Zico, ídolo do Flamengo, deu um show em Itajaí

DIARINHO: O Gigantão das Avenidas ficou rubro-negro  na noite de sábado, em mais uma edição do Jogo das Estrelas em Itajaí. Maior ídolo da história do Flamengo, Zico levou torcedores de todas as idades para acompanhar o evento, que tinha como outra atração Falcão, craque da Seleção Brasileira de futsal. A organização registrou um público de 1468 pessoas, com cerca de uma tonelada de alimentos arrecadados que serão doados para instituições e famílias carentes.

Dentro de campo, Zico fez o que se esperava dele, mesmo aos 65 anos. Com a camisa 10, jogou boa parte do tempo e comandou a goleada por 10 a 3 da equipe amarela com muitas assistências para gols. Do lado de Falcão, time azul, quem roubou a cena foi Denílson Show, abusando dos dribles e jogadas de efeito para levantar a galera.

Nem o atraso de uma hora para começar a partida desanimou os flamenguistas, que encararam o frio e lotaram o setor de cadeiras e parte da coberta do estádio Dr. Hercílio Luz, casa do Marcílio Dias. Aliás, foi justamente em um amistoso contra o Marinheiro que Zico atuou pela primeira vez em Itajaí, na época de ouro do Flamengo. O duelo aconteceu em 1976, com vitória rubro-negra por 3 a 1.


Presente naquele jogo histórico, Wilson Vargas, 49 anos, voltou ao Gigantão das Avenidas para ver o ídolo de perto. 

“Eu lembro do estádio lotado, com a grande maioria de flamenguistas, até porque muitos marcilistas são simpatizantes do Flamengo. Naquela época muitos jogadores titulares daquele timaço do Flamengo vieram e o Zico jogou muito. Ele é meu maior ídolo e não podia perder a oportunidade de ver ele de perto, ainda mais que faço aniversário amanhã (domingo)”, comemora o morador de Balneário Camboriú, que levou a esposa Soeli Oliveira Lima Vargas para ver Zico de perto.

Se dentro de campo o Galinho foi um dos maiores da história do futebol brasileiro, fora dele Zico também é um exemplo para os torcedores. É o que ressalta Antônio Carlos da Silva, de 51 anos, que trouxe a família de Jaraguá do Sul para Itajaí para assistir ao ídolo em ação.

“Acompanho o Flamengo e o Zico desde a década de 70, mas é a primeira vez que vou ver ele de perto. Além de ser uma grande jogador, o Zico sempre foi um exemplo de vida. Um profissional e um pai de família exemplar, o que é muito importante nos tempos atuais”, completa.

A idolatria por Zico fez Osvaldo Marcanssoni, 51 anos, transformar o seu bar no calçadão da avenida Central, em Balneário Camboriú, em uma templo em homenagem ao craque. Com muitas fotos e quadros, Osvaldo levou uma das peças para o estádio para mostrar sua admiração pelo Galinho.

“Sou muito fã do Zico, tenho imagens dele não só no Flamengo, mas também em outros clubes por onde ele jogou. O Zico é um ídolo não só como jogador, mas também pela pessoa que é e as pessoas que passam no meu bar se identificam com isso”, afirma o comerciante.

Até mesmo quem não teve a oportunidade de viver a época de Zico no Flamengo tem o eterno camisa 10 como um dos seus maiores ídolos. É o caso de Mateus Iago de Medeiros, de apenas oito anos, que joga na escolinha de futebol do rubro-negro carioca em Itajaí. Ele e os colegas participaram de uma das preliminares do jogo principal e Mateus deixou o campo orgulhoso por ter marcado dois gols na noite.

“O Zico é um dos meus ídolos junto com o Petkovic. Meu pai já me mostrou vários vídeos e é muito legar poder jogar no mesmo campo que ele e o Falcão”.

Famosos e anônimos se rendem a Zico

Se os olhos da torcida não saíram dos principais craques em campo, dentro dele um grande número de ‘anônimos’ teve a oportunidade de jogar com os ídolos e realizar um sonho. Além das estrelas, as equipes foram compostas por autoridades locais, apoiadores do evento e alguns ex-jogadores da região.

