecia estar preocupado com o resultado enquanto todo o resto do time esperava algum email com promoção do site Melhores Destinos ponto com ou algo assim.

Mas, se na temporada passada descobrimos o futebol de Paquetá, nessa ficou claro que ele não apenas é titular absoluto desse Flamengo, muitas vezes mais confiável e regular que diversos medalhões mais caros e mais experientes, como também é um termômetro do time e com frequência uma das únicas razões para que o torcedor não abandone o estádio ou desligue a televisão. Na partida travada é sempre Paquetá que vai tentar uma jogada diferente, no jogo complicado é sempre Paquetá que vai chamar a responsabilidade, diante da defesa adversária fraca é sempre Paquetá que vai tentar aquela jogada que te faz acordar quando o Flamengo vinha se mostrando mais eficiente que qualquer remédio tarja preta pra dormir.

E ainda que seja obviamente um jogador que ainda tem muito a amadurecer - por mais seguro que possa parecer, Paquetá tem apenas 20 anos -, já ficou claro que ele tem potencial para se tornar não apenas uma das grandes revelações da história do Flamengo como também um grande nome do nosso futebol, o tipo de promessa que, não fosse Tite um treinador tão clubista que prefere convocar um roupeiro corinthiano machucado do que um bom jogador de outro clube, poderia ser levado para a Rússia nem que fosse apenas para ganhar experiência.

Mas enquanto a seleção não descobre Paquetá, enquanto nenhum grande europeu faz com ele o que o Real Madrid fez com Vinícius Junior, cabe ao Flamengo aproveitar esse que talvez seja um dos poucos jogadores do elenco capazes de entender o que realmente o clube representa, o que a torcida espera, e o quanto é possível jogar um futebol ao mesmo tempo bonito e no qual não falta raça e dedicação. Que Paquetá siga crescendo, siga evoluindo, e pelo máximo de tempo possível siga no Flamengo. Não batizaram uma ilha com o nome desse menino por nada.

Que Paquetá siga crescendo, siga evoluindo, e pelo máximo de tempo possível siga no Flamengo.



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