Muralha revela desejo de retornar ao Flamengo: "É um objetivo"

Ele falou sobre o período de adaptação no Japão, a saída conturbada do Flamengo e revelou que se sente perseguido pela imprensa carioca.

ESPORTE INTERATIVO: Há pouco mais de três meses, o Flamengo anunciava o empréstimo de Alex Muralha. O goleiro, criticado pelos torcedores rubro-negros por falhar em jogos importantes, não tinha mais clima de continuar no clube e optou por se transferir para o Albirex Niigata, para disputar a segunda divisão do campeonato japonês.

Nesse período, Alex Muralha preferiu o silêncio e não concedeu entrevista à imprensa brasileira. Mas, o goleiro de 28 anos aceitou conversar com o Esporte Interativo e, em um bate papo que durou cerca de 20 minutos, ele abriu o jogo: falou sobre o período de adaptação no Japão, a saída conturbada do Flamengo e revelou que se sente perseguido pela imprensa carioca.

Confira abaixo a entrevista com Alex Muralha na íntegra:

Foto: Divulgação
Como está a vida no Japão e no Albirex Niigata? Está 100% adaptado?

"O Japão é um país muito bom para viver. O futebol daqui é um pouco difícil, é muito mais corrido, muito mais dinâmico em relação ao futebol brasileiro. Sobre adaptação... Foi muito boa e rápida. Eu já tinha jogado aqui em 2013 (pelo Shonan Bellmare) e tinha vontade de retornar e jogar aqui de novo. A qualidade de vida é muito boa. A cidade que a gente (ele e a esposa) mora é muito frio, mas fora isso é super tranquilo. Estou feliz, adaptado e mais feliz ainda por estar podendo jogar bem de novo. Nosso time está começando a ganhar e encaixar para conseguir o objetivo, que é o acesso (à elite do futebol japonês)".

A língua japonesa está sendo um problema durante esse período de adaptação?

"Eu consigo entender bem. Falar eu não falo muito, mas entendo bem. A comunicação é muito importante e eu precisei estudar em casa. Precisei ficar em casa estudando para aprender cada vez mais. Com a comunicação fica mais fácil para mim e para os demais companheiros".

Você sente muita diferença do futebol japonês para o brasileiro?

"Aqui é muito corrido. Às vezes a bola está no nosso ataque e cinco, seis segundos depois a bola já esta no nosso setor defensivo. Tem que ficar ligado sempre. A segunda divisão é mais corrida que a primeira divisão. Tanto que alguns jogadores que vêm para cá demoraram para entrar no ritmo. Aqui a estrutura é muito boa. Tem campos de Copa de Mundo. Nosso estádio é muito bom. Muito bom em jogar aqui. Estou feliz e adaptado. Minha esposa também está gostando daqui".

Quando você lembra do Flamengo, o sentimento que vem à cabeça é de alívio?

"Não digo alívio. Eu digo segurança. Chegou um momento no Flamengo que estava difícil de eu ir para a rua. Quando eu queria sair de casa tinha que tomar cuidado. Sei que a pressão de jogar no Flamengo é muito grande, mas estava muito difícil para mim. A imprensa estava batendo muito em mim. Qualquer coisa era Alex. Tudo era culpa do Alex. Aqui eu estou mais seguro. Jogar no Flamengo também é muito bom. A torcida é muito diferenciada, mas nesse momento me sinto mais seguro para sair com a esposa, ir ao mercado e ir jantar. Mais tranquilo".

O que passou pela sua cabeça ao assistir às imagens do protesto da torcida do Flamengo?

"Eu vi, sim. Então, eu acho que ano político vai ser difícil para eles. Em ano político tudo pode acontecer. Acho que esse tipo de coisa não pode acontecer. Aí já mexe com a segurança dos jogadores.Mas, infelizmente é assim. Estou aqui na torcida pelos meus companheiros. É muito complicado. Eu passei por isso e é muito chato. Você chegar no aeroporto daquela maneira como se fosse um bandido. Você está trabalhando longe dos familiares e filhos. Muito difícil você passar por essas situações".

Mesmo depois de você se mudar para o Japão, parte da imprensa voltou a noticiar que você tomou gol de pênalti. Você acha que é perseguido pela imprensa carioca?

"Eu não acho. Eu tenho certeza. Porque a gente está sujeito à falha. O goleiro tem que jogar no limite do erro. Eu fiz muitos jogos bons aqui e a imprensa só mostrou a coisa ruim. Se eu tomo gol defensável, eles (imprensa) colocam: 'Muralha franga' e 'Muralha toma gol de pênalti'. Eu acho que estão perseguindo muito. É complicado e difícil. Eu acho que uma hora vai passar. Uma hora vão me esquecer. É ter a cabeça boa porque uma hora vai passar".

Você pretende voltar ao futebol brasileiro no final do ano?

"Sinceramente, eu ainda não pensei nisso ainda. Nesse momento estou recomeçando. Estou voltando a fazer bons jogos e estou bem focado aqui. Em relação a isso, eu vou pensar no fim do ano, com calma".

Acha que o seu ciclo no Flamengo chegou ao fim ou pretender voltar um dia ao clube?

"Eu quero melhorar a imagem. É um objetivo de vida meu. Quero, sim, voltar a jogar no Flamengo. Quero dar o meu melhor aqui. Tenho contrato com o Flamengo e, caso precise, volto a jogar com a camisa do Flamengo e mostrar o meu valor".


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