Em meio à zombaria, Diego pode ter razão

FUTEBOL E FICÇÃO: POR NETO 

A Seleção Brasileira me causou aflição no primeiro tempo do amistoso contra a Croácia. A equipe padeceu diante da marcação encarniçada do adversário no campo de ataque. O meio de campo formado por um ótimo trio, mas desnaturado da armação frequente e de excelência, angustiou este voyeur da bola. Estranho ver o time canarinho sem um jogador “pensante”, desprovido do cérebro que distribui a bola, dá assistências improváveis, um clássico, como queiram.

Casemiro é ótimo marcador, passador e volta e meia encaixa bons chutes. Fernandinho é versátil, tem a essência do jogador burilado por Guardiola, possui vários predicados. Paulinho é uma espécie de “falso 9”, um perigo na área irrompendo de trás. Nenhum deles, porém, cumpre o papel da criação mais requintada. Não há um Iniesta, um Davi Silva, um Kroos ou um Modric, para citar quatro maestros que nos brindarão em gramados russos. Um pequeno gênio que dê farturas de passes fora do normal e a quem o time sempre recorra. O incumbido de fazer o jogo fluir, capaz de desobstruir defesas por sua natureza visionária.

Diego e arbitragem durante Flamengo x Bahia - Foto: Gilvan de Souza
No período que antecedeu a definição da lista final, Tite usou o termo “ritmista” para se referir a jogadores talhados a construir. Deu ao termo larga abrangência. Na leva estavam cinco dos convocados: o próprio Fernandinho, Renato Augusto, Coutinho, Fred e até Willian. Em sua explicação, afirmou que há nuances entre eles, particularidades na forma de jogo. Todos capacitados a alimentar o ataque. Renato é titular habitual e, assim como Coutinho, é mais próximo do estilo descrito acima. De fato, a equipe fica encorpada com eles, pudemos notar isso nesses quase dois anos do técnico no comando. Com um deles na função, o jogo tem dinâmica e não depende quase exclusivamente das saídas pelos lados, com Marcelo, Willian e Danilo, como o ocorrido diante da Croácia. Ainda assim, nenhum deles é candidato ao epíteto de maestro.

Ok, grandes times podem prescindir de um. Ainda assim, cabe a pergunta: não poderá Tite, em algum momento da Copa, sentir a falta de um camisa 10 clássico? Fui pego de assalto pela indagação durante o amistoso e, inevitavelmente, a vi associar-se à declaração do flamenguista Diego que gerou burburinho e bílis aqui e acolá dias antes. Ao falar da frustração de não ter sido convocado, disse, em rasgo de franqueza (para alguns, prepotência): “Eu perco, mas a Seleção também por não contar com minha qualidade e experiência”.

A Seleção que vai à Rússia não tem um jogador com as características de Diego. Curiosamente, foi mencionado por Tite quando o técnico foi provocado a elencar os ‘ritmistas’. Para encorpar sua declaração, o jogador deu o argumento que mais está a seu alcance: foi brilhante contra o Corinthians, conduzindo o líder do Brasileirão à vitória, no último domingo. Como se Galileu, na inquisição, sussurrasse: E pur se muove (mas se movimenta). O trabalho de Tite é ótimo e a Seleção é uma das favoritas ao título mundial. O que não dispensa a possibilidade de sentir sim a falta de um Diego.

Fui pego de assalto pela indagação durante o amistoso e, inevitavelmente, a vi associar-se à declaração do flamenguista Diego.


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