O repórter João Pedro representou o DIARINHO na pelada e realizou um sonho. “Uma noite emocionante e especial, dividir o vestiário com craques como Zico, Falcão e Denílson”, contou. João teve até momento de ídolo ao descer do ônibus junto com os craques no estádio. “Estar no ônibus, descer e encontrar aquela multidão gritando “Zico, Zico”, foi muito emocionante”, contou.

No gramado, o repórter jogou 15 minutos no time do Falcão, e conseguiu fazer uma tabelinha com Denílson. Em outra jogada, foi vaiado ao desarmar o Galinho, que seguia para marcar um gol.

Flamenguista fanático, o prefeito de Araquari, Clenilton Pereira, vestiu a camisa 9 do time de Zico e teve a oportunidade de deixar sua marca com passe do ídolo. “É a realização de um sonho. Jogar com meu ídolo e no mesmo time é ainda mais gratificante. Só tenho a agradecer à organização pelo convite”.

Se teve quem fez gol com passe de Zico, teve também quem sofreu gols com passe até de calcanhar do Galinho. Goleiro do time de Falcão, o bancário Cristiano Brito, 42 anos, admite que ‘tremeu’ diante do craque. “É algo inexplicável. Apesar de ser colorado, o Zico é um ídolo nacional, então também é meu ídolo. Tive que segurar a emoção… É uma pessoa humilde e simples, e com uma história no futebol inquestionável”.

Nem só os anônimos do jogo que aproveitaram para tirar uma foto ou pedir um autógrafo de Zico. Ex-jogador profissional, César Prates também aproveitou o evento para conhecer e conversar com o ídolo.

“Quando eu era garoto eu via o Zico jogando, e hoje tive a oportunidade de encontrar com ele pela primeira vez. O Zico alcançou uma notoriedade maior que todos nós que fizemos parte desse evento, mas todos estão de parabéns por participar. Que a região tenha mais eventos assim, que levem alegria para o coração das pessoas e beneficie alguém com isso”, comenta Prates, ressaltando também o caráter beneficente do Jogo das Estrelas.

Considerado um dos maiores jogadores de futsal da história, Falcão fez mais sucesso entre a garotada que pratica o esporte. Na coletiva antes da partida, ao lado de Zico, o craque das quadras fez questão de exaltar o adversário da noite.

“É um prazer voltar a Itajaí e a Santa Catarina, estado onde morei por oito anos. Carregar o nome do evento junto com o Zico é uma honra, já guardei uns 10 panfletos do evento pra ter de recordação. Sou amigo do Zico e da família dele, e a gente tem uma respeito e um carinho muito grande um pelo outro, sempre estou nos jogos dele lá no Rio de Janeiro. Estou aqui como fã, assim como vocês. Acho que ele é uma unanimidade entre os torcedores brasileiros e fico muito feliz de estar dividindo o campo com ele neste evento”, diz Falcão.

Quem também concedeu entrevista antes do jogo foi Denílson Show. Pentacampeão com a Seleção Brasileira em 2002, o agora comentarista esportivo se disse um coadjuvante da noite. “Participar de um evento que leva o nome do Zico e do Falcão é algo especial. Tenho o privilégio de ser amigo dos dois. O Falcão é o ‘Pelé do futsal’. E o Zico dispensa qualquer comentário, é maior como pessoa do que como atleta. O atleta passa, o que fica é o ser humano. E sempre me identifiquei com ele por isso. Hoje me sinto um coadjuvante, sou mais um grão de areia na festa”, completou o ex-jogador, que tem casa em Balneário Camboriú e já virou figurinha carimbada em eventos locais.

Durante o jogo, Denílson e Zico passaram em frente a área vip do evento, atrás de uma das traves, tirando fotos e distribuindo autógrafos. Falcão também teve um contato mais próximo com os fãs, passando  ali para comemorar um de seus gols.

Os projetos Reviver e Brasil Esperança, além de famílias cadastradas diretamente com a organização do evento receberão os alimentos arrecadados no evento.

