Entenda como alta do dólar têm impactado clubes brasileiros

GLOBO ESPORTE: A quinta-feira terminou com o dólar batendo a casa dos R$ 4. A moeda americana fechou o dia em R$ 3,92 e terminou a sexta-feira valendo R$ 3,70. A variação de quase 3% para mais e depois de 5% para baixo em menos de 24 horas assusta a economia brasileira. E também os clubes do Novo Basquete Brasil. Com o mercado fervendo, as equipes buscam reforços e renovações de contrato visando o NBB 11 e sofrem com a questão.

O motivo? Jogadores estrangeiros de alto nível, sempre alvos, normalmente fixam seus contratos em dólar. Assim, a instabilidade deixa uma nuvem de incerteza para a temporada e faz todos terem um pé atrás. Um jogador contratado hoje por US$ 15 mil (R$ 55 mil na cotação de sexta-feira) pode valer quase R$ 75 mil caso a moeda siga a tendência de alta e alcance por exemplo os R$ 5 reais, o que muitos analistas acham palpável até o fim de 2018. No mesmo período do ano passado, o dólar estava cotado em R$ 3,27. Hoje, está em R$ 3,70. Um jogador contratado a US$ 20 mil custava R$ 65 mil e agora custaria R$ 74 mil.

Foto: LNB
Com os orçamentos em mesa, as equipes tentam se precaver. A preferência é pelo contrato em Real. Alguns atletas já fixados no país, com temporadas nas costas, aceitam a medida e quase que a totalidade dos times passou a trabalhar desta forma. Mas, trazer estrangeiros de renome ou com destaque no mercado sul-americano e europeu tornou-se mais complicado.

Daniel Nóbrega, brasileiro e agente de diversos estrangeiros que atuaram no último NBB, como Rush, do Minas, explica que o momento instável faz com que exista uma queda de braço entre clubes e jogadores.

- Prejudica bastante. A maioria dos clubes quer fechar em Real, ainda mais porque além de estar alto, está bem instável o Dólar. O que acontece é que os clubes acabam descendo a faixa de valor em dólar na procura pelos atletas para ter uma margem de segurança, vamos assim dizer. E os caras de alto nível que ainda não jogaram no Brasil só negociam em dólar mesmo - diz o agente.

O Vasco, por exemplo, tinha David Jackson com o contrato na moeda estrangeira nesta temporada e na anterior, e seu salário foi inflacionado. Com salário de cerca de US$ 20 mil, o clube viu o ordenado do astro crescer substancialmente do primeiro para o segundo ano.

O Flamengo, que na última temporada teve três estrangeiros, David Cubillan, Ronald Ramón e MJ Rhett, conviveu com esse problema em um passado recente. O pivô Jerome Meyinsse tinha seu contrato em dólar. Após três temporadas no Rubro-Negro, houve dificuldade na renovação, o time chegou a enviar proposta , mas por decisão própria o americano deixou o Flamengo rumando para o San Lorenzo e depois para o Atenas Cordoba, ambos da Argentina. O orçamento para 2018/19, óbvio, é em Real, e o dólar alto atrapalha.

- Claro que o dólar prejudica. Nosso orçamento é em Reais. Com o dólar perto dos R$ 4, fica bem mais oneroso contratar atletas estrangeiros. Vamos tentar indexar em Reais esses acordos, caso contratemos algum estrangeiro para o time - diz Alexandre Póvoa, vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo.

No Botafogo, a situação econômica não tem prejudicado tanto. O time contratou até o momento jogadores que atuam no país e o único estrangeiro, o armador Jamaal, tinha seu contrato fixado em real e renovou da mesma forma. Porém, a diretoria sabe que, caso busque gringos que nunca atuaram por aqui, terá problemas.

- Se fosse negociar com um estrangeiro neste momento, que nunca jogou no Brasil, aí sim teríamos problemas com a alta do dólar. Ainda não tivemos problemas e contratamos basicamente jogadores nacionais pedidos pelo técnico - disse Marcos Guinâncio, diretor de basquete do Alvinegro.

Em Mogi, o NBB 10 terminou com uma trinca de respeito de gringos. Shamell, Tyrone e Larry Taylor. Todos adaptados ao país. Os contratos eram fixados em real. Larry partiu para o Baur, Tyrone tem proposta do San Lorenzo, da Argentina, e Shamell também é pretendido pelo mercado. Substituí-los à altura com estrangeiros não seria nada fácil neste momento, já que a política na cidade é de manter a qualquer custo os vínculos em Real.

Maior orçamento, Franca não tem estrangeiros

Patrocinado desde a temporada passada pela Fiesp, o Franca não teve estrangeiros em seu elenco no NBB 10. Normalmente, clubes patrocinados pela entidade só contam com atletas nacionais. Porém, o Vôlei Bauru, que detém o mesmo parceiro, terá na próxima Superliga a cubana Palacio e a italiana Diouf. A mexida poderia significar a chegada de estrangeiros no basquete? Supervisor técnico do time, Lula Ferreira explica a questão.

- O Sesi tem uma filosofia de trabalho. Não é uma questão de abrir isso ou fechar. O Sesi trabalha com uma base forte para revelar jogadores e colocar no time adulto. E a vinda de jogadores estrangeiros contraria essa política. Essa que é a filosofia da entidade - explica o supervisor.

A questão, porém, não funciona como uma regra. Ou seja, Franca explica que não há uma proibição para a contratação de estrangeiros, tanto que a equipe de vôlei de Bauru fez duas contratações. As vindas de gringos, contudos, fogem da política da parceira, o que não impede a vinda de algum jogador de fora caso Franca e Fiesp achem necessário.

Bauru sofre com o mercado

Nesta semana, Bauru confirmou o reforno do americano e com cidadania brasileira Larry Taylor. O contrato será em Real. Mas a equipe tem encontrado dificuldades no mercado de transferência por conta do dólar. Com a moeda nesse valor e as ofensivas dos rivais, ficou difícil buscar estrangeiros para o NBB 11. Lucas Dias, por exemplo, tinha conversas com Bauru, pois teria interesse em retornar para a sua cidade, mas não será desta vez.

- Nessa semana, duas equipes entraram com propostas financeiras bem agressivas, o que agitou bastante o mercado de transferências. Jogadores com os quais vínhamos negociando, simplesmente dobraram de preço e com o dólar a quase R$ 4, as alternativas dos estrangeiros diminuí muito. Teremos que apostar em jovens talentos e jogadores mais experientes, mas estamos tranquilos, já que os dois últimos campeões não tinham os elencos mais caros. O Bauru Basket não fará nenhuma loucura financeira, mas terá um time bem competitivo - contou Roberto Fornazari, presidente do Bauru Basket.

O Flamengo, que na última temporada teve três estrangeiros, conviveu com esse problema em um passado recente.



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