Se fosse fácil, não era Flamengo

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Poderia ter sido mais fácil, claro. Num Maracanã lotado, diante do último colocado do grupo, um Emelec já eliminado e tão sem objetivos de vida quanto seu primo de 35 anos que está tentando vestibular pra filosofia, o Flamengo conseguiu dominar a partida, criar chances, mas ainda assim deixou claro que segue viva a recente tradição rubro-negra de ser uma equipe incapaz de matar um jogo mesmo num contexto em que a eutanásia assistida foi legalizada e o próprio adversário trouxe para a gente a arma, as balas e os documentos para comprovar que está tudo certinho com o plano funerário.

Poderia também ter sido mais tranquilo, óbvio. Diante do fato de que Tite já divulgou sua lista e Diego Alves não se encontra nela, é absolutamente desnecessário que a defesa siga, mesmo diante de equipes cujos ataques não beliscariam uma vaga na pelada solteiros x casados do clube dos bancários, criando oportunidades para que o arqueiro do Flamengo mostre suas habilidades em situações de pressão.

Everton Ribeiro agradecendo a Deus em comemoração pelo Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
Mas ainda que não tenha sido perfeito, ainda que não tenha sido ideal, ainda que jogadores como Paquetá e Dourado, por exemplo, tenham atuado bem abaixo do que se espera, a vitória de 2x0 contra o Emelec, nessa noite de quarta-feira, valeu, e valeu muito.

Valeu porque Éverton Ribeiro, tantas vezes criticado alguns meses atrás, mais uma vez mostrou que não apenas não desaprendeu como se joga bola como segue sendo um jogador capaz de desequilibrar uma partida, seja com um passe, com um chute, com uma cobrança de falta. Valeu porque Réver, nosso capitão, mostrou que não apenas tem plena consciência do quão séria é uma Libertadores como está disposto a chutar bolas até a fronteira de algum dos nossos países vizinhos para provar isso.

Valeu porque Cuellar segue deixando claro que é parte da espinha dorsal do atual Flamengo, um jogador tão incansável na marcação que nesse momento deve estar dentro do avião da equipe equatoriana, roubando as bolas que eles usam para os treinos. Valeu porque pela primeira vez em minha vida me peguei elogiando Renê, e, ainda que isso talvez seja um argumento contra a bebida nos estádios, também pode ser um sinal de que nosso lateral-esquerdo, apesar de não ser o jogador ideal para a posição, segue tentando evoluir.

E valeu porque sim, o Flamengo chegou ao mata-mata da Libertadores, um feito que, apesar de não ser mais do que a obrigação para uma equipe milionária cujos salários possivelmente comprariam os bens e toda a família dos nossos rivais de grupo, havia se tornado um tabu após as recentes desclassificações patéticas do clube na competição continental.

Mas isso é apenas um passo, claro. O Flamengo precisa de mais. A articulação das jogadas precisa melhorar, Paquetá precisa ser menos individualista, Henrique Dourado precisa conseguir dominar e passar ao menos uma bola, Diego precisa possivelmente ser exorcizado, já que está possuído pelo espírito obsessor de Zinho na Copa de 94.

O Flamengo ainda tem muito a melhorar se quiser realmente brigar pelo título da Libertadores. Mas, por hoje, rubro-negro, você pode dormir sossegado, com a consciência de que o tabu foi quebrado, a vergonha foi evitada, o Flamengo está classificado. Mas amanhã é dia de trabalhar de novo, porque se tem uma coisa que é inerente ao Flamengo, assim como a raça, assim como a coragem, assim como a magia, essa coisa é a certeza de que, independente de onde estivermos, precisamos estar sempre buscando mais, muito mais.

Essa coisa é a certeza de que, independente de onde estivermos, precisamos estar sempre buscando mais, muito mais.



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