Bate-papo com Zico

Antes de a bola rolar no Gigantão das Avenidas, Zico concedeu uma rápida entrevista coletiva e falou sobre o reconhecimento e carinho do torcedor brasileiro, eventos beneficentes  e a Seleção Brasileira. Confira como foi o  bate-papo com a imprensa:

DIARINHO – Como é chegar no estádio e ter esse carinho que você recebe em todo o Brasil?

Zico: É sempre bom. Acho que tudo é fruto de uma carreira, de um trabalho bem feito. Esse é o melhor reconhecimento do que a gente leva de todos esses anos que a gente procurou fazer dentro da profissão que escolhi.

DIARINHO – O Jogo das Estrelas aqui está completando 10 anos e, assim como outros eventos no Brasil, tem como referência o seu Jogo das Estrelas no Rio de Janeiro. Você se vê como uma inspiração para que tantos eventos aconteçam ajudando instituições?

Zico: Esse é o objetivo. O Jogo das Estrelas surgiu decorrente de uma iniciativa que teve em 1971, de uma entidade chamada Associação de Deficientes Físicos, que era muito bem presidida pelo Blanco, um goleiro de futsal que sofreu um tiro e ficou paraplégico. Eu joguei quase 30 anos esse jogo e quando o Blanco faleceu meu filho teve a ideia de fazer no campo. Então o intuito sempre foi de ajudar instituições e cresceu de uma tal maneira, que a gente teve que passar pro Maracanã. Hoje tem entidades que ficam ali esperando aquele cheque final do jogo e a gente fica muito feliz de poder dar essa contribuição. Isso é fruto de reconhecimento de atletas, como o Falcão, e amigos que fiz durante a carreira e que entendem a finalidade do evento. Um sucesso.

DIARINHO – Você é um grande ídolo do Flamengo e do Brasil, até mesmo de pessoas que nunca te viram jogar na sua época. Como você vê hoje o futebol brasileiro cada vez com menos ídolos atuando no país? A própria Seleção Brasileira é uma prova disso, com os jogadores que estão no exterior tendo prioridade na convocação em relação aos que estão aqui no Brasil.

Zico: Eu sou muito grato aos avós, aos pais, aos tios, que fazem a cabeça da garotada. A garotada não tem mais como enganar. Os avós, pais e responsáveis podem até aumentar, mas hoje o garoto vai lá no Google e dá o play e vai ver de quem estão falando. Tive a felicidade de pegar uma época que tinha vídeos, e faziam muitos jogos pela TV. A gente se entristece de ver que o torcedor brasileiro não pode mais discutir na esquina que o jogador do seu time está na Seleção Brasileira e o do amigo não, como acontecia antigamente. É uma pena. Desses três que estão hoje, só o Cássio jogou só no Brasil. Tanto o Geromel quanto o Fagner já saíram do Brasil pra ir pra outros centros, como Europa e Ásia. É uma pena que os jovens jogadores estão saindo cedo, não estão sendo formados aqui no Brasil, então perdem a essência do futebol brasileiro. Pelo menos o que está nos representando hoje é uma Seleção que a gente pode confiar. Espero que o Tite continue com esse trabalho, com essa mão firme, para nos dar muitas alegrias no futebol.

DIARINHO – Como é pra você estar na frente de pessoas que te viram jogar e começaram a gostar de futebol por sua causa, ou se tornaram flamenguistas por sua causa?

Zico: Melhor não pensar muito não, senão a gente fica muito metido. É lógico que hoje tenho muito mais noção do que eu represento, do que eu representei, porque assim que eu parei de jogar, eu saí logo do Brasil, fiquei muito tempo fora. Então de uns três anos pra cá que eu estou mais fixo no Brasil, comecei a entender no dia-a-dia, nas viagens, nos aeroportos. Isso é bacana. Tantos anos dedicados à profissão, tanto suor gasto em treinamentos, e preocupações, viagens, hotéis, ausência familiar. Esse reconhecimento é muito legal. Hoje em dia eu vou pra onde eu vou sozinho, procuro atender, dar felicidade a todo mundo e acho que isso contribui bastante. Fico muito grato e feliz de ter uma carreira dessa forma.

Até mesmo quem não teve a oportunidade de viver a época de Zico no Flamengo tem o eterno camisa 10 como um dos seus maiores ídolos.



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