O jogador brasileiro ainda é um ‘cai-cai’?

Opinou o ex-lateral de Seleção, Flamengo, Juventus, Bayer Leverkusen e tanto outros.

GOAL: Uma das maiores críticas feitas a Neymar, quando o astro brasileiro dava os seus primeiros chutes no futebol europeu, era o excesso de jogadas na qual o ex-santista se atirava nos gramados, buscando uma falta ou pênalti.

Com o passar dos anos, Neymar evoluiu em tais lances. Mas a mesma crítica não se restringia ao atual camisa 10 da Seleção, e tampouco ao comportamento dos nossos jogadores apenas nos gramados europeus. A reclamação existe também nos campeonatos disputados do Oiapoque ao Chuí. Por isso, criou-se a imagem do brasileiro como símbolo do jogador ‘cai-cai’. Mas será que esta generalização tem fundamento?

“É fruto de uma cultura da malandragem, do tirar vantagem a qualquer custo. Jogadores são estimulados a fazer, a tentar 'salvar' um lance perdido ou uma escolha equivocada cavando uma falta”, opina o jornalista Bruno Formiga, comentarista na TV Esporte Interativo e apresentador do quadro ‘Polêmicas Vazias’, no canal do EI no YouTube.

Erro da arbitragem contra o Flamengo ao não expulsar D'Alessandro - Foto: Reprodução
Já na opinião de quem teve sucesso nos gramados do Brasil e Europa, como Athirson, a imagem do brasileiro como ‘cai-cai’ diminuiu nos últimos anos graças à evolução do preparo físico:

“Eu acho que de uns anos pra cá melhorou muito. Era uma coisa muito comum, mas o jogador brasileiro ficou com mais força, acreditando mais em seguir com a jogada, e com isso passou a dar menos valor às faltas. Alguns jogadores ainda tem essa característica, por serem mais franzinos e usarem disso para tirar benefício em prol do seu time”, opinou o ex-lateral de Seleção, Flamengo, Juventus, Bayer Leverkusen e tanto outros.

Para Carlos Eduardo Mansur, do jornal O Globo, que escreve uma das colunas mais aclamadas no segmento esportivo, a questão é muito mais profunda e não é exclusividade do futebolista brasileiro: “Não acho que seja exclusividade do jogador brasileiro, mas de fato em nossos campos tal comportamento prolifera. Vejo como resultado de uma cultura instalada desde a formação do jogador, questão basicamente de educação”, opina.

A opinião de Fernando Martinho, fundador da revista Corner, segue a mesma linha: “Não é uma regra do jogador brasileiro. Talvez existam mais brasileiros do que outros de outras nacionalidades, mas não é o jogador brasileiro que é cai-cai. Mas há uma cultura permissiva que acaba fomentando que jogadores se joguem para obter algum tipo de vantagem esportiva”.

O problema existe no mundo todo, embora muitas vezes seja atrelado ao jogador brasileiro. Mas, pensando pelo lado prático: o que deve ser feito para evitar algo que, nas palavras de Bruno Formiga, “Prejudica o jogo limpo e principalmente o jogo mais fluido, melhor jogado”?

Nas palavras dos entrevistados, a solução está na mudança da educação dos atletas e na punição destes atos quando eles acontecerem nas mais diversas partidas.

“A Inglaterra já adotou como norma a suspensão pelo que eles chamam de 'diving'. É uma boa medida, embora a sanção precise ser aplicada com total certeza de que não houve um desequilíbrio do jogador num lance. Não parece razoável proibir que atletas caiam em campo após contatos, é uma consequência natural do choque”, observa Mansur.

“Não adianta só a punição. No profissional você corre atrás de um problema que vem da base. Além disso, debater, como estamos debatendo, ajuda. Traz à tona e faz as pessoas olharem para algo que antes podia ser visto como normal. Com o tempo talvez diminua, mas tudo precisa convergir”, completa Formiga.

E exemplos positivos para diminuir o ‘cai-cai’ não faltam: “embora haja grandes craques admirados por suas habilidades, ainda que vez por outra recorram a simulações, é notável o quanto o mundo devota especial reverência a craques reconhecidos também pela esportividade, pela atitude, pelos valores que preservam. Messi e Iniesta, por exemplo”, relembra o colunista do ‘O Globo’.

Educação e esportividade para resgatar o que o futebol tem de melhor. Principios que inspiraram a iniciativa #StopDiving . Afinal de contas, se o jogador ‘cai-cai’ não é uma exclusividade brasileira, ele está em todo o mundo, assim como a necessidade de mudar essa prática.


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