Flamengo precisa de uma flecha para voltar ao campeonato

CHUTE CRUZADO: Pedro Henrique Torre

O Flamengo líder do Campeonato Brasileiro atingiu a ponta da tabela com características complementares. Se era um time que dominava o adversário e impunha seu ritmo com troca de passes, também sabia o exato momento de ser agressivo e incomodar o rival. Vinicius Junior saiu, o time ainda é líder, mas capenga, com desempenho decadente. São quatro pontos em nove possíveis após a Copa do Mundo. O último conquistado no 1 a 1 contra o Santos na Vila Belmiro. Um futebol que, uma vez mais, ficou aquém e desta vez colocou sob risco a liderança do Brasileiro.

Lucas Paquetá em Santos x Flamengo - Foto: Staff Images
A ausência de parte das características do Flamengo do primeiro semestre, claro, está ligada à demora da diretoria em repor minimamente o estilo de Vinicius Junior. Embora ainda sujeito a altos e baixos naturais de um guri de então 17 anos, o agora jogador do Real Madrid tem o drible, o embate direto com os marcadores e o gosto pela finalização como marcas registradas. Se a troca de passes rubro-negra ameaçava ficar em banho-maria, improdutiva, o garoto puxava um coelho da cartola. Um drible até a linha de fundo, uma finalização de fora da área, uma bola alçada. Instintivamente mandava recado ao restante da equipe. Mexia com o espírito. Sem o garoto do sorriso escancarado, o Flamengo voltou da Copa morno.

Depois da vitória sem sustos sobre o Botafogo, com dois gols rápidos, Barbieri deixou de lado a ideia de manter Uribe pela ponta no 4-3-3. Mandou o colombiano ao banco de reservas e manteve Guerrero, já com cabeça e alma bem longe do Ninho do Urubu, como único atacante. Uma volta ao 4-1-4-1, até mesmo devido às características de Everton Ribeiro, um meia pela direita. O problema é que ao ter Matheus Sávio pela esquerda, o Flamengo atua pelos lados sem nenhum jogador mais agudo. Os dois jogadores das pontas buscam o jogo pelo meio, limitando a atuação do ataque e tornado mais fácil a marcação rival. Com alguma dose de sorte, o gol saiu com quase dois minutos de jogo. Escanteio cobrado por Diego, cabeçada de Bruno Henrique contra a própria meta e um gol contra. 1 a 0.

Seria de esperar, mesmo, um Santos ofensivo, sedento por dar respostas à arquibancada da Vila Belmiro após a demissão de Jair Ventura. Interino, Serginho Chulapa manteve a ideia do ex-técnico de lotar o time de atacantes e buscar muita velocidade para impactar o adversário. Um 4-4-2 que, na prática, resultava num 4-2-4 ao atacar com um quarteto de muita qualidade formado por Eduardo Sasha, Bruno Henrique, Gabriel e Rodrygo. Com a vantagem precoce no placar seria interessante ao Flamengo explorar os espaços deixado pelo Santos no meio, ocupado por Alison e Pituca. Seria. Mas pouco o fez. Lucas Paquetá, uma vez mais, mostrou dificuldades. Lento, displicente em passes, com problemas para arrancar. Completamente diferente do jogador elétrico que se tornou uma das chaves para o bom desempenho no início do Brasileiro. Diego tinha participação melhor, mas voltou a prender a bola e tentar dribles desnecessários em alguns lances, comprometendo o andamento do jogo. E o Santos se tornou perigoso.

