Adolescente morto na Maré tinha duas paixões: Flamengo e música

O GLOBO: Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, o adolescente morto no Complexo da Maré, era o primeiro filho do casal Bruna, de 36, e José Gerson da Silva, de 37, e foi muito aguardado. A criança veio um ano depois que os dois estavam casados. O pedreiro, que conhecia a diarista desde a infância na Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, onde ambos nasceram e vivem até hoje, via assim realizado o seu sonho de ter um menino como primogênito. Dois anos depois veio Maria Vitória, a irmã de Marcos, hoje com 12 anos.

— Ele foi programado. A gente o queria muito, mas o levaram. Veio um menininho do nosso jeito, levado e que não levava desaforo para casa, igual o pai e a mãe — descreveu Bruna.

Foto: Divulgação
José Gerson contou que seu sonho sempre foi ter um filho homem para assumir a família depois que ele se fosse. O pedreiro disse que o filho sabia desse seu plano para ele, mas preferia acreditar o pai ainda viveria muito. O tiro que matou o adolescente frustrou não só o desejo de José Gerson como também o do adolescente, que amava música e sonhava se tornar MC. Segundo o pai, o garoto até arriscava algumas composições próprias.

—— Ele queria ser MC. Gostava de funk e não deu tempo (de realizar o desejo). Ele até cantava algumas músicas, quando estava próximo de dormir, já pensando no outro dia. Às vezes cantava algumas letras para mim e eu tentava melhorar algumas coisas — relembrou o pai..

Nascido numa família de vascaínos, Marcos chegou a também torcer pelo Vasco quando criança. Mas, ao atingir a adolescência, influenciado pelos amigos virou a casaca. A partir daí, o Flamengo, passou a ser uma das suas principais paixões, juntamente com a música. O caderno que ele levava na mochila de cor abóbora, quando foi atingido pelo disparo, tinha na capa o escudo do time de sua paixão.

O pai disse que chegou a fazer o esforço de comprar um uniforme oficial do time para o menino e, mesmo a contragosto, fazia questão de assistir ao lado do adolescente as partidas do rubro negro. O garoto cursava a 7ª série no Ciep Operário Vicente Mariano, na Maré, pela manhã. À tarde, quando não estava na escola, ocupava o tempo jogando bola numa quadra perto de casa ou com a música. Como todo jovem, também passava boa parte do tempo ao celular. Como não tinha um aparelho próprio, usava o da mãe.

— É uma das lembranças que vou guardar dele. Meu telefone, a bem dizer, já era dele. Ele vai fazer falta nisso. Ficava acordado comigo até de madrugada, dividindo o mesmo celular. Ele era um filho maravilhoso. Levado, às vezes, respondão, mas isso é de criança. Com 14 anos já era um rapazinho, me defendia de tudo. Era um garoto bonito, com muitas meninas falando com ele no WhatsApp. No melhor da idade tiraram o meu filho — lamentou a mãe.

O pai contou que o garoto chegoua vender biscoito na Linha Vermelha, mas parou por medo da violência, a mesma que levou a sua vida, nesta quarta-feira a caminho da escola. O sepultamento do jovem está programado para o final da tarde desta quinta-feira, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. O corpo está sendo velado no Palácio da Cidade,sede oficial do governo municipal, no mesmo bairro.

O secretário municipal de Educação, César Benjamim, que acompanhou os pais do garoto no Instituto Médico Legal (IML), durante a liberação do corpo, disse que o município está dando todo o apoio à família.

— Nós vamos buscar uma alternativa de moradia para essa família. Vamos dar toda assistência a ela — prometeu.

O secretário disse que após a morte da menina Maria Eduarda, de 13 anos, na Pavuna, no ano passado, foi feito um trabalho intenso com a Secretaria de Segurança, resultando numa normativa determinando a suspensão das operações em comunidades no horário escolar, a qual não estaria sendo cumprida em ações mais recentes. Ele disse que vai procurar novamente a secretaria para rediscutir esse assunto.

César Benjamim disse ainda que a segurança dos alunos é uma de suas principais preocupações e que o tema ocupa de três a quatro horas do seu dia. Destacou que durante a operação, que resultou na morte do estudante, esteve em contato com a Secretaria de Seguran em tempo real e que, graças a sua intervenção, a ambulância chamada para socorrer o garoto conseguiu chegar e deixar o local.

— Eu trabalho em cima desse assunto diariamente. Mantenho pelo menos 15 contatos por dia com a área de segurança. Nós temos evitado centenas de situações. O que aconteceu ontem foi uma situação que saiu do controle, por causa de uma operação mal planejada e com excesso de violência. Eu mantive contato em tempo real com o secretário de segurança e a operação foi interrompida graças a minha intervenção. Traballhamos duramente nessa questão e garantimos um nível de segurança para a rede escolar do município muito superior à que existia até o ano passado — afirmou.

O caderno que ele levava na mochila de cor abóbora, quando foi atingido pelo disparo, tinha na capa o escudo do time de sua paixão.

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