Esses ricos, pobres ricos

JORNAL DO BRASIL: Por Renato Maurício Prado

A s fortunas que o futebol movimenta, há décadas, fazem multimilionários jogadores, técnicos, empresários e cartolas mundo afora. No Brasil, não é diferente. E tal fenômeno tem causado situações, no mínimo, curiosas. Gente que já ganhou dinheiro suficiente para viver nababescamente o resto da vida (deixando, inclusive, herdeiros riquíssimos) continua ávida por faturar mais e mais. A ponto de, muitas vezes, se esquecer de tirar um tempo para aproveitar a vida e o próprio dinheiro que ganhou.

Vira, mexe, me pego pensando sobre tal contradição, que já me levou até a mudar radicalmente os rumos da minha própria carreira. Lembrei-me do assunto, diante das negativas de Abel às sondagens de Santos e Palmeiras. Alguém duvida de que os contratos que lhe seriam oferecidos envolveriam cifras milionárias? Claro que não. Mas o técnico ainda precisa ganhar salários estratosféricos? A resposta também é negativa.

Foto: Divulgação
Aos 65 anos de idade, já com “uma numerosa boiada na sombra” (como se diz na gíria), Abelão está certíssimo em optar por um período sabático, ao menos até o início de 2019. Viveu uma tragédia familiar, no ano passado, ao perder um filho, e após um período de luto, ainda trabalhando, percebeu que o mais importante, no momento, é se voltar para a família, com quem tem viajado e se reunido bem mais do que podia quando estava empregado.

Paulo Autuori fez coisa semelhante, quando retornou do exterior e decidiu treinar o Vasco, por um salário infinitamente menor ao valor de mercado que tinha naquela época. Era um anseio de torcedor. Juninho Pernambucano também procedeu assim, pendurando as chuteiras em São Januário. De que adianta ser multimilionário se não se pode fazer o que se quer? Pobres ricos, escravos da própria conta bancária. Por maior que seja.

Um caso típico é o de Ronaldo Fenômeno, que preferiu enterrar o grande sonho, que sempre disse ter, de jogar pelo Flamengo, clube de sua paixão. Ainda treinando na Gávea, aceitou uma proposta do Corinthians. Precisava da grana? Não. Ganhou um campeonato paulista e uma Copa do Brasil por lá (nada demais, se comparado com os títulos que já tinha), pagou um mico colossal, numa pré-Libertadores, contra o Tolima e, para os netos, jamais poderá dizer que vestiu o manto sagrado de seu coração. Bem, até vestiu, numa ocasião um tanto quanto comprometedora. Deixa pra lá.

Neymar foi outro que se deixou seduzir por um caminhão de euros que não precisava, ao trocar o Barcelona pelo Paris Saint Germain. Já estava podre de rico. Somente na transação para o clube catalão tinha faturado 40 milhões de euros, limpos. Fora os salários, as gratificações e os contatos de publicidade. Podia ter mansões mundo afora, aviões, helicópteros, o que quisesse – e tem. Ah, mas foi para fugir da sombra do Messi. Que besteira, seria naturalmente, o seu sucessor, em pouco tempo. Agora, vê o jovem Mbappé nos seus calcanhares. Grande negócio...

Tive um querido tio que tinha mais prazer em olhar o extrato bancário do que usufruir das coisas que aquele dinheiro poderia lhe proporcionar. Seu grande sonho era ter uma Mercedes. Nos anos 80, acabou comprando uma, de segunda mão, modelo de 1960! O carro tinha um problema de câmbio que não lhe permitia subir ladeiras. Era um sacrifício viajar para a serra a bordo dele. Quando morreu, deixou para a mulher e os filhos grana suficiente para comprar uma frota inteira das Mercedes mais sofisticadas. Zero quilômetro.

Há, claro, exemplos polêmicos também do lado daqueles que preferem aproveitar o dinheiro que ganharam, fazendo somente o que gostam. O mais lapidar é o de Adriano, o Imperador. No caso dele, entretanto, há componentes bem mais sérios envolvidos. Uma coisa, porém, não se discute. Ele leva a vida que gosta e escolheu. Tomara que sua conta bancária lhe permita viver assim por muitos e muitos anos.

Como em todas as boas polêmicas, não dá pra dizer que há certo ou errado. Eu, entretanto, sempre preferirei gestos como o de Abel Braga, priorizando a família, a própria saúde, as viagens e os bons vinhos (dos quais é grande apreciador). Como ser contra, se também optei pelos meus amados cachorros, na serra de Itaipava?

E os laterais?

Em entrevista ao Seleção SporTV, o vice-presidente de futebol do Flamengo, Ricardo Lomba, falou das contratações, dos jogadores que saíram e de Paolo Guerrero (que, me pareceu claro, dificilmente continuará após 10 de agosto). A melhor pergunta da mesa, entretanto, foi a última, quando Petkovic disparou: “E os laterais”?

Observação perfeita. O “Centro de Inteligência” rubro-negro ainda não percebeu que o time precisa, urgentemente, de bons laterais? Sem eles, mesmo dominando o jogo, como aconteceu no segundo tempo da partida contra o Santos, há enorme dificuldade para chegar ao gol adversário. E aí, tome de chuveirinho.

Quando digo que esse centro é burro...

Segue o líder

Quem diria, o melhor atacante do Flamengo na rodada foi o gremista Everton Cebolinha. Graças aos seus dois gols, o Grêmio derrotou o São Paulo, por 2 a 1, de virada, e manteve o Mais Querido como líder do campeonato, agora com dois pontos de vantagem sobre o tricolor paulista.

Um caso típico é o de Ronaldo, que preferiu enterrar o grande sonho, que sempre disse ter, de jogar pelo Flamengo, clube de sua paixão.

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