Principalmente por que Serginho Chulapa entendeu que o lado esquerdo da defesa rubro-negra poderia ser o atalho mais fácil para causar problemas. Por ali, colocou Rodrygo. Vendido ao Real Madrid, rápido, habilidoso e disposto a acelerar o jogo e incendiá-lo, o garoto preocupava. Matheus Sávio, bem marcado no ataque, pouco ajudava Renê na marcação do garoto. Quando o lateral subia com a equipe, Rever era obrigado a dar o bote e sair da área, um erro que já ocorrera, por exemplo, contra o São Paulo. O Flamengo demorou a entender a estratégia santista. Cuellar, mais solitário no meio com um Paquetá lento e Diego de pouca mobilidade para dar o bote no rival, se esforçava para cobrir os dois lados com a eficiência de sempre. O jogo, no entanto, não é de um jogador só. Rodrygo pegou a bola e praticamente não enfrentou resistência de Matheus Sávio e Diego na marcação. No drible de corpo, Renê abriu caminho e o cruzamento, certeiro, encontrou Gabigol dentro da área. 1 a 1. Na prática, um resultado que explicava o jogo. Um Flamengo até mais organizado, mas menos efetivo. E um Santos espaçado, mas agressivo com seu quarteto.

O difícil para a equipe santista seria manter a velocidade no segundo tempo, muito em conta do desgaste físico. O empate parcial fez Chulapa ser mais cauteloso. Sacou Sasha para colocar Renato em campo, fechando mais o meio que tantos espaços cedeu ao Flamengo no primeiro tempo. Era conveniente não tentar acordar Paquetá e Diego. Pituca foi mais liberado para dar suporte a Rodrygo, Bruno Henrique e Gabriel. Um Santos sem um dono da criatividade no meio para abastecer a velocidade e inteligência de seus atacantes. Problema que talvez seja sanado com a estreia de Bryan Ruiz. O Flamengo entendeu até o recado de um Santos mais retraído. Adiantou o time, passou a trocar passes e fez Paquetá entrar mais no jogo. Tanto nos avanços pelo centro como na maior ajuda a fechar espaços para Rodrygo pela esquerda da defesa. O time tinha o arco. Mas faltava a flecha.

Talvez por isso tenha causado estranheza a demora de Barbieri em sacar Matheus Sávio. Apesar do bom início no clássico contra o Botafogo, o garoto parece ser previsível. A puxada ao meio tentando alçar bola na área foi facilmente lida por Victor Ferraz desde o início. Com a ajuda de Alison na sobra, o camisa 22 rubro-negro não viu o jogo. Sem drible e sem chute, dificultou a vida do time. A tentativa de agressividade só veio na metade final da segunda etapa, com a entrada de Geuvânio. Conhecedor do campo da Vila, o atacante foi mais incisivo, tentou entrar na área, buscar mais o fundo. E é ágil. Deu trabalho a Vanderlei em boa finalização. Guerrero, inoperante até na luta em campo, já tinha dado lugar a Uribe, ainda fora de sintonia, saindo demais da área. Talvez impaciência de observar um Flamengo que se adiantou em campo, empurrava o Santos para a defesa e trocava inúmeros passes laterais pouco objetivos. Everton Ribeiro, em boa noite, tentava quebrar a pasmaceira acelerando, travando e voltando a acelerar o jogo em cima de Dodô. Mas não houve jeito. O Flamengo atual parece conformado em estar em banho-maria. Falta agressividade. Falta Vinicius Junior.

Sem jogador com característica semelhante no elenco, o time parece travado à espera de uma nova maneira de resolver os problemas. A bola sempre parava nos pés de Vinicius. Daí para o drible, para a linha de fundo, para o gol. Talvez por isso o valor a ser pago por Vitinho não seja mesmo caro. O Flamengo dos 54% de posse de bola, 436 passes trocados finalizou apenas três vezes na meta de Vanderlei, de acordo com o Footstats. É pouco para defender a liderança, já sob o risco e dependente de um tropeço do São Paulo contra o Grêmio. O empate na Vila talvez fosse aceitável caso o time não tivesse retornado de forma lenta e perdido para o vice-líder em pleno Maracanã. Ainda adormecido após a paralisação da Copa do Mundo, o Flamengo está em banho-maria. Precisa de uma flecha para despertar e voltar ao campeonato.

Ainda adormecido após a paralisação da Copa do Mundo, o Flamengo está em banho-maria.



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