Vinicius lamenta pouco tempo no Fla: "Não sei se vou ser lembrado"

O GLOBO: O aparelho prateado, usado há um ano, aperta, machuca, mas ajeita a dentição do jovem sorridente. Da mesma forma, a bola faz o rapaz de 17 anos chorar de dor, tantas são as pancadas dos marcadores cruéis e de menos talento. Mas é ela também quem ajeita a vida do jogador do Flamengo, negociado ao Real Madrid por 45 milhões de euros, filho de um técnico de cabeamento estruturado e uma dona de casa, neto do caminhoneiro José Neves, morto em 2001 pelas águas velozes de uma enchente em São Gonçalo, berço da família.

O pesadelo passou. A ponto de Vinícius Júnior, segunda maior venda do futebol brasileiro e há quase um ano proprietário de um apartamento de quatro quartos na Barra, ter perdido a hora. E olha que já eram 11h, quando a reportagem chegou. "É que o treino vai ser à tarde", desculpou-se, com um bocejo captado pelo gravador, e a indefectível camisa do Flamengo no corpo, exigência do clube para as entrevistas. Vinícius vai tirá-la do corpo em breve. Provavelmente, se despede nesta quarta, contra o Palmeiras, muito antes de a imagem de ídolo ficar puída e desbotada nas bandeiras da torcida.

Vinicius Júnior com a torcida do Flamengo - Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images
Culpa de quem?

"Não fiquei no Flamengo tempo suficiente. Não sei se vou ser lembrado", lamenta o atacante, em entrevista exclusiva à coluna. "Eu poderia ter ajudado mais. O planejamento do Flamengo... As coisas acabaram acontecendo muito rapidamente, e eu fui ultrapassando tudo, sem que o Flamengo imaginasse. O Flamengo pensava que ia demorar um pouco, não deu nem para fazer o planejamento certo, igual ao que o Santos vem fazendo sempre que sobe um jogador. O Rodrygo, por exemplo, tem 17 anos, e assim que ele subiu, virou titular, e não contrataram ninguém para a posição. Eu podia ser titular há mais tempo. Acho que dava, se não houvesse os jogadores com a qualidade que o Flamengo tem. E o elenco é muito grande. Eu só peguei a vaga porque o Everton saiu. Ficava ansioso no banco, muito...", completa o ex-reserva, promovido a protagonista do time há apenas dois meses.

Já é hora de virar a página de novo e jogar 50 bonés e 30 pares de tênis na mala da mudança para a chique La Moraleja, dos futuros vizinhos Marcelo e Casemiro, do Real. Pena que a bola ajeita a vida, mas também machuca:

"Acho que no futebol espanhol vou apanhar bastante, mais do que aqui", admite o menino de 45 milhões de euros.

Já o aparelho dentário ele tira daqui a dois meses.

"Não fiquei no Flamengo tempo suficiente. Não sei se vou ser lembrado", lamenta o atacante Vinicius Júnior